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Como lapidar seu diamante

Monge que fez milhões vendendo pedras preciosas revela como os ensinamentos budistas podem ajudar nos negócios

Cláudia Zucare Boscoli

28/03/2007 às 20h14

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Fazer 200 milhões de dólares com a venda de diamantes é possível, mas torna-se inimaginável quando o vendedor em questão é alguém que, segundo suas próprias palavras, não gosta de trabalhar, não liga para dinheiro e não entende nada de negócios, muito menos de pedras preciosas. No entanto, o monge Michael Roach, seguidor do budismo tibetano e autor do livro “O lapidador de diamantes”, foi capaz desta proeza.
Roach passou 20 anos num monastério para alcançar o título de geishe (correspondente a doutor em teologia). Conta que, depois desse tempo, foi chamado por seu lama para decidir o que faria da vida. “Literalmente, ele me mandou trabalhar. E só. Não disse no que, só que eu deveria trabalhar. Eu ainda tentei postergar, mas lama é lama e a gente obedece”. Rindo da própria história, ele conta que se revoltava com a ordem superior: “Eu escolhi ser monge, não queria nada com trabalhos convencionais, só espirituais. Quem me pagaria para meditar?”. Num sonho, teve a resposta: deveria negociar diamantes. E saiu em busca de todas as empresas nova-iorquinas que mexiam com pedras preciosas. “É pior do que entrar na máfia. É um mercado totalmente familiar porque você tem que confiar 100% em quem trabalha na equipe. Caso contrário, as pedras somem uma a uma”, explica.
Depois de muitos “nãos”, encontrou um empresário novo no setor que lhe deu ouvidos. “Disse que, se tivesse uma chance, poderia dobrar seus lucros anualmente com a força do meu karma. Acho que ele me achou um tipo curioso e topou. Fiquei por um ano lavando chão e janelas até que os lucros realmente dobraram e ele me promoveu”. Sua missão passou a ser trazer da Índia quilates e mais quilates de diamantes. Numa das viagens, entendeu errado o pedido e comprou diamantes amarelos ao invés de brancos. “O chefe ficou louco. O que ele iria fazer com aquilo? Pois eu não tive dúvidas. Peguei as pedras, mandei fazer anéis e vendi tudo no mesmo dia na Quinta Avenida”. A moral da história? A gente planta o que colhe.
“Tudo na vida depende do karma. O mundo exterior de cada um é reflexo do seu interior. Se eu ajudo hoje, serei ajudado amanhã. Se sou gentil, receberei gentilezas. Se penso positivo, minha vida tende a ser mais fácil”, ensina. E exemplifica a lição com a metáfora do copo com água pela metade: “Será que ele está ‘meio cheio’ ou ‘meio vazio’? Os que tendem a brecar frente aos problemas impostos pela vida responderão que está ‘meio vazio’”.
No mundo dos negócios e em todas as transações que envolvam dinheiro, explica, esse princípio positivista deve ser aplicado com a mentalização de que todo valor entregue voltará multiplicado. Ele garante que a ação dá resultados e que não será demonstração de apego. “Egoísmo seria querer tirar do outro, privar alguém do mesmo. Você deseja que o dinheiro se multiplique, faça o bem, leve conforto e que, um dia, volte à sua mão”. Em tempo: Roach não trabalha mais com diamantes e se dedica unicamente aos estudos do budismo e da ioga, sendo fundador de vários grupos e universidades pelo mundo.

Ensinamentos que valem reflexão no mundo dos negócios:
• Não tema o novo: “O resultado de todas as ações se multiplica. Se você nunca comete uma ação, nunca terá um resultado”.
• Reconheça o valor da equipe: “Se você deseja autoridade, deve deleitar-se com o bom trabalho”.
• Pense positivo: “Existem dois tipos de obstáculos que podem nos impedir de alcançar nosso objetivo. O nosso velho karma ruim e nossas emoções negativas”.
• Não impeça o desenvolvimento alheio: “Entenda que, gerando um karma negativo, você prejudica seus próprios objetivos e os de outros”.
• Aja corretamente por princípio, não por interesse: “É especialmente importante sentir-se feliz, mas sem nenhuma sensação ilusória de orgulho sobre a bondade que você mesmo realizou”.

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