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Certificação, um diferencial competitivo

Uso pioneiro de certificação digital no Bank Boston em transações pela internet trouxe benefícios como a fidelização de clientes e maior prestígio da filial brasileira perante a corporação

Rachel Rubin

25/08/2006 às 18h27

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Enquanto 2006 tem sido considerado o ano da popularização da certificação digital no Brasil, por causa de iniciativas em massa como a Nota Fiscal Eletrônica - que reúne diversas empresas públicas e privadas para criar uma rede de informações - algumas instituições parecem estar preparadas para o que estava por vir há tempos. No ItaúBank (ex-BankBoston), certificação faz parte dos planos de TI há dez anos, quando a instituição começou a desenhar como seria o uso dessa tecnologia em determinadas transações eletrônicas com clientes pessoa física. “Na época não havia ainda um consenso, entre os bancos, em relação ao que usar para aumentar a segurança nas transações: certificação digital ainda estava num estágio imaturo”, revela Ângelo Fernandes, superintendente-executivo de soluções eletrônicas do banco.
Em 1997, o projeto já havia saído do papel e, quatro anos depois, as transações com certificação passaram a ser disponíveis também para clientes pessoa jurídica. “Não foi algo do dia para a noite: fomos aprendendo aos poucos a lidar com a tecnologia, fazendo a plataforma amadurecer, tornar-se estável e madura”, enfatiza o executivo.
Ainda em 2001, aconteceu o grande impulso para que a certificação fosse aplicada a outros produtos da casa: a Medida Provisória 2200, que legaliza transações via internet com certificação digital reconhecida pelo ICP Brasil. “A partir da MP não só tivemos a constatação de que estávamos no caminho certo como passamos a vislumbrar uma série de novas possibilidades de negócios”, conta Fernandes. “Partindo do fato de que muitos países ainda não adotaram uma legislação específica para o assunto, acabamos saindo na frente de outras filiais do banco no mundo, servindo como benchmark para a corporação.”
Outra vantagem era a de que o cliente passaria a se adaptar mais facilmente a mecanismos de autenticação, já que todos os outros bancos tenderiam a adotar a certificação digital como tecnologia única, de acordo com recomendação da própria Febraban (Federação Brasileira dos Bancos). Hoje, 100% das bases de clientes do ItaúBank (ex-Bank Boston), tanto PF quanto PJ, usam a internet com certificação digital, segundo o executivo.
A partida para novos negócios na instituição tendo como base o advento da certificação digital começou em 2003, com a criação de um dos primeiros sistemas para viabilizar a assinatura de contratos via internet. Com suporte do Comprova.com, portal de comprovação legal de transações eletrônicas e certificação digital, a equipe de TI iniciou a estratégia pelos contratos de câmbio: conforme a legislação brasileira, esse tipo de produto financeiro exige um contrato por operação, o que significava pelo menos dois dias para ficar pronto e muita burocracia até lá.
Hoje, segundo Fernandes, esse processo leva minutos para ser concluído. “Percebemos que a certificação passou a ser diferencial competitivo em muitas situações, já que a satisfação do cliente com a maior velocidade e acuracidade das transações aumentava cada vez mais. Ele se tornou mais fiel à instituição, concentrando mais negócios conosco”, diz. A tecnologia passou a ser aplicada em outros produtos. “10% dos contratos do banco são assinados via internet, o que significa 3,5 mil contratos por mês”, revela.
Outra aposta relacionada à maior autonomia dos clientes foi a liberação do acesso do office bank com o eCPF, em 2005, possibilitando aos clientes, com uma única senha, assinar todos os contratos. E quanto a novos desdobramentos do uso de certificação digital, considerando a compra do ItaúBank (ex-Bank Boston) pelo Itaú? “Ainda não trocamos figurinhas a respeito de certificação com a equipe do Itaú, porque é tudo muito recente ainda [referindo-se à fusão]. Mas a nossa orientação é de continuar acompanhando a evolução dessa tecnologia e pensar em novas formas de utilizá-la para agregar valor ao cliente”, assegura Fernandes. 

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