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Uma Boa Notícia

No futuro, parte da responsabilidade sobre a tecnologia e seu impacto nos negócios estará nas mãos dos usuários. Cabe ao CIO mostrar à sua equipe que isto é positivo

Susan Cramm

27/10/2006 às 11h41

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Uma das funções fundamentais de um líder é pintar o quadro de um futuro positivo, empolgante, ligado às preocupações emocionais de seus liderados. É uma tarefa especialmente crítica para os CIOs, à medida que a pressão sobre seus departamentos se intensifica com uma demanda incessante do negócio, paralela à determinação para que TI controle custos. Contribuem para aumentar as exigências sobre a equipe do CIO a sofisticação técnica crescente de seus parceiros de negócio internos, concorrência maior de fornecedores de serviços externos e tendência mais forte à “comoditização” de processos de TI, trabalhos e software.
Mark Walton, ex-correspondente da CNN na Casa Branca, escreve em seu livro Generating Buy-In: Mastering the Language of Leadership: “as histórias são a linguagem da nossa mente”. Segundo Walton, as histórias que têm impacto mais profundo sobre nosso pensamento, nossas emoções e, no fim das contas, sobre nossas ações são aquelas que projetam um futuro positivo. O desafio é unir os pontos entre o futuro que você quer e o futuro que seu público-alvo deseja. Para isso, você deve:
1) ser claro quanto ao que você quer que seu público-alvo faça;
2) descrever o futuro positivo que você quer que seu público-alvo veja;
3) ilustrar o modo como este futuro vai satisfazer as necessidades, os desejos e as metas do público-alvo;
4) pedir que haja comprometimento e que sejam dados os primeiros passos para a viabilização do futuro que você deseja.
Creio piamente que TI está entrando em um novo estágio de amadurecimento no qual os profissionais terão mais facilidade para realizar seu trabalho sem o temor, a sobrecarga e a confusão existentes hoje.

CAMINHOS TORTUOSOS PARA O ALINHAMENTO
Tecnologia sempre foi uma profissão difícil. No início, os parceiros de negócio eram totalmente dependentes de TI, que, na realidade, pouco podia fazer devido às limitações tecnológicas e à necessidade de se concentrar em fornecer sistemas de transações básicas. À medida que os micros e a computação cliente/servidor se tornaram predominantes, os parceiros de negócio, frustrados, tentaram suprir suas próprias necessidades utilizando "ferramentas do usuário final" sem a coordenação ou o envolvimento de especialistas. Então, TI se viu no papel de lutar pelo controle de sistemas (e profissionais) que passaram a ser críticos para a corporação ou ser responsabilizada por projetos e sistemas com mau desempenho. Quando a promessa da internet e os temores do bug do ano 2000 geraram uma demanda sem precedentes, a organização de TI e seu budget incharam. Não por coincidência, foram implementados sistemas, como ERP, que ainda não estavam prontos e acabaram sobrecarregando as capacidades e as finanças da organização. Em conseqüência, TI teve a reputação afetada na corporação e foi obrigada a recuar para tentar descobrir como poderia satisfazer as demandas do negócio. Mas, mesmo durante este recuo, a importância de gerenciar TI como um ativo e uma capacidade corporativos se tornou óbvia para todas as camadas da organização, resultando em formas saudáveis de interdependência (isto é, governança, processos e funções) que espelhavam práticas encontradas em áreas mais amadurecidas do negócio.
No futuro, as relações serão moldadas de modo que TI não mais seja responsável por fornecer tecnologia da informação enquanto o negócio apenas aguarda para avaliar o resultado. Neste futuro, a área de tecnologia terá a responsabilidade de garantir que as condições técnicas estejam de acordo e o negócio será responsável por implementar a tecnologia para aprimorar seu desempenho. É o que chamo de “TI capacitadora”. Requer a criação de relações, funções, processos e uma infra-estrutura que ajude o negócio a satisfazer suas necessidades diárias sem o envolvimento dos profissionais de tecnologia. Mais explicitamente, TI:
• facilita a tomada de decisão apropriada para proteger os interesses da empresa;
• define dados, serviços corporativos, diretrizes arquiteturais e padrões de tecnologia para coordenar as atividades da empresa;
• desenvolve infra-estrutura capacitadora, ferramentas, processos e recursos de suporte;
• educa e treina usuários. Fornece recursos para que o negócio gerencie projetos e mudança, determine a funcionalidade necessária e desenvolva e implemente sistemas;
• fornece recursos e serviços de desenvolvimento e operacionais sob demanda — pessoal e tecnologia — em parceria com fornecedores externos.
No futuro, os profissionais de TI serão especialistas em inovação, combinando experiência em tecnologia, conhecimento de negócio, técnica de gestão e capacidade de relacionamento. Aqueles com orientação técnica mais forte estarão concentrados em definir arquitetura e projetar e desenvolver infra-estrutura e plataformas capacitadoras. Profissionais mais voltados para o negócio vão focar em colaboração com o negócio nas áreas de estratégia, governança e entrega de projeto e serviço. Indivíduos mais centrados em gestão irão especializar-se em supervisionar desenvolvimento de tecnologia, entrega de serviço e operacional, gestão de recursos e gestão de risco.

A HISTÓRIA QUE VOCÊ CONTA
O modelo de TI capacitadora vai abordar as preocupações dos profissionais da área com segurança no trabalho, hierarquia de habilidades técnicas e enxugamento de recursos. Inegavelmente, tarefas “commodity” serão terceirizadas. Mas cargos e funções que envolvem inovação permanecerão dentro da organização, porque demandam a capacidade de entender as ligações não só entre tecnologia, dados e processos de negócio, mas também entre pessoas e o modo como o trabalho é feito naquela companhia. Neste bravo mundo novo, a influência de TI na empresa vai aumentar. Paradoxalmente, ao ceder o controle sobre a entrega dos recursos, o departamento de tecnologia vai ganhar autoridade, já que não pode mais ser vista como um gargalo para inovação. Além disso, com o negócio realizando o esforço de desenvolvimento cotidiano - e pagando por ele -, grande parte da demanda variável será externa ao departamento de TI, possibilitando que a área planeje seu trabalho e garanta recursos financeiros adequados.
Tudo isso significa que haverá uma demanda excepcional por especialistas em inovação. Esta demanda só será satisfeita se profissionais talentosos que estão em atuação hoje adotarem o aprendizado vitalício como mantra. O aprendizado pode ocorrer no trabalho e, em alguns casos, na sala de aula. Agora, mais do que nunca, os profissionais de TI precisam olhar no espelho com atenção, avaliar seus conjuntos de habilidades e, só então, perseguir as oportunidades de aprendizado que vão expandir suas capacidades. A desaceleração projetada do crescimento de mão-de-obra vai beneficiar os profissionais que possuem habilidades especializadas em inovação.
O futuro de TI na sua organização (e o futuro que você mesmo terá nela) depende da capacidade de contar sua história para a equipe e fazer com que a empresa adote este modelo. Se a companhia ainda não entendeu que o sacrifício de hoje representa o ganho de amanhã, dedique-se a escrever sua história. Ela vai garantir que o potencial de TI finalmente será concretizado e que a equipe terá os melhores cargos na empresa.

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