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Na palma na mão

Banco da Patagônia usa plataforma de BI para lidar com 500 mil novos clientes com o mesmo nível de detalhamento de uma pequena instituição

Thais Aline Cerioni

16/01/2007 às 11h09

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Com cerca de 90 mil clientes, 33 agências e 40 caixas eletrônicos, não era difícil para a diretoria do argentino Banco da Patagônia manter um controle minucioso de suas operações sem a necessidade de sistemas sofisticados.  “Tínhamos um modelo de dados próprio que não era muito eficiente, mas era eficaz”, explica José Luiz Neve, gerente de planejamento e controle de gestão da instituição. Ele conta que as informações, muito detalhadas, eram geradas em banco de dados SQL Server e acessadas, por poucos usuários, por meio de planilhas do Microsoft Excel.
Apesar de rudimentar, o modelo funcionava satisfatoriamente até que, em 2003, o Banco da Patagônia se fundiu ao Sudameris. Então, a situação começou a complicar. O banco resultante da fusão tinha 600 mil clientes, 139 agências e 202 caixas eletrônicos – e culturas gerenciais totalmente distintas. Soma-se a isso o fato de que 85% dos clientes do Sudameris ficavam centralizados como clientes da unidade da capital.
Os desafios que surgiram não foram poucos. “Precisávamos descentralizar os clientes sem incomodá-los, suportar as fusões e migrações dos sistemas transacionais, permitir o acesso detalhado às informações, como tínhamos antes, a um número maior de usuários e incorporar novos negócios e um volume transacional muito maior”, conta o executivo. “E tínhamos de encontrar a solução imediatamente.”
Um investimento de US$ 200 mil foi necessário para solucionar o problema, com a substituição da base de dados por uma solução da Teradata, troca dos servidores por equipamentos NCR, aquisição de um modelo de dados financeiro e adoção da plataforma de business intelligence Microstrategy para exploração dos dados. A implementação levou seis meses e também foi um grande desafio, já que as diferenças culturais entre os bancos eram muitas e não havia homogeneidade das informações. “Além disso, fizemos da pior maneira possível, ou seja, tudo de uma vez”, relembra Neve.
O trabalho, entretanto, compensou. Graças ao modelo de tratamento e extração dos dados, a instituição financeira conseguiu reunir informações detalhadas dos 600 mil clientes – como dados demográficos e socioeconômicos, além de perfis comportamentais, como uso de caixa eletrônico, internet banking, pontualidade de pagamentos e hábitos e lugares de compras. “Agora, toda a organização comercial do banco está baseada no Microstrategy, já que os sistemas transacionais permanecem centralizados”, detalha o gerente, que destaca como principal benefício a possibilidade de manter o detalhamento das informações, mesmo com a estrutura muito maior. “Conseguimos ter visões detalhadas por produto, por cliente e radiografias das agências.”
Graças ao sistema baseado em Web, a nova arquitetura permitiu ainda a democratização das informações. Enquanto antes os dados eram acessados principalmente pelos acionistas do banco, hoje são cerca de 200 usuários espalhados por toda a instituição. “Agora, trabalhamos de maneira mais organizada e disciplinada”, avalia o executivo, contando que o retorno do investimento chegou em um ano. “Mas existem diversos benefícios intangíveis que não conseguimos medir, como a quantidade de novos clientes e novos negócios possibilitados pelo sistema.”

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