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O futuro do BI

Howard Dresner, o ‘pai do BI’, fala sobre a evolução das ferramentas de business intelligence e explica o que falta para a disseminação desse tipo de tecnologia

China Martens, do IDG News Service

26/09/2006 às 16h33

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Os softwares de business intelligence estão evoluindo para se tornar soluções de gestão de performance corporativa, combinando ferramentas de planejamento, orçamento, geração de relatórios e benchmark. Enquanto isso, fatores culturais ainda são os principais obstáculos para sua adoção na maior parte das corporações.
Esta é a visão de Howard Dresner, conhecido como o “pai do BI” desde que cunhou o termo “business intelligence” em 1989, quando era analista no Gartner. Na época, a indústria de software falava em acrônimos como DSS (decision support system) e EIS (executive information system), e o executivo estava em busca de uma frase que elevasse o debate sobre aqueles termos e definisse melhor as ferramentas que possibilitavam o acesso a informações quantitativas e análises das mesmas por uma grande variedade de usuários.
Ele deixou o Gartner em 2005 e hoje é chief strategy officer da Hyperion, fornecedora especializada em soluções de business intelligence. Recentemente, Dresner conversou com o IDG News Services sobre a evolução da indústria de BI ao longo dos últimos 17 anos. Leia os destaques da entrevista.

IDG News Service: A maneira como se define BI hoje é diferente do que você pretendia originalmente?
Howard Dresner:
Um pouco. Mas sempre estamos falando de como entregar informações para os usuários sem que seja necessário ser um especialista em pesquisa operacional. Inicialmente, algumas companhias tentaram tornar o termo mais abrangente, incluindo conteúdo não-estruturado. Mas está claro que informações estruturadas trazem muito mais valor para o negócio do que tentar abraçar o mundo. O BI está no meio, os dados estruturados estão em uma ponta e os usuários estão na outra

IDGNS: A evolução da tecnologia da informação tornou mais fácil a adoção do BI?
Dresner:
Talvez. Talvez não. Na verdade, o valor que você extrai da ferramenta depende mais de como você trabalha as informações. Você certamente descobre que muitas ferramentas de BI são “shelfware” quando, depois de implementa-las, percebe que as pessoas simplesmente não utilizam. Normalmente, entregamos às pessoas um software de BI, um datawarehouse e rezamos. Isto não é suficiente. É preciso dar idéias às pessoas. Em vez de dizer apenas “aqui está a ferramenta, espero que você encontre uma utilidade para ela”, estamos pensando em como entregar informações úteis a cada um.Esta é uma das diferenças dos sistemas de CPM (corporate performance management). Eles são construídos em cima das plataformas de BI, mas vão além, porque também trazem capacidades operacionais e de planejamento. Por isso, CPM é o futuro, é o que o BI está se tornando.

IDGNS: O que vem segurando a adoção do BI?
Dresner: Tipicamente, não é a tecnologia que freia sua adoção, mas a cultura organizacional e corporativa. Tecnicamente, evoluímos muito. E se pudéssemos avançar o tempo e trazer para os dias de hoje os softwares de daqui a cinco anos, isso não alavancaria a adoção desse tipo de ferramenta. Você tem de passar por aquele nó cultural de “todo mundo sabe o que eu estou fazendo”. Se você tem transparência total com o BI, não há problema. A questão é ter transparência parcial. Gerentes de segundo-escalão estão preocupados em perder suas informações confidenciais e a habilidade de posicionar as informações no “melhor ângulo” para serem vistas pelos demais.

IDGNS: Como é a distribuição do uso de BI em termos de verticais do mercado? E geograficamente?
Dresner: O mercado financeiro é um dos mais fortes usuários, até porque não tem escolha. Provavelmente, 35% dos usuários de BI vêm deste segmento. A indústria de bens de consumo está logo atrás, seguida por companhias de varejo, manufatura e governo. Mas todas as áreas entendem que é importante. Educação e saúde também são setores interessados, mas que tem o problema de terem budgets de TI limitados. Geograficamente, as soluções de business intelligence estão muito bem estabelecidas e relativamente maduras na América do Norte, Europa Ocidental e Austrália. Os mercados emergentes são a Ásia, incluindo o Japão, e a América do Sul. A China é um mercado em crescimento, apesar de não estar muito acostumado e interessado em gastar dinheiro em BI. No entanto, isto deve mudar.
 
IDGNS: Como o BI deve evoluir?
Dresner: Os clientes querem comprar um portfolio de funcionalidades, e querem que seja algo fluido. Os web services e a SOA utilizam esses conceitos e por isso estão indo bem. Em relação ao BI, estamos vendo um ponto de inflexão no mercado e ouvindo, cada vez mais, sobre BI possibilitando iniciativas de gestão da performance corporativa.

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