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O data center encolheu

Quando bem-feitas, iniciativas de consolidação e virtualização podem reduzir custos e melhorar o desempenho do parque computacional

Christopher Lindquist

08/08/2006 às 17h39

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Você pode estar instalando ferramentas de virtualização para que um servidor faça o trabalho de cinco. Você pode estar usando sistemas de gerenciamento de configuração para trocar aplicativos de uma máquina para outra, de acordo com a carga. Você pode simplesmente estar pensando em aposentar equipamentos antigos para rodar seus programas em sistemas multicore novos e mais eficientes. Mas, não importa qual são a sua estratégia, seus objetivos ou suas táticas, você ainda tem um problema. Como é que você vai descobrir o que pode ser consolidado?
Em ambientes grandes e dispersos, identificar as oportunidades de consolidação pode ser um trabalho que consumirá muito tempo e esforços de engenheiros e arquitetos de sistemas, os quais trabalhariam com todo tipo de ferramenta de gestão de ativos, monitoramento de rede, medição de desempenho ou qualquer outra tecnologia que permita descobrir quais pedaços de sua infra-estrutura de hardware e software estariam melhores em outros lugares.
Mas um novo segmento de produtos – às vezes chamados de ‘inteligência do data center’ outras de ‘ferramentas de gestão de consolidação’ – está chegando com a promessa de ajudar a automatizar o processo de consolidação, permitindo que os profissionais de maior valor na equipe de TI tenham mais tempo livre e, ao mesmo tempo, fornecendo os números de que o CIO pode precisara para justificar projetos de consolidação. E, enquanto essas ferramentas vêm principalmente de pequenos fornecedores, as grandes empresas de software trabalham para incluir funcionalidades desse tipo em suas suítes de gerenciamento.

Um caso de consolidação
A Bell Mobility, uma das maiores operadoras do Canadá, tinha um problema. Na realidade, tinha um problema atrás do outro. Recuperar alguns sistemas críticos podia levar horas, o que ocasionava a interrupção de alguns serviços e custava à companhia muito dinheiro – 2,1 milhões de dólares por dia, com a queda de um só sistema. Então, em 2005, a operadora iniciou um estudo para melhorar seus processos de disaster recovery. Uma das recomendações foi a consolidação de aplicações e servidores, para que assim fosse possível centralizar os esforços de recuperação. Como efeito colateral, aperfeiçoaria o uso dos servidores. No início do estudo, a Bell contou com o auxilio de uma consultoria que avaliou suas operações e deu sugestões de onde as consolidações fariam mais sentido. Michel Tremblay, gerente de engenharia de rede OSS da Bell, acredita que este é um bom caminho. “Se é você quem suporta aqueles sistemas, é difícil dizer ‘vou cortar meu sistema em tanto porcento’”, afirma o executivo. É mais provável, de acordo com Tremblay, que o pessoal interno de TI, que está envolvido com aqueles sistemas, diga ‘está funcionando, porque mexer?’.
Deixando de lado os benefícios ligados a distaster recovery, as estimativas mostram que ao consolidar seu parque de servidores em 25%, uma empresa consegue economizar 1,5 milhão de dólares em substituição de hardware nos próximos dois anos – sem contar custos de manutenção para sistemas descontinuados. Números como esses levaram a Bell a procurar uma ferramenta que ajudasse a identificar quais sistemas poderiam ser consolidados. Análises de capacidade e soluções de gestão de ativos poderiam fazer parte do trabalho, mas a operadora encontrou um produto, de um pequeno fornecedor, que parecia ter sido feito exatamente para resolver aquele problema.

Papo de ferramenta
Inicialmente, a Bell usou a ferramenta de inteligência para data center da startup Cirba puramente para fins de auditoria. Mas a Cirba acreditava que seu produto poderia também fazer análise e planejamento de capacidade. “Eles tiraram a ferramenta e quando trouxeram de volta ela podia realmente fazer isso”, garante Lou Fachin, analista de sistemas da Bell.
A Cirba afirmava que sua nova ferramenta poderia dar inteligência ao data center, ou seja, relatórios detalhados da utilização de ativos combinada a informações cruzadas sobre quais sistemas poderiam ser consolidados com base em fatores como versão do sistema operacional do servidor, porcentagem de uso, memória disponível e configurações de horário do relógio do sistema. O software gera relatórios que podem ajudar os usuários a identificar oportunidades de consolidação sem ter de partir para o método de tentativa e erro. “O sistema da Cirba nos deu alguns gráficos e métricas simples e fáceis de usar a respeito de utilização e compatibilidade”, Andi Mann, analista da consultoria de TI Enterprise Management Associates. “É possível conseguir algumas dessas informações com as soluções de gerenciamento da IBM ou da BMC, mas a Cirba oferece um tipo de ‘one-stop shop’ para essas funcionalidades específicas.”
De qualquer forma, ferramentas especializadas em consolidação não são uma necessidade, especialmente para pequenas empresas, conforme avalia o diretor de infra-estrutura da prestadora de serviços de marketing Parago, Michael Minichino. Ao longo de 2006, Minichino teve uma série de iniciativas de TI censurados por necessitarem de mais capacidade ou melhor aproveitamento de seu data center. Minichino ficou intrigado com as promessas da Sun em relação ao consumo e tamanho de seu novo rack, da série T2000, e decidiu experimentar.

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Ele não se preocupou em buscar uma ferramenta que o ajudasse a planejar a consolidação, com base nas informações fornecidas pela Sun, seus cálculos indicaram que ele deveria cortar dez servidores. Para os que pretendem seguir este caminho, a Sun oferece uma solução para download gratuito que calcula as necessidades de energia, resfriamento e espaço de seu data center após a consolidação. (A Sun fornece modelos para uso de seus próprios equipamentos e alguns de seus concorrentes, mas você também pode configurar a ferramenta)
 Grandes corporações, entretanto, devem ver nas ferramentas de consolidação uma maneira de economizar tempo e esforços. David O’Neill, diretor de TI da Boise State University, começou a usar um produto semelhante da startup nLayers. Antes, identificar ativos e conexões entre sistemas, seja para fins de auditoria ou solução de problemas, significava uma enorme demanda de energia de seus engenheiros de sistemas.  Com o software da nLayers, O’Neill passou a contar com as próprias máquinas para fazer o inventário, e dedicar seus engenheiros a tarefas mais importantes. A fornecedora afirma, ainda, que sua solução pode mapear as conexões entre sistemas e identificar servidores subutilizados. 
Se todas essas ferramentas soam para você como funções que deveriam fazer parte de um sistema maior de gestão de ativos, grandes fornecedores como a BMC e a IBM estão de olho em você.  A BMC afirma que já tem uma suíte de ferramentas capazes de fazer mapeamento de dispositivos, análise e monitoramento de desempenho, gestão de configurações e otimização do ambiente em produção. O que falta na solução, de acordo com Dave Wagner, diretor de soluções de gestão de capacidade e provisionamento da BMC, é uma interface simples que permita juntar todas essas operações. Entretanto, ele diz que os clientes podem esperar que os grandes fornecedores ampliem e melhorem suas linhas de produtos, enquanto os pequenos devem se consolidar ou cooperar para oferecer as soluções mais abrangentes que as grandes empresas precisam.

Quem está sendo servido?
Não importa o quanto essas ferramentas tornem-se inteligentes no que se refere à configuração técnica de sua infra-estrutura, elas nunca estarão aptas a prever os aspectos políticos e contratuais da consolidação.
Assim, uma sugestão: converse muito com os usuários dos servidores antes de absorver suas adoradas caixas e seus aplicativos em seu data center. Isto irá amenizar a mudança, ao mesmo tempo em que pode te ajudar a descobrir se existe alguma outra razão (regulatória ou de segurança, por exemplo) para deixar algum servidor, mesmo que subutilizado, exatamente onde ele está.
Também é válido notar que políticas internas devem ser o ultimo de seus obstáculos. “Normalmente, as dificuldades estão concentradas no relacionamento com fornecedores”, afirma Tremblay, da Bell. Ele conta que a telco descobriu um sistema de 19 servidores destinados a uma aplicação que, na realidade, precisava de apenas nove. Instalações ineficientes como esta devem passar a ser coisa do passado.  Segundo ele, a Bell criou uma política que examina os planos de arquitetura dos fornecedores antes de concordar com uma implementação. “Eles têm de começar a pensar em redesenhar o que estão vendendo, para tornar os sistemas mais eficientes”, diz Tremblay.
Se todas as organizações de TI fizerem o mesmo, sua próxima iniciativa de consolidação pode ser a última.

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