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Casa de ferreiro…

De acordo com Martin Menard, diretor de TI da Intel, os desafios da área de tecnologia em uma empresa do ramo não são diferentes das demais. O importante é inovar e trazer valor para o negócio

Thais Aline Cerioni

26/09/2006 às 16h48

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É possível que, cada vez que você tenha de convencer o CEO da sua empresa sobre a importância de determinado projeto de TI, você se arrependa de não trabalhar em uma companhia do ramo. Na teoria, as empresas nas quais a tecnologia é core enxergam claramente seus benefícios e, conseqüentemente, qualquer projeto apresentado pelo CIO é facilmente aprovado.
Martin Menard, um dos diretores de TI da Intel, garante que, na prática, as coisas não funcionam exatamente dessa maneira. “A companhia tem uma cultura muito cética [em relação à tecnolgia]. Cada projeto precisa ter números que provem claramente seu retorno para ser aprovado”, conta o executivo. Para ele, independente do segmento de atuação da empresa, a missão da área de TI não muda: inovar e trazer valor para os negócios. “A criação de relacionamento com as áreas usuárias e a capacidade de entender seus problemas são pontos-chave”, pontua Menard.
A postura conservadora, entretanto, não impede a Intel de sair na frente. Tanto que um dos principais focos de investimento em 2006 é a adoção da arquitetura orientada a serviços (SOA). “Acreditamos que, com a SOA, tornaremos o desenvolvimento de aplicações mais rápido, ágil, eficiente e flexível”, avalia. Mesmo assim, o executivo considera a inovação um desafio. “90% dos profissionais de TI estão presos em manter o negócio funcionando. Ter tempo e dinheiro para gerar inovação é muito difícil.”
Como na maior parte das grandes empresas, os projetos mais importantes da Intel atualmente têm como objetivo a melhoria de processos e a redução de custos. Com investimento de cerca de 10 milhões de dólares, a virtualização do datacenter é uma das principais iniciativas em andamento, e tem como meta garantir que a infra-estrutura-estrutura seja usada de forma mais eficiente. “Acreditamos que, em quatro anos, teremos uma economia de 90 milhões de dólares”, prevê.
Menard revela ainda que a corporação vem investindo fortemente em ERP, com foco, neste momento, na área de supply chain. “Trata-se de um plano de três anos e ainda estamos no primeiro”, explica o executivo. Ele conta que os novos módulos e os novas regras implantadas no sistema de relacionamento com fornecedores já estão trazendo uma série de benefícios para a companhia.
Outra preocupação constante da área de tecnologia da Intel é o uso das tecnologias desenvolvidas pela própria companhia. “Somos os early adopters de nossos produtos”, diz Menard. Ele explica que a prática de ser ‘cobaia’ para as novidades da fornecedora visa a mostrar os resultados trazidos pelas tecnologias nas quais a empresa está investindo e, ao mesmo tempo, ajudar a identificar possíveis problemas. “O que funciona melhor é a nossa capacidade de usar os dados obtidos para mostrar o que a tecnologia trará.” Nesse sentido, o diretor cita o uso de notebooks em vez de desktops desde 1998 e a adoção cada vez mais forte de handhelds nos últimos sete anos, além de um novo projeto baseado em WiMax, na Ásia.

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