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Qual o melhor sistema operacional?

John Halamka, CIO da Escola de Medicina de Harvard, testa os sistemas operacionais Windows, Mac e Linux em busca do laptop de última geração

Meredith Levinson

02/04/2007 às 19h06

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John Halamka tem uma atração por experimentar novas tecnologias. Este mês, o CIO da Escola de Medicina de Harvard e do CareGroup, que administra o Beth Israel Deaconess Medical Center, será um dos primeiros seres humanos a ter o DNA seqüenciado e o genoma postado na Web.

Mac OS: aprimorando-se para a corporação
Linux: admirável, mas ainda não é uma opção
Windows: só funciona "trancado"

Mas, na função de administrador de serviços de saúde, Halamka não está interessado apenas nas tecnologias de ponta. Os PCs dentro do hospital têm que funcionar. Assim, quando seu laptop rodando o Windows XP interrompeu várias apresentações com updates inoportunos de programas antivírus e outros aplicativos, ele decidiu que sua próxima iniciativa seria determinar qual sistema operacional — Windows XP, OS X da Apple ou Linux — é o mais seguro, confiável e fácil de usar em um ambiente corporativo. Atualmente, a maioria dos desktops nas organizações sob seu comando é baseada no Windows.

Nos testes que realizou em meados do ano, Halamka dedicou um mês a um MacBook rodando o OS X, um mês a um Lenovo ThinkPad X41 rodando uma configuração dual-boot do Red Hat Enterprise Linux Workstation e do Red Hat Fedora Core e, por fim, um mês a um subnotebook Dell D420 rodando o Windows XP da Microsoft. Halamka avaliou a performance, a interface com o usuário e a capacidade de gerenciamento corporativo dos três sistemas operacionais. Ele testou as plataformas pessoalmente para descobrir em primeira mão quais problemas os usuários podem encontrar e se seu departamento de TI conseguiria mantê-las facilmente. Os sistemas operacionais Leopard, da Apple, e Vista, da Microsoft, não foram testados porque ainda não haviam sido liberados quando Halamka encontrou tempo para fazer este experimento e, além disso, ele prefere testar tecnologias estabelecidas do que lançamentos.

Halamka admite um certo preconceito contra a Microsoft: ele acha que a complexidade afeta a performance do Office e o torna mais vulnerável a vírus e spyware. E não acredita que, no futuro, a Microsoft criará produtos mais simples e confiáveis, tendo em vista a aposentadoria de Bill Gate e a nomeação do Chief Technical Officer Ray Ozzie para sucedê-lo no cargo de chief software architect. (Outras informações sobre metas futuras da Microsoft estão em Além do Vista) Enquanto isso, Halamka observa que o crescimento do Google e do Linux como desafiantes ao domínio da Microsoft e que a adoção de chips Intel pela Apple são sinais de que ele deve explorar as opções que tem diante de si.

“Ser CIO em 2006 é muito mais difícil do que há dois anos”, compara Halamka. Os usuários não toleram nem três minutos de tempo inativo e os budgets de TI não acompanham a demanda por largura de banda e storage. “Este [experimento] tem o objetivo de assegurar que a indústria possa fazer o que precisa ser feito de maneira melhor, mais rápida, mais barata e mais confiável.”

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Mac OS X: Aprimorando-se para a corporação

Configuração: MacBook baseado em Intel rodando o OS X com Web browser Safari da Apple, aplicativo de e-mail Entourage da Microsoft, sistema de desktop publishing Pages 2 da Apple para processamento de texto e programa de apresentação Keynote da Apple.

Positivo: Halamka, como muitos CIOs, achava que os computadores da Apple não pertenciam à classe corporativa. Mas ele descobriu que o sistema de gerenciamento Apple Remote Desktop oferece grande parte dos recursos necessários para que os departamentos de TI implementem uma frota de Macs, incluindo ferramentas para configurar aplicativos, controlar qual software está instalado em desktops e aplicar upgrades.

Outra característica do MacBook que ajuda a suportar e administrar TI é sua confiabilidade. Halamka apreciou o fato de seu MacBook não pifar ou travar durante o mês de uso. E o trabalho de Halamka não foi interrompido nenhuma vez por atualizações automáticas de antivírus ou antispyware, um aborrecimento freqüente para usuários do Windows.

Halamka viaja em média quatro dias por mês e o acesso remoto a e-mail é fundamental. Ele obteve fácil acesso ao seu e-mail no Entourage durante as viagens – depois que o departamento de TI fez uma pequena alteração no firewall do CareGroup.

O acesso a software baseado na Web desenvolvido internamente também não apresentou problemas porque a equipe de TI de Halamka cria aplicativos que funcionam com qualquer browser. Nas viagens, o OS X passou de uma rede wireless para outra sem falhas, o que, segundo Halamka, faz do MacBook uma ótima ferramenta para profissionais do conhecimento móveis. O MacBook se comportou muito bem quando o CIO foi participar de reuniões em Harvard, depois no CareGroup e até na Starbucks usando protocolos de rede diferentes.

Além das tarefas de CIO, Halamka está envolvido em muitas iniciativas extracurriculares, como a presidência do Healthcare IT Standards Panel. Ele faz cerca de 150 conferências ou apresentações por ano. Portanto, precisa de uma ferramenta eficaz para criar apresentações. E encontrou o que precisa no Keynote, que considera animadoramente simples comparado ao PowerPoint.

O Keynote não oferece todos os efeitos especiais que fizeram a fama do PowerPoint. Conseqüentemente, Halamka sentiu que o aplicativo o obrigava a se concentrar mais na mensagem a ser transmitida do que, por exemplo, no som para acompanhar cada mudança de slide. Isto não quer dizer que as apresentações de Halamka fossem tediosas. Macs são conhecidos por sua capacidade multimídia e ele se beneficiou dela, incorporando áudio e vídeo digital a uma aula sobre envenenamento por cogumelos.

Negativo: Em abril, a Apple anunciou que suas máquinas passariam a suportar o sistema operacional Windows. Mas Halamka achou um pouco “melindroso” rodar o Windows em seu MacBook
Os usuários do Mac têm duas opções para rodar o Windows: o Bootcamp da Apple, que exige reinicialização a cada mudança do OS X para o XP, e o Parallels Desktop, que permite ao XP rodar de dentro do OS X, mas que Halamka achou problemático ao comutar entre as conexões cabeada e wireless. Halamka concluiu que rodar o Windows XP em seu MacBook não valia o trabalho. Ele achou o pacote de software do MacBook adequado, com uma exceção: alguns aplicativos baseados em browser comerciais para Windows, como um sistema de radiologia da General Electric, não rodaram no Safari. Eles usam controles ActiveX que só funcionam no Internet Explorer.

O Entourage apresentou alta integração para e-mail, mas Halamka observou algumas falhas e esquisitices aborrecidas no aplicativo. Ele teve dificuldade para gerenciar reuniões recorrentes complexas, por exemplo. Nestes casos, o CIO precisou usar o Outlook Web Access no Mac, e descobriu que nenhum dos recursos avançados da versão Windows, como a facilidade de scrolling e remoção de mensagens, funciona no Mac. Foi um motivo a mais para descartar aplicativos Windows e tolerar as poucas deficiências funcionais do Entourage.

Toda tecnologia nova tem uma curva de aprendizado e é preciso acostumar-se ao Mac, apesar de ele ser conhecido por sua facilidade de uso. Para implementação em larga escala no CareGroup, Halamka teria que elaborar manuais de treinamento para usuários do Windows, já que algumas funções que são de praxe em PCs, como impressão de capturas de tela, não são óbvias em Macs. Halamka levou três dias para se familiarizar inteiramente com o MacBook.

Truques: Halamka teve que recorrer a alguns truques para fazer o MacBook funcionar direito. Em sua maioria, foram procedimentos diretos. A VPN da Juniper Networks usada no CareGroup, por exemplo, não era compatível com o MacBook e fez o computador travar na primeira vez que Halamka tentou conectar. Ele relatou o problema à Juniper, que no dia seguinte desenvolveu  um patch para o software da VPN. Depois disso, a VPN funcionou perfeitamente.      

Conclusão: A confiabilidade do MacBook superou todos os desafios que Halamka enfrentou na curva de aprendizado. “Neste momento em que minha função está tão ligada a gerenciamento de mudança e a comunicação eficaz com todos que trabalham para mim e meus clientes, a multimídia é muito importante. O MacBook, extraordinariamente bom para gerenciar multimídia, é uma ferramenta para o profissional do conhecimento superior ao XP, que, muito provavelmente, é um ambiente de desenvolvimento melhor.”

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Palavra de Especialista em Mac
Por Jason Snell

Concordo com a opinião de John Halamka quanto a rodar o Windows em hardware Mac: definitivamente, o Parallels Desktop é a melhor opção, mas tem aquelas esquisitices ocasionais. Quem comprar um Mac deve preparar-se para passar a maior parte do tempo utilizando o Mac OS X. O software nativo do Mac servirá para a imensa maioria das tarefas.

Os websites que exigem o Internet Explorer para Windows costumavam ser a maldição da existência dos usuários de Mac, mas, atualmente, a maior parte dos desenvolvedores para Web está usando padrões Web para criar seus aplicativos e testando a compatibilidade com o Firefox, o que, em geral, significa que eles são compatíveis com a versão Mac do Firefox (e, às vezes, também com o Safari).

O artigo faz o Keynote parecer uma versão “light” do PowerPoint. Minha experiência é que o Keynote, na realidade, oferece muito mais opções (em termos de transições e slide builds) do que o PowerPoint. Sempre sei quando alguém está usando o Keynote, mas isso por causa dos efeitos extras, não da falta de efeitos. Seria mais preciso dizer que o Keynote não oferece os mesmos efeitos do PowerPoint.

É encorajador ver que muitas queixas de Halamka são do tipo que você esperaria de alguém que está tentando fazer a transição do familiar sistema operacional Windows para a abordagem um tanto diferente do Mac. Embora os usuários do Mac sejam capazes de executar rapidamente a combinação de teclas exigida para fazer uma captura de tela (Command-Shift-3), o modo como estas coisas funcionam nem sempre é óbvio para novos usuários.

Jason Snell é vice-presidente e diretor editorial da Macworld

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Linux: Admirável, mas ainda não é uma opção

Configuração: O laptop Lenovo X41 carregou dois sistemas operacionais Red Hat Linux — Fedora Core 5 e Red Hat Enterprise Linux (RHEL) versão WS 4 U3. Cada sistema rodou os seguintes aplicativos desktop open-source: Web browser Firefox, OpenOffice (versão 1.x no RHEL e 2.x no Fedora) e programa de e-mail Evolution com Ximian Connector para Microsoft Exchange, da Novell (o Connector é uma extensão para o Evolution que funciona como um cliente do Microsoft Exchange Server para desktops e workstations Linux e Unix).

Positivo: Ao contrário do que a Microsoft diz em sua campanha “Veja os Fatos”, o Linux pode ser um sistema operacional desktop estável e confiável. Mas as variedades do Linux desktop apresentam diferenças. Segundo Halamka, o RHEL presta-se bem para ambientes de computação corporativa porque as raras mudanças que a Red Hat faz no sistema operacional são bem testadas e documentadas. Assim, os departamentos corporativos de TI podem ter a confiança necessária para suportar e administrar o Linux no desktop e saber que ele não será causa de ligações furiosas para o help desk.

O Fedora, por outro lado, dá muito trabalho para manter porque é atualizado com muita freqüência (veja “Desaprovou” abaixo). Mas estes updates freqüentes proporcionam suporte ao hardware mais recente — cartões EVDO para acesso em banda larga wireless, por exemplo — e a aplicativos que evoluem rapidamente como o OpenOffice.

Quanto a aplicativos de produtividade de escritório open-source, Halamka se apaixonou pelo Firefox. O aplicativo não congelou nenhuma vez e se mostrou fácil de usar. O CIO gostou tanto do Firefox que o adotou como navegador default em seu MacBook e no novo laptop Windows que testou. O OpenOffice funcionou bem para processamento de texto, apresentações e planilhas. E Halamka não teve problemas graves ao trabalhar com documentos do Microsoft Office.

Negativo: O RHEL é mais fácil de gerenciar, mas não suporta as tecnologias e funcionalidades mais novas. Às vezes nem suporta tecnologias comprovadas como os drives USB. Segundo Halamka, o fato de o RHEL não incorporar os drivers que detectam redes automaticamente, nem suportar novo hardware, é um possível obstáculo à implementação no CareGroup.

