Home > Gestão

O Lego da infra-estrutura de TI

Inovar é uma questão de sobrevivência no mercado. As companhias precisam ser flexíveis, menos complexas e usar tecnologias que garantam menor custo de propriedade

Silvio Genesini*

21/09/2006 às 14h49

Foto:

(este artigo é parte da reportagem Inovar é preciso)

Sistemas de gestão que espelhem as melhores práticas do mercado é uma das tendências que está presente na pauta das empresas quando o assunto é TI (tecnologia da informação). Outro item prioritário é a segurança que sempre consome parte significativa dos orçamentos corporativos de tecnologia. O sistema operacional Linux também já é uma alternativa real nos servidores e o segmento não pára de crescer. Outra tendência que ganha terreno é a mudança na indústria de software com a chegada do software como serviço, também chamado de on demand, que possibilita  às empresas pagar um aluguel pela utilização do software.
Entre outros aspectos, a valorização do real contribui para que a tecnologia seja cada vez mais acessível, já que  as companhias podem  comprar tecnologia numa cotação favorável ao Brasil. Com isto, pequenas e médias empresas buscam a informatização como alternativa para aumentar a eficiência e reduzir custos. Não faltam ofertas e opções que atendam empresas de vários setores e tamanhos, incluindo  financiamentos atrativas.
Em meio a esse cenário, uma revolução silenciosa marca o terceiro ciclo do mercado de TI: SOA, ou arquitetura orientada a serviços, na tradução em português. O Goldman Sachs chamou-a “the next big thing”, após a proliferação dos computadores pessoais nos anos 80 e da explosão da internet a partir da década de 90. Trata-se de uma nova infra-estrutura que possibilitará um grande avanço da indústria de software.
Costumo chamá-la de lego do software para que todos possam entendê-la. Programas grandes e complexos, bastante utilizados pelas empresas, podem ser quebrados em pedaços e, essas peças, como num jogo de montar, são encaixadas e recombinadas. Essa arquitetura põe fim a um velho dilema da área de TI. E mais: estas peças podem ser alteradas rapidamente, já que aplicativos e sistemas disponibilizam serviços que, por sua vez, podem ser utilizados em qualquer novo sistema ou processo evitando a redundância.
Sai de cena a infra-estrutura complexa, a torre de Babel, que será substituída por um ambiente mais transparente no qual os sistemas conversam entre si. Outra vantagem é que essa arquitetura permite cortar gastos com manutenção de sistemas e aplicações para integração. A mudança para esse conceito é inevitável tanto para os usuários como para a indústria de software. A mágica da SOA é permitir a orquestração de componentes já existentes. Junto com este fenômeno virá o software como serviço  e o cliente pagará apenas pelo o que usa. Um sistema parecido com as tarifas de energia ou telefone. 
O mundo dos negócios demanda cada vez mais velocidade e nem sempre a infra-estrutura existente pode atender à demanda. Por isto, a arquitetura orientada a serviços tende a ganhar espaço. Por que é chamada de revolução silenciosa? Porque não é visível ao olho nú para os usuários nem fácil de explicar para a alta adimistração.  

++++

A chave da revolução silenciosa é uma palavra que costuma tirar o sonho do CIOs (Chief Information Officer, na sigla em inglês): integração. Juntar todos os elementos dispersos nas ilhas de informação ajuda as empresas a serem ágeis para posicionar-se em mercados competitivos, garantindo uma posição à frente da concorrência.
A tão sonhada integração é também sinônimo de economia para as empresas, cujos orçamentos de TI  tendem a ser melhor utilizados ano a ano. Nesse aspecto, SOA possibilita uma redução em até 30% nos gastos de TI, segundo o Gartner. Uma economia significativa que permitirá às empresas investir em novas tecnologias e dar espaço à inovação. Ou seja, sem sombra de dúvidas, uma arma importante para quem busca a competitividade. Para a consultoria Forrester Research, integrar os sistemas tem um valor estratégico para gerar vantagem competitiva, pois ajuda a cortar custos e garante agilidade. Mais flexível, as organizações ganharão rapidez na capacidade de inovar, encantando clientes e surpreendendo a concorrência. 
Ao longo dessas últimas décadas, a maioria das companhias desenvolveu aplicações  internas, ou implantou software integrados,  sem padronização que, originalmente, não foram projetados para “dialogar entre si”. Mas, o mundo globalizado exige que as companhias se conectem com seus fornecedores, parceiros, clientes, ou seja, à sua cadeia de valor, ao seu ecossistema. E a integração tem um papel fundamental para combater as ilhas tecnológicas, garantindo que informações estratégicas estejam, no momento certo, à mão de quem as necessita.
No universo corporativo, as empresas costumam ser conservadoras em relação a novas tecnologias e apostam em ferramentas de última geração, sendo que os projetos são avaliados cuidadosamente sob a ótica da relação custo-benefício. O papel dos fornecedores de tecnologia associa-se à simplificação do processo de implementação de novas tecnologias, sem que a mudança altere a rotina da empresa e que, cada vez mais, comprometa grande parte do seu orçamento.
Em resumo: inovar é uma questão de sobrevivência no mercado. As companhias precisam ser flexíveis, menos complexas e usar tecnologias que garantam menor custo de propriedade. Parece mágica, mas não é.  Pode parecer complicado, mas virá, como todos os grandes saltos em direção ao futuro.

* Silvio Genesini é presidente da Oracle do Brasil

Além da tecnologia, por Ítalo Flammia
Inovar: a força de uma organização, por Laércio Cezar
No papel de educadores, por Mauro Negrete
Valorize a tecnologia. Pense menos nela, por Roberto Agune
CIO, o agente da inovação, por Edson Fregni
A palavra de ordem é integração, por Letícia Costa
Informaticidade se escreve com "i", de inovação, por Sílvio Meira

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail