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O paradoxo do CIO

Como promover a inovação e o crescimento enquanto gerencia custos, compliance e riscos

Abbie Lundberg*

15/12/2006 às 16h25

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Os efeitos da economia globalizada continuam influenciando nossos mares corporativos, atingindo os barcos de todas as indústrias. Prova disso é que houve um aumento significativo no número de empresas classificadas pela Standard & Poor’s como de “alto risco”, passando de 35% em 1985 para 73% atualmente.
O que está acontecendo? Mudanças. Profundas mudanças. As novas tecnologias estão alterando a forma como as companhias fazem negócios, eliminando distâncias e digitalizando mais e mais produtos. É difícil encontrar uma empresa que não tenha passado por uma ruptura em seu modelo de negócio ou um executivo que não esteja sob pressão para inovar.
Exemplo: a Microsoft está prestes a lançar, o que seu COO, Kevin Turner, chama de “o maior investimento em pesquisa e desenvolvimento na história do negócio”: o Windows Vista. Mesmo assim, a atenção da companhia de Bill Gates está concentrada em outro lugar. Como escreve o autor de “Beyond Vista”, Ben Worthen, “o Vista não é parte de uma tendência de software como serviço e todo o auê em torno do seu lançamento mascara uma preocupação crescente dentro da companhia sobre como será o mercado de TI daqui a cinco anos. Software como serviço é uma ameaça como nunca houve e a Microsoft precisa mudar significativamente se pretende continuar sendo a empresa de tecnologia mais importante do mundo.”
O enigma para os CIOs, independente de sua área de negócio ser tecnologia, finanças, mídia ou varejo, é que a necessidade de mudança está acontecendo em um mundo radicalmente globalizado no qual os riscos se multiplicam exponencialmente.
Uma das minhas perguntas favoritas em nossa pesquisa anual “O estado do CIO” é “como a TI impactará o seu negócio no próximo ano?”. Tive uma prévia das respostas deste ano e vi um quadro de demandas concorrentes: inove e cresça, mas seja muito controlado quando o assunto é custo, risco, segurança e regulamentação. Gerenciar todas essas coisas enquanto impulsiona a inovação e o crescimento é como “assobiar e chupar cana”. Ninguém é capaz de fazer ao mesmo tempo.
O CEO do Gartner, Gene Hall, afirma que o número de CIOs demitidos está crescendo porque “muitos CEOs acreditam que seus CIOs são muito focados em custos e não são capazes de contribuir com o crescimento – e eles precisam desta contribuição de TI.” Na melhor das hipóteses, isto é irônico (já que até há pouco tempo CIOs eram demitidos porque gastavam demais); na pior das hipóteses, é uma falha clara dos CEOs, muitos dos quais ainda têm muita dificuldade em ser parceiros de seus CIOs na criação e gestão da agenda tecnológica da companhia.
Acusações a parte, será impossível para as organizações alcançar metas tão incongruentes.

*Abbie Lundberg é editora-chefe da CIO Magazine

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