Home > Gestão

Ambiente sob controle

Nem sempre centralização é sinal de retrocesso. Há casos em que a virtualização garante mais simplicidade para administração e redução de gastos

08/08/2006 às 17h18

Foto:

Enquanto em algumas empresas a principal causa das dores de cabeça do CIO são os servidores, em determinados segmentos, a natureza dos negócios torna o parque de PCs um problema muito maior para a gestão de TI. Em casos assim, um pouco de conservadorismo pode ser a postura inovadora esperada do líder de TI. A centralização trazida pela virtualização pode ser alternativa interessante para reduzir os custos e a complexidade de manutenção.
Com 22 lojas, a rede de materiais de construção Telhanorte viu no uso de thin clients uma alternativa econômica à substituição dos terminais burros por desktops tradicionais. “Se tivéssemos usado PCs, certamente já estaríamos com problemas de manutenção”, acredita Hamilton Rodrigues, gerente de TI da empresa.
Os antigos terminais “burros” eram usados para acessar o sistema de gestão de loja e tinham, em média, 35 usuários por unidade. A primeira idéia foi substituí-los por desktops. “O problema é que seriam 700 micros, mais 700 licenças de sistema, 700 sistemas operacionais e manutenção para 700 maquinas dando problemas”, calcula o gerente. “Vimos que passaríamos a ter custo de manutenção muito alto, o que não existia com o terminal burro, que não tinha nada instalado.”
“Burros, mas com tecnologia de desktops”, nas palavras de Rodrigues, os thin clients conquistaram o executivo. Hoje, são 700 thin clients Tecnworld que acessam o servidor Unix aonde roda o sistema de loja. “Thin client também da manutenção de hardware, claro, mas você tira, coloca outro, e seu usuário continua trabalhando enquanto esta em manutenção”, compara.
O passo seguinte vem sendo a virtualização do ambiente. Rodrigues está trocando o sistema que atende as lojas e preparando a infra-estrutura. Então, quando o novo sistema entrar no ar – daqui aproximadamente um ano –, deverá ser acessado por meio da solução Metaframe, da Citrix. “Hoje, cerca de 150 profissionais têm acesso ao Citrix, por meio do qual utilizam outro sistema, o Intercommerce”, explica o gerente.
Funcionários da área administrativa que atualmente usam PCs porque precisam de funcionalidades específicas para ter acesso a sistemas como o SAP, por exemplo, também devem ganhar máquinas virtuais em breve. Os planos da companhia prevêem o uso do Virtual Desktop, também da Citrix, para esses cerca de 300 profissionais. Outros sistemas, como supply chain, também deve ser virtualizados. “Farei sempre o possível para manter essa estrutura centralizada, instalada no servidor.”
A necessidade de atualizar o parque também foi a razão que levou o Grupo Paquetá, varejista de calçados com 3000 colaboradores 120 lojas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Ceará, Pernambuco e Rio de Janeiro, a apostar na virtualização. O uso de aplicações cada vez mais pesadas tornou-se incompatível com os equipamentos defasados que utilizava. Em vez de investir aproximadamente R$ 500 mil em novos desktops, comprou 400 licenças da solução de virtualização da Citrix e concentrou o poder de processamento em dez servidores onde os aplicativos passaram a rodar. “Os PCs não foram desativados, mas passaram a apenas acessar as aplicações instaladas no servidor”, detalha o gerente de TI, Jocemar Schmitt.
Os resultados foram mais tempo de vida aos computadores, além de mais segurança e ganho de simplicidade para o gerenciamento de hardware e software. “O maior desafio foi questão de centralizar toda a estrutura de TI. Mas os usuários aceitaram muito bem, o que foi uma grande vantagem do projeto”, garante.
A situação é semelhante na Grendene, aonde o ERP com interface Web – que roda nos servidores de aplicação – faz com que não haja necessidade de grande capacidade de processamento nas pontas e permite o aumento do tempo de vida das estações de trabalho para cerca de oito anos. “Isso faz com que aproveitemos ao máximo nossos equipamentos”, comenta Ernani Toso, gerente de TI da empresa.
Para controlar o uso do parque de desktops, Toso utiliza o software Trauma Zero, da iVirtua. Assim, automatiza processos que demandariam investimento de tempo e de dinheiro se fossem feitos pessoalmente, como inventario de software e hardware e suporte, ao mesmo em que pode gerir o ambiente de forma mais eficiente, já que passa a ter informações detalhadas a partir da monitoração de performance. “Dados como esse orientam os upgrades de equipamentos”, conclui.

Matérias relacionadas:
Mais poder, menos gastos
O data center encolheu

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail