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Elas são CIOs

Os desafios enfrentados pelas mulheres que estão à frente do departamento de TI de suas corporações

Thais Aline Cerioni

08/03/2007 às 11h26

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É cultural, porém estatístico: as mulheres são minoria nas ciências exatas, especialmente na tecnologia da informação. Enquanto isso, está apenas começando a disseminação das mulheres em cargos executivos de alto-escalão. Não é difícil imaginar que ser a principal executiva de TI de uma grande corporação não é tarefa fácil. Abaixo, apenas dois exemplos para exemplificar como elas vêm fazendo - e muito bem - o trabalho que um dia foi considerado exclusividade dos homens.

clariceClarice Coppetti, vice-presidente de tecnologia da Caixa Econômica Federal, é realista ao falar dos problemas enfrentados pelas mulheres ao se destacarem no ambiente de trabalho – especialmente em uma área historicamente masculina, como é o caso da TI. “Preconceito sempre existe. Às vezes ele aparece na postura, outras vem velado, em forma de elogio”, garante a executiva. “Mas também não posso dizer que isto atrapalha meu trabalho ou o fortalecimento da área. Isso depende da consistência da gestora.”
Líder da área de TI da Caixa desde 2003, Clarice diz estar acostumada a comandar reuniões e equipes formadas totalmente por homens. Mas vê boas perspectivas de mudança deste cenário. “Na base da pirâmide, o número de mulheres está crescendo. Ainda não é 50%, mas já é representativo”, avalia.
Um dos principais desafios de ocupar uma posição como a sua é, segundo a VP, conciliar a agenda intensa do banco à administração da casa e à educação dos filhos – de 11 e 16 anos. “Não tem jeito. Mesmo eu tendo avisado na escola que sou a gestora financeira e meu marido é o gestor pedagógico, qualquer coisa que aconteça é para mim que ligam”, conta.
Apesar da ‘jornada tripla’, Clarice faz questão de dedicar todo o tempo livre aos meninos. “Não abro mão do lado pessoal de jeito nenhum. A convivência com os meus filhos é de onde vem a minha energia.”

thaisCom apenas 33 anos, Thais Falqueto é gerente de projetos de tecnologia da América Latina Logística (ALL), respondendo diretamente ao superintendente de TI da companhia. Os dez anos de experiência no mercado de TI mostram à executiva que o setor ainda é majoritariamente masculino. “Mas acredito que essa situação está mudando e que a tendência é que fique mais igual”, prevê. “A medida que existem mais mulheres nas áreas técnicas, a tendência é que elas cresçam e ganhem posições de destaque.”
No dia-a-dia, nem tudo são flores. “É ilusão dizer que na cabeça de qualquer homem não existe preconceito”, dispara. Segundo ela, o fato de ser mulher e, principalmente, jovem acaba influenciando em várias relações, especialmente com fornecedores. “A vantagem é que a ALL é uma empresa mais jovem e descontraída, com uma postura diferente. Por isto, aqui dentro isso não acontece tanto”, comemora.

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