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O que muda no mundo pós-SOA

A arquitetura orientada a serviços veio para ficar e terá repercussões no mercado de software na próxima década e adiante

Judith Hurwitz

31/10/2006 às 12h28

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Transito no mundo do software há mais tempo do que gostaria de admitir (Se eu contasse, revelaria minha idade.) Acompanhei o vai-e-vem de muitas tendências. Muitas inovações ocorreram, algumas delas resultando em produtos e empresas muito interessantes, que deixaram sua marca no mundo e depois desapareceram. O modelo consistente que observo é o avanço lento, nos últimos 20 anos, em direção à computação distribuída. O advento da arquitetura orientada a serviços (SOA) não é apenas outra moda passageira, um dentre tantos conjuntos de produtos e serviços. Acredito piamente que terá o mesmo impacto de longo alcance que a Internet teve quando surgiu como empreendimento comercial no início dos anos 90. Olhando retroativamente, muitas pessoas não tinham a menor idéia de como esta simpática tecnologia seria usada realmente no mundo comercial. Como se diz, o resto é história.
Penso que, assim como a Internet, a SOA terá suas próprias conseqüências imprevistas para o futuro da computação. A arquitetura orientada a serviços vai forçar uma mudança drástica no equilíbrio de poder no mundo do software, tanto do lado do fornecedor quanto do cliente. Por que esta declaração intempestiva? Para começar, pense nas implicações da SOA. O novo modelo representa uma mudança radical no modo como o software é criado, reutilizado, recombinado, gerenciado e vendido. Da perspectiva do cliente, a SOA põe o poder nas mãos do usuário de negócio.
O que pode mudar? Em primeiro lugar, com o correr do tempo, SOA vai nivelar o jogo. Hoje, os principais fornecedores disputam o controle sobre quem possui a infra-estrutura do cliente. Alguma empresa sairá vitoriosa? SAP, Oracle, HP, IBM, Microsoft, um player open-source como Jboss? Alguma delas conseguirá convencer clientes em número suficiente para poder ditar as regras? Talvez. Mas estou supondo um cenário diferente. Imagine chegarmos ao estágio em que os fornecedores vão convergir em torno de padrões codificados como XML e todas as suas variantes necessárias para criar este framework arquitetural altamente distribuído. Imagine também que existam bons adaptadores, capazes de permitir que todos os componentes de diversos ambientes conectem-se mais facilmente. E, por fim, imagine que os clientes querem mesmo é reutilizar seus ativos de software encapsulando-os de forma que sejam usados repetidamente para criar novas aplicações virtuais.
Se você acompanhar meu raciocínio, verá que SOA cria oportunidades interessantes. Veja algumas idéias que valem a pena considerar:

• Os clientes vão levar SOA a sério — não só como iniciativa tecnológica, mas também como estratégia de negócio — e demandar que líderes da indústria colaborem para facilitar o trabalho dos clientes.
• Vão surgir novos fornecedores capazes de capitalizar o trabalho realizado por líderes de infra-estrutura em torno de SOA para disponibilizar serviços comercializados que resolvam problemas específicos em mercados verticais específicos.
• Terá início a primeira era da industrialização de software. Os fornecedores vão começar a criar soluções modulares baseadas no modelo SOA para se encaixar em frameworks existentes (tais como os volantes que podem ser usados em 20 modelos de carro diferentes).
• A aplicação empacotada que tem sido o alicerce da indústria de software nos últimos 25 anos começa a se transformar nestes pacotes industriais. Daqui a uns 10 anos, o pacote de software tradicional vai desaparecer.
• SOA abre as portas de um novo mundo, onde “software como serviço” é a norma. Esta transição levará, no mínimo, algo entre 15 e 20 anos. Mas ela é real e terá um impacto surpreendente sobre a indústria inteira, desde modelos financeiros a fornecedores de hospedagem abrangentes.

Sei que é bastante informação para digerir. Muitas empresas estão tentando descobrir se SOA é para valer ou uma moda passageira. Teremos no termo arquitetura orientada a serviços um elemento crítico do futuro ou ele será desbancado por novas balas de prata? Se prestarmos atenção à história da indústria de informática, não surpreende que as pessoas fiquem apreensivas. Como já observamos, tendências vêm e vão rapidamente. Prevejo que esta, porém, é real. E aqui vai meu alerta: não se trata de um simples “jeitinho”. Na verdade, estamos testemunhando o início de uma grande tendência de mercado que terá repercussões no mercado de software na próxima década e adiante.

Judith Hurwit é presidente da empresa de consultoria e pesquisa Hurwitz and Associates.

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