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Pare de querer resolver problemas

Em vez de perder tempo tentando eliminar adversidades, vire o foco para a capacidade criativa da equipe. É o que muitas empresas já estão fazendo com sucesso

Renato Ricci

24/01/2007 às 18h39

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O que nós mais fazemos em nossa rotina diária como executivos? Se você respondeu resolver problemas, acertou. As organizações e seus sistemas de gestão são movidos pela energia de encontrar soluções, sejam elas tecnológicas, sistêmicas ou voltadas ao seu capital humano. É considerado um gestor eficiente aquele que consegue lidar com os problemas cotidianos e os seus conflitos correlatos, de uma maneira adequada e rápida. A cada dia passamos mais tempo tentando resolver as adversidades provenientes de nosso sistema de trabalho, de nossos produtos, de nossos processos, e a nossa capacidade criativa é colocada em segundo plano.
Hoje, seria possível mudar esta realidade mesmo considerando o ambiente competitivo e em constante mudança em que vivemos? Segundo David Cooperrider, PhD e coordenador do programa Negócios Como um Agente de Benefício Mundial, da Case Western University, dos Estados Unidos, sim. Há mais de vinte anos, Cooperrider começou a estudar sobre fatores críticos de sucesso organizacional. Ele observou, ao longo do tempo, que empresas que possuíam uma visão estratégica focada em resolver problemas gerenciais e operacionais cotidianos tinham uma tendência de não mudar este cenário. Já as que focavam em seus pontos fortes e de sucesso, conseguiam transformar-se mais rapidamente traçando um futuro promissor e de inovação.
Nasceu então a Investigação Apreciativa (IA), uma forma diferente de construir estratégias e planos de crescimento organizacional. O método consiste em resgatar, através de entrevistas e debates, todos os  momentos de alta performance ocorridos no passado e no presente, dentro do âmbito organizacional, e também captar os sucessos individuais de cada um dos players envolvidos: colaboradores, clientes, fornecedores e comunidade. Ou seja, apreciar o que há de melhor nas pessoas e no modelo de gestão praticado que possa ser utilizado como recurso e modelo ideal para uma construção futura.
Ao contrário de outros métodos de planejamento, não é trabalhado os pontos fracos, mas sim, exalta-se tudo que pode ser considerado como um diferencial competitivo. A Investigação Apreciativa foi desenvolvida a partir de alguns conceitos organizacionais, tais como os princípios construcionista e positivista. Este último afirma que imagens positivas geram ações positivas. Quando debatemos o que fazemos bem, quais são os nossos pontos fortes, quais foram nossas principais conquistas, geramos energia positiva que deve ser transformada em ações futuras. A organização move-se em direção ao que se estuda.
Quando discutimos problemas, causas, culpados, conflitos, disputa de poder, geramos mais conflito, mais energia negativa, e provavelmente, caímos em um ciclo vicioso onde o que impera é a política de apagar incêndios. Empresas como British Airways, Avon, Hunter Douglas, NASA e McDonalds utilizaram a IA para promover mudanças organizacionais. No Brasil, a Nutrimental, a dona das barras de cereais Nutry, usou a IA para guiar seu planejamento estratégico nos últimos anos. Conseqüência disto: obteve um crescimento de 600% nos resultados e 75% de redução no absenteísmo.
A Investigação Apreciativa é realizada em quatro fases principais: Descoberta (discovery), Sonho (dream), Projeto (design) e Destino (destiny). Na fase da Descoberta, as pessoas que compõem a organização são entrevistadas e todas as estórias e casos de sucesso são registrados. A energia positiva dos sucessos alcançados no passado serve de inspiração para um planejamento futuro. Na fase do Sonho, as pessoas são convidadas livremente a pensar e imaginar como seria a sua organização “desejada”, como ela deveria se transformar, como seria o seu novo estilo de liderança, que recursos deveriam ser conseguidos?
Nas fases de Projeto e Destino são criadas estratégias para que os sonhos sejam colocados em prática, e em curto prazo, possam ser alcançados. Começa assim a revolução, uma re-construção organizacional A grande diferença em relação a outras formas de redesenhar um negócio está no sentimento das pessoas. Dificilmente executivos e gestores não saem de uma reunião de planejamento estratégico estressados, desgastados e até desmotivados. A metodologia IA proporciona aos participantes o contato direto com o sucesso, seja ele algo pertencente ao passado ou planejado a um futuro próximo.
O grau de motivação é alto, e ao final do processo, cada um leva para casa uma série de desafios. Vai dar muito trabalho? Claro que sim, entretanto, os esforços levarão as pessoas e a organização rumo ao melhor, perto de seu sonho. A Investigação Apreciativa é apontada hoje como uma das ferramentas de gestão organizacional mais inovadoras e desafiadoras, afinal o que é melhor: discutirmos os problemas e conflitos do passado ou sonhar livremente e praticar ações que nos levem a um sucesso e uma satisfação profissional? Pense nisto.

Renato Ricci é master coach executivo e membro do ICF-International Coach

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