Nem o RHEL nem o Fedora reconheceram um drive USB quando Halamka plugou-o em seu laptop. Toda vez que quis acrescentar um drive, precisou montá-lo manualmente escrevendo um comando. Os engenheiros de Halamka que trabalham com Linux e têm usado o Fedora por conta própria acabaram conseguindo fazer com que o sistema operacional reconhecesse USB drives, após a instalação dos updates necessários.

Quando Halamka não estava usando seu computador, o sistema operacional RHEL sugou energia da bateria ou da tomada elétrica porque o CIO não conseguiu botá-lo para dormir. O recurso Sleep do Fedora funcionou metade do tempo. Quando não funcionou direito, Halamka teve que reinicializar.

O grande problema do Fedora, de acordo com Halamka, é seu estado de “beta permanente”. Para desenvolvedores open-source, é um procedimento normal liberar atualizações e aprimoramentos para o Fedora constantemente e deixar que a comunidade usuária teste a interoperabilidade com outros aplicativos. Conseqüentemente, quando Halamka baixou estes updates para seu computador, outros aplicativos travaram. Para Halamka, descobrir quais aplicativos funcionariam ou não após o download de 200MB de updates a intervalos de poucos dias “foi comparável a girar uma roleta”.

No lado do software, a versão do aplicativo de e-mail open-source Evolution para o RHEL e o Fedora não funcionou bem como um cliente para o Microsoft Exchange Server. Em dois dias de tentativas, Halamka não conseguiu sincronizar seu cliente Evolution com o Exchange Server do CareGroup porque o Evolution era muito instável. Se o processo de sincronizar as mensagens na unidade de disco rígido de Halamka com o Exchange Server era interrompido por alguma razão (rede lenta, por exemplo), recomeçava do início. Além do mais, o Evolution travou com freqüência e exigiu saídas forçadas, que fizeram Halamka recorrer ao Outlook Web Access para sincronização com o Exchange.

Os problemas que Halamka enfrentou com o Linux no desktop obrigaram-no a arranjar uma hora extra em seu dia para troubleshooting. Os ajustes consumiram um tempo precioso. “Não quero passar o dia escrevendo linhas de comandos”, diz.

Truques: Halamka não conseguiu conectar à rede corporativa do CareGroup na primeira tentativa com o RHEL. O sistema operacional não foi capaz de reconhecer a conexão cabeada rapidamente ou não tinha os drivers para seu tipo de conectividade wireless. Um dos engenheiros de Linux ensinou Halamka a ativar manualmente as conexões wireless e cabeada. Isso pareceu resolver o problema da conexão cabeada, mas ele teve que ativar a conexão wireless toda vez que quis usá-la.

Conclusão: O sistema operacional Linux — ou pelo menos as versões RHEL ou Fedora dele —não está pronto para o horário nobre. “Nunca cheguei ao ponto em que, se tivesse que fazer uma palestra, bastaria levantar a tampa do laptop, ativar minha apresentação e saber que ela funcionaria”, ressalta Halamka.

Para que o Linux se torne prático e acessível no desktop, acrescenta o CIO, os fabricantes de hardware terão que configurar software Linux para máquinas específicas (como a Lenovo está fazendo com suas máquinas T60). Halamka diz que se uma destas empresas personalizasse a configuração do sistema operacional para um hardware específico, alguns problemas que ele teve   estariam resolvidos e o tempo que a equipe de TI gasta configurando hardware e software seria reduzido. Enquanto isso, ele não desiste de sua busca por um sistema operacional desktop Linux  confiável. Halamka planeja fazer um test drive de outros sistemas operacionais Linux, como o Debian, SUSE e Ubuntu.

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Palavra de Especialista em Linux
Por David Torre

Quando li a experiência de John Halamka com o uso do Fedora e do RHEL, os resultados controversos não me surpreenderam. Cerca de 90% de seus problemas eram relacionados a hardware. Coincidentemente, o X41 não está listado no website da Red Hat como sendo suportado oficialmente pelo Fedora ou o RHEL.
Meu laptop Dell D600 rodando o Fedora tem a mesma placa de rede do X41 de Halamka, mas sempre consigo conexão imediata com a rede. Quanto aos drives USB, meu laptop reconhece alegremente meu Cruzer Micro a cada inserção.  No mundo corporativo, porém, a percepção do usuário final desempenha um papel-chave na aceitação de novas tecnologias. Concordo inteiramente com Halamka: para ser implementado com êxito em sistemas de usuários finais, o Linux tem que poder funcionar com o mínimo possível de ajustes.

São empresas de hardware como a Dell ou a Lenovo que vão pôr o carimbo de aprovação final de suporte ao Linux em suas máquinas. Há muitas variantes do Linux, mas os fornecedores de hardware provavelmente vão escolher apenas um punhado de versões do sistema operacional para suportar oficialmente. Se você trabalha em uma organização onde suporte e compatibilidade não são itens opcionais, terá que escolher uma das distribuições suportadas oficialmente que seu fornecedor de hardware disponibiliza.

A beleza do Linux, porém, está em você também poder optar por uma ela abordagem do tipo “necessita de alguma montagem”.

Recomendo o uso de um sistema operacional mais apropriado para desktops como o Ubuntu ou Linspire, em oposição a distribuições mais voltadas para servidor como o Fedora ou RHEL. Halamka também poderia cogitar uma alternativa não-Linux ao Microsoft Windows, como o FreeBSD, Skyos ou Haiku.

David Torre é fundador e CTO da Atomic Fission, empresa de consultoria em open-source.

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Windows: Só funciona “trancado” 

Configuração: Subnotebook Dell D420 rodando o Windows XP com Microsoft Office, Internet Explorer e Firefox

Positivo: Considerando-se que o Windows é o sistema operacional mais vendido, novo hardware -- como o modem GPS ou o cartão wireless EVDO -- é sempre desenvolvido primeiro para XP. Halamka raramente se preocupa se seu computador reconhecerá um novo dispositivo ou uma nova rede. Um dia, quando estava prestes a iniciar uma palestra interativa com duas horas de duração na qual usaria a Web, ele percebeu que o cabo da rede na sala não chegava até seu laptop. Ao invés de levar o computador para um local incômodo, Halamka ativou a conexão de banda larga sem fio. “Consegui sair de uma enrascada porque existe muita coisa disponível para XP”, conta. “Monopólio gera interoperabilidade.”

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Negativo: A ampla interoperabilidade do Windows tem a desvantagem de impedir que a Microsoft controle o hardware no qual seu software roda. Às vezes, é complicado descobrir de qual driver você precisa para habilitar determinada funcionalidade. Quando Halamka tentou conectar o laptop à rede wireless do CareGroup, por exemplo, o driver wireless que veio com seu Dell não funcionou direito. O CIO não sabia quem tinha o fix necessário, se a Dell ou a Intel. Ele encontrou um patch no website da Dell, mas teve que ir ao website da Intel para pegar o mais atualizado.

“Os usuários precisam ter muito conhecimento para rastrear os drivers que suportam a coisa toda”, diz. No ambiente corporativo, os administradores de sistemas fazem a maior parte desta pesquisa – e se o Windows tem a fama de que gerenciá-lo consome tempo, um dos motivos é esse.

Truques: Usuário do XP desde 2002, Halamka observou que quanto mais aplicativos ele instala, mais lento e instável o sistema operacional se torna. Por isso, mantém uma pilha simples de software, instalando o mínimo possível de aplicativos adicionais e, de preferência, da Microsoft.

Halamka também criou dois log-ins separados: um com privilégios de administrador e outro que ele usa diariamente. O log-in só de usuário impede que os websites que ele visita baixem controles Active X (que podem gerar conflitos de software e incompatibilidades de hardware) e evita downloads automáticos de atualizações de software. Com estas medidas, Halamka conseguiu “uma versão do XP que não travou durante 30 dias”.

Conclusão: Halamka diz que é possível rodar uma versão do Windows segura, estável e confiável, contanto que você configure o XP adequadamente e não faça nenhuma mudança nele. “Você precisa ter um ambiente realmente trancado.”

Até agora, a manutenção do desktop “trancado” deu certo, apesar de exigir uma certa adaptação por parte dos colegas. Por exemplo, Halamka decidiu não usar o Visio para criar ou ver diagramas (embora o Visio seja um produto da Microsoft)  porque ele tem DLLs (dynamic link libraries) que causam instabilidade e conflitos com outros aplicativos. O CIO pede aos colegas que lhe enviem em formato .jpeg os arquivos Visio que eles querem que ele veja.. Halamka percebe que um dia talvez precise acrescentar o Visio, mas ainda vai tentar ter o mínimo de aplicativos possível.

