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CEOs tradicionais engasgam com Web 2.0

Chefe de pesquisa do Gartner critica postura conservadora de CEOs que revelam receio de vazamento de informações por meio de blogs e wikis

James Niccolai

14/03/2007 às 17h24

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Líderes das empresas estão começando a abraçar blogs e outras tecnologias de Web 2.0 para melhorar seus negócios, mas alguns executivos afirmam que é mais fácil falar do que fazer.
Peter Sondergaard, chefe global de pesquisa do Gartner, afirmou a CEOs na CeBIT nesta quarta-feira (14/03) que blogs e comunidades online como o MySpace podem ter começado entre usuários domésticos, mas terão grande impacto no setor corporativo nos próximos anos.
Muitos executivos já usam blogs para falar com clientes e companhias como a Microsoft e IBM estão oferecendo ferramentas que permitam que empregados trabalhem em projetos usando blogs e wikis. No mundo virtual, companhias como Adidas e BMW estão fazendo campanhas de marketing na rede social Second Life.
É parte da mudança pela quais produtos e serviços para consumidores estão passando cada vez mais no mundo dos negócios, afirmou Sondergaard. "Esta é a próxima grande mudança na tecnologia. Durará cerca de 15 anos - mas serão os próximos cinco que decidirão quais empresas falharão e quais aproveitarão as novas ferramentas", afirmou ele durante o Vision Forum, evento paralelo à Cebit, que ocorre em Hanover, na Alemanha.
Alguns executivos do fórum concordaram que as tecnologias são importantes, mas viram desafios para colocá-las em ação. "Ele é um consultor e eu sou um CEO. Ele não tem que se preocupar que, se você tiver uma rede comunitária na sua organização e divulgar dados financeiros, você vai pra prisão", afirmou Ben Verwaayen, CEO do BT Group.
Sondergaarden está certo nos princípios, afirmou Verwaayen, e executivos realmente devem se abrir a novos processos. Mas o trabalho de um líder é decidir quando é a hora certa e "ter a habilidade de resistir ao que é elegante", afirmou ele.
Manfred Reif, diretor de gerenciamento do HSH Nordbank, banco de créditos de investimento em Luxemburgo, pediu que seu departamento de TI há meses criasse um blog onde os 130 empregados da companhia poderiam discutir como o banco é administrado. As publicações no blog serão anônimas, já que é importante manter respostas honestas. Leis de trabalho em Luxemburgo exigem que o executivo peça a aprovação da união de trabalhadores antes que o blog comece, no entanto.
Companhias financeiras têm mais barreiras que a maioria no movimento de Web 2.0, pelas restritas regulações éticas e pela exigência de segurança redobrada. Mas Reif afirmou que precisa pensar sobre maneira de inovar antes e considerar as implicações corporativas depois. "Se você pensar primeiro sobre regulações, você nunca fará nada", afirma.
Um executivo de uma consultoria de administração na Alemanha afirmou que seus clientes, que incluem fabricantes tradicionais, não estão usando tecnologias Web 2.0 atualmente. Fabricantes não têm o pensamento ideal, afirma ele, por que estão muito mais focadas em produtos que em serviços. "Ainda serão preciso mais 10 anos até que todos estejam prontos", afirma o executivo, que preferiu não se identificar. Sua companhia pode procurar por novos negócios oferecendo consultoria de Web 2.0 para companhias de telecomunicações, que estarão mais abertas para a idéia, afirmou.
A maioria dos CEOs atuais são "imigrantes digitais", de acordo com Sondergaards, lutando para entender tecnologias de consumo que estão sendo popularizadas pelos mais jovens e amedrontando executivos. "Os nativos digitais têm uma média de 16 anos, são seus filhos e filhas", disse ele na palestra. As companhias precisam experimentar tecnologias da Web 2.0 internamente hoje, afirmou, por que, em poucos anos, elas determinarão em quais empresas aqueles nativos digitais gostarão de trabalhar.

*James Niccolai é repórter do IDG News Service, em Paris

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