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Mais poder, menos gastos

Projetos de consolidação e uso de softwares de gerenciamento podem elevar o aproveitamento e reduzir os custos de manutenção de seus servidores

Thais Aline Cerioni

08/08/2006 às 17h03

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Marcos Pelaez, CIO da Companhia Siderúrgica Nacional, tinha um parque de 40 servidores RISC aonde rodavam todos os seus sistemas corporativos e um problema: o custo de manutenção estava tornando-se alto demais, ao mesmo tempo em que a capacidade de processamento começava a parecer insuficiente. Nesta situação, a consolidação lhe pareceu uma saída possível. A equipe interna de TI, com consultoria da IBM, iniciou um processo de identificação das oportunidades no ambiente.
Após dois anos de planejamento e seis meses de implementação, o resultado foi a troca de 40 servidores por dois, com redução dos custos de manutenção em 10% e 35% mais poder de processamento. “Além disso, ganhamos muito mais flexibilidade para alocar mais ou menos capacidade para determinadas aplicações e passamos a contar com a possibilidade de uma máquina assumir a função de outra em caso de falhas”, comemora Pelaez. Os efeitos colaterais do projeto foram redução do consumo de energia e economia de espaço no data center.
A CSN é mais uma grande empresa que viu na otimização de seu parque de hardware uma oportunidade de reduzir os custos mensais e, de quebra, melhorar o desempenho da infra-estrutura de tecnologia da informação. “Virtualização, simplificação, otimização e automação são fatores-chave para o sucesso da transformação do datacenter”, afirma Michelle Bailey, diretora de pesquisas do Enterprise Computing Group, da IDC. Por isso, o instituto acredita que, cada vez mais, os data centers serão mais consolidados, altamente utilizados, melhor desenhados e muito dinâmicos.
Bastante satisfeito com os resultados, Pelaez “recomendaria que todos fizessem mesmo”. Entretanto, destaca que a decisão depende da idade e do perfil do parque. Para ele, o momento ideal é quando o CIO percebe que precisa aumentar a capacidade de processamento e, ao mesmo tempo, está pagando muito caro pela manutenção. “Quando ele chega nesse ponto e faz a conta, fica óbvio”, garante.
Mas a consolidação de uma quantidade tão grande de servidores não é nada simples. Assim, como se trata de uma operação crítica, em operação contínua, todo o projeto teve um planejamento muito cuidadoso. “O momento mais delicado foi o startup, mas fizemos de forma gradual, rodando o novo e o antigo ao mesmo tempo, para minimizar o risco”, detalha o executivo. Desta forma, garantiram que a ‘virada’ não impactasse negativamente nos negócios.
Os bons resultados alcançados no ambiente RISC levaram o CIO a seguir a mesma linha no parque de servidores Intel, aonde roda correio eletrônico e aplicativos Web, entre outros. “É um projeto um pouco menor, mas a filosofia e os objetivos são exatamente os mesmos”, comenta. Em novembro, quando o projeto deve ser finalizado, serão quatro servidores em substituição aos 50 usados anteriormente, com aumento da performance e redução de custos.

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Se existem benefícios em relação ao custo e ao aproveitamento do poder de processamento das máquinas em modelos consolidados, isto deve-se muito ao aumento da capacidade de gerenciamento e da flexibilidade do ambiente. No caso da CSN, Pelaez conta que a gestão é feita com Tivoli, a solução de gestão de ativos da IBM, e que só necessita de intervenção humana quando é preciso fazer uma modificação muito grande no balanceamento de carga ou para ativar um novo processador. “Muito do que tinha de ser feito no trabalho ‘braçal’ passou a ser realizado pelo software”, comemora o executivo, que destaca os ganhos em gestão e em segurança. “Não tem ninguém mais feliz do que o pessoal da infra-estrutura.”
Ainda incipiente no mercado brasileiro, a consolidação de servidores pode ser considerada um dos estágios mais avançados de um projeto de otimização do uso da infra-estrutura. Antes dela, há outras etapas. Enquanto não chega ao ápice da consolidação, como a CSN, a Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul) apóia-se no uso de softwares de gerenciamento para melhorar o desempenho de suas máquinas.
Como prestadora de serviços de gerenciamento e administração de redes para empresas públicas e privadas de todo o estado, a companhia passou por um forte aumento no volume de negócios de 2000 até hoje, o que ocasionou uma explosão do número de máquinas – de 50 para 500. “Com isso, tornou-se um desafio gerenciar esse parque”, avalia Cláudio Fortes, gerente de projetos da Procergs. A solução encontrada pelo executivo foi usar o Unicenter, da CA, para gestão dos ativos. “Consigo manter o mesmo nível de serviço, com o mesmo numero de pessoas, em um parque 10 vezes maior”, garante.
Fortes, no entanto, não está satisfeito. Segundo ele, já houve uma redução no crescimento do número de servidores nos últimos dois anos. A consolidação é um plano permanente e o objetivo é chegar ao menor numero possível de servidores. “Manter o número de máquinas e aumentar o de serviços que rodam neles já seria muito bom”, pondera. 
Também é por meio de soluções de software que a Grendene gerencia e otimiza o uso de seus servidores. Ernani Toso, gerente de TI da companhia, conta que a consolidação está nos seus planos, mas que, atualmente, demandas por poder de processamento são respondidas com a compra de novos equipamentos.
Isto não significa, entretanto, que a infra-estrutura esteja fora de controle. O sistema OpMon, da Opservice, realiza o gerenciamento on-line dos servidores e de seus serviços, como consumo de memória, ocupação de área em disco e utilização de CPU. Com isso, a equipe de TI passa a ter um controle mais preciso na utilização dos recursos, além de poder ser proativa no caso de falhas. “Hoje, temos 1076 serviços sendo monitorados”, revela Toso.

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