Para a imensa maioria da comunidade usuária, porém, não é realista controlar o desktop. No hospital, que precisa seguir regulamentações de segurança do governo, os usuários mostram-se mais dispostos a aceitar limites. Mas Halamka acha infrutífero ditar o que os 18.000 usuários da Escola de Medicina de Harvard aos quais ele dá suporte podem ter em seus desktops.

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Palavra de Especialista em Windows
Por Roger Kay

John Halamka deparou-se com a principal vantagem da Microsoft: seu domínio na indústria de software. A universalidade corporativa do Windows é o que o torna tão atrativo. As empresas querem que seus aplicativos e documentos sejam compatíveis com os de seus parceiros, fornecedores e colegas. Também querem que seus computadores consigam ler arquivos criados 10 ou 20 anos atrás. A Microsoft oferece esta flexibilidade. É difícil substituir um ambiente de computação que proporciona tal nível de compatibilidade, ainda que ele seja inchado e tenha bugs.

Fomentando ainda mais a universalidade corporativa do Windows, como observa Halamka, é grande a quantidade de novas tecnologias desenvolvidas para funcionar com ele. Isso acontece porque os desenvolvedores de software estão sempre em busca das melhores oportunidades. Quando trabalhei para um desenvolvedor de software, adorávamos o Mac, mas criávamos aplicativos para o Windows que tínhamos mais chance de ganhar dinheiro.

Também compartilho a crítica de Halamka à complexidade excessiva do software da Microsoft. Um dos meus problemas com o Windows é sua prolixidade. Ele está sempre falando com você, dizendo que seu software antivírus precisa ser atualizado, perguntando se você quer experimentar um programa de um parceiro, informando que a função de salvar não foi executada direito. Felizmente, posso desativar alguns destes recursos. Minha opinião é que todos os sistemas operacionais tendem ao inchaço. A boa notícia é que o Vista, que andei testando, mostra ser um dançarino bastante ágil para quem está acima do peso.

Louvo os esforços de Halamka de manter uma pilha simples de software na máquina. Se você conseguir, é um bom método.

Roger Kay é presidente da Endpoint Technologies Associates, empresa de consultoria.

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Rumo à Corporação com Macs

Halamka concluiu que a máquina dos seus sonhos é um notebook Dell D420 rodando o OS X. Infelizmente, esta máquina não está à venda nas lojas.

Ele prefere o hardware da Dell porque é mais leve (1,361 kg versus 2,268 kg do MacBook) e resfria mais. Mas ele também tem tanta preferência pela segurança, confiabilidade e interface com o usuário simples do OS X, em comparação ao XP, que decidiu ficar com o MacBook para uso pessoal. Até que a Apple disponibilize um laptop mais leve ou licencie seu software para outras máquinas, porém, Halamka continuará com o XP para uso profissional.

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De qualquer forma, Halamka tomou algumas medidas para ampliar a implementação de Macs. Enquanto na Escola de Medicina de Harvard 50% dos desktops são Macs, os funcionários do Beth Israel Deaconess Medical Center só usavam PCs. Agora Halamka mudou a política de compra do hospital para permitir a aquisição de Macs. Mas ele sabe que ainda não tem especialistas em Mac suficientes na equipe para suportá-los inteiramente.

Na Escola de Medicina de Harvard, que conta com uma equipe de TI separada e políticas de compra diferentes, Halamka prometeu aos usuários de Mac o mesmo nível de serviço e funcionalidade ao qual os usuários de Windows estão acostumados. Ele comprou servidores Macintosh para reduzir os problemas que os usuários de Mac tiveram para acessar o storage centralizado.

Enquanto isso, Halamka vai monitorar o sistema operacional Leopard, da Apple, que deverá ser liberado no primeiro semestre de 2007. Se o Leopard oferecer ferramentas de administração melhores do que a versão atual do OS X e for mais fortemente integrado ao Outlook e ao Exchange, é possível que Halamka dê início à utilização mais disseminada de Macs --  principalmente se o Vista “acabar se transformando na besta-fera que ele pode ser”, diz.

“Eu costumava pensar que o Macintosh era algo usado por espíritos livres só para serem diferentes”, revela. “Agora percebo que o Mac tem uma engenharia do fator humano tão superior que as pessoas o utilizam para serem  mais produtivas.”

Meridith Levinson é editora online sênior de CIO/EUA.

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