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A serviço da inovação

Cecília Shea, CIO mundial da GE para as áreas comercial e de supply chain, conta como a tecnologia vem sendo usada como um diferencial competitivo para a gigante

Thais Aline Cerioni

03/10/2006 às 11h41

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Muito mais do que apenas mais uma buzzword, para a área de tecnologia da GE Plastics a inovação é um objetivo constante. De acordo com a CIO mundial da companhia para as áreas comercial e de supply chain, Cecília Shea, sua missão como líder da área de tecnologia da informação é dar à GE Plastics condições de oferecer produtos e serviços que permitam aos seus clientes inovar. “Eles querem se diferenciar em seus mercados. E nós oferecemos produtos para isso”, garante a executiva, que cita como exemplo a resina usada no design dos iMacs, desenvolvida pela GE.
O olhar estratégico de Cecília – que fala dos negócios antes de citar qualquer iniciativa de tecnologia – torna prática a teoria de que os projetos de TI devem, sempre, estar intimamente ligados aos objetivos da corporação. A postura deve-se, em parte, à formação da executiva que, depois de oito anos como desenvolvedora de aplicações e suporte, foi para uma área de negócios, antes de voltar para TI em posições mais estratégicas. “Eu sempre digo à minha equipe que é extremamente importante conhecer o negócio. Só assim é possível decidir quais projetos realmente merecem prioridade em vez de simplesmente ouvir o usuário que grita mais alto”, afirma a CIO.
Essa é a tônica dos principais projetos da área de TI da GE nos últimos meses. Com dois objetivos muito claros nas pontas – aumentar significativamente as vendas via web e possibilitar máxima eficiência da força de vendas –, a equipe de tecnologia vem trabalhando na remodelagem de processos e da arquitetura global dos sistemas. “Estamos eliminando muitas ferramentas, reduzindo o ciclo dos processos”, conta a CIO.
Encontrar o melhor modelo para sistemas e processos é um trabalho de toda a equipe de Cecília – ou seja, de profissionais de TI da GE do mundo todo. Isto, entretanto, não significa que as decisões são tomadas de forma emocional ou intuitiva. O uso de metodologias (como a 6 Sigma, no caso dos processos, e a Lean, na cadeia de valor) para mapear e estruturar os processos é a chave, segundo a executiva, para evitar os conflitos de vaidades.
No final de setembro, Cecília concluiu o projeto “same meeting”. Com duração de cerca de seis meses, a iniciativa visa possibilitar que os vendedores da GE tenham acesso a qualquer informação atualizada sobre a companhia e seus produtos, em ambiente web – ou seja, a qualquer momento, por meio de qualquer dispositivo. “O grande desafio vem sendo aproveitar os sistemas já existentes, que não foram desenhados para essa resposta instantânea”, explica.
Com grande parte das vendas feitas via web, o Brasil lidera a iniciativa de comércio eletrônico da GE Plastics globalmente. Mas a intenção da companhia é elevar o volume de vendas eletrônicas em todo o mundo. Assim, outro projeto de extrema importância para a área de TI da companhia é chamado de “touchless order”.
Como o nome diz, a iniciativa tem como objetivo possibilitar a realização de um ciclo completo de compra sem a necessidade de intervenção humana. “Este é um caso em que o sistema muda o jogo”, avalia Cecília. Segundo ela, a conclusão do projeto, prevista para o ano que vem, reduzirá o tempo de entrega dos produtos, além de oferecer informações (de prazo, por exemplo) mais confiáveis aos clientes. Na opinião da CIO, um típico exemplo de como a inovação no processo tem potencial para se transformar em diferencial competitivo para a companhia.
Para chegar ao nirvana do supply chain, a GE está trabalhando na otimização de cerca de 250 sistemas, além de ter que repensar centenas de processos envolvidos. Os desafios, além da integração tecnológica, passam pela uniformização dos produtos em todo o mundo (e a apresentação exata de suas características na Web) e pela criação de ferramentas que simulem a negociação de compra. Outro desafio está na gestão das pessoas envolvidas. Para minimizar o impacto, profissionais que antes participavam do processo de vendas respondendo às questões dos clientes foram remanejados para posições ativas. "Assim, eles sentem que estão contribuindo com a empresa e ganhando. E apostam mais no projeto", garante a executiva.

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