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Armazenamento inteligente

Já considerada uma das principais prioridades dos CIOs, gerenciamento de storage mobiliza áreas de TI e fornecedores

Rachel Rubin

05/06/2006 às 12h21

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Fusões, volume crescente de dados, adequação a rígidas regulamentações que exigem armazenamento de conteúdo por longos períodos: cada vez mais as empresas tomam consciência de que precisam não apenas guardar seus dados mas também gerenciá-los de forma que consigam acessá-los de forma rápida, segura e econômica. Nesse contexto, conceitos como virtualização e arquitetura de storage em rede, que visam ao maior planejamento dos dados armazenados, ganham espaço.“A segunda prioridade na agenda do CIO é virtualização de dados, vindo só atrás de segurança”, conta Ione de Almeida Coco, vice-presidente do Gartner Group. E, segundo a IDC, a demanda mundial por arquitetura de storage em rede explodirá: ferramentas para NAS (network attached storage) e SAN (storage area networks) devem crescer 62% anualmente até 2008, ante o crescimento atual de 28% para DAS (direct-attached storage). 
Uma questão urgente que leva ao aumento da demanda por soluções inteligentes de storage é a necessidade de adequação a regulamentações como Sarbanes-Oxley Act (SOX). A SOX exige um esquema de arquivamento que garanta a autenticidade dos dados para prováveis auditorias. De acordo com João Carlos Lopes, gerente de marketing de storage da HP, do ponto de vista da gestão documental, um dos pilares da transparência, ainda não existe mobilização significativa. “Todo mundo se concentra no mapeamento de processos, em fechar as torneiras de riscos. Poucas mobilizam TI para preservar a informação, ter uma política de e-mails. Os e-mails assinados por executivos, por exemplo, são considerados documentos válidos para as auditorias.”
Para as empresas, detalhes como manter fitas digitais e discos óticos empilhados em salas de arquivamento externo é cada vez mais dispendioso. Além disso, essas mídias degradam num período de aproximadamente dez anos. Um dos caminhos mais seguros para o arquivamento a longo prazo seria migrar dados continuamente de uma mídia e uma aplicação para outra durante todo o tempo de vida dos dados, aconselha a Storage Networking Industry Association (SNIA), que busca resolver o que chama de "dilema do arquivo de 100 anos" com uma iniciativa de padrões para mídia. 
CIOs que já se preparam para SOX devem buscar elaborar a classificação de dados de acordo com sua importância, o que pode reduzir bastante o custo dos sistemas. Além da categorização, especialistas aconselham criar políticas sobre quais dados serão preservados e por quanto tempo, e estabelecer um caminho de migração para seus dados, ou seja, não atualizando aleatoriamente.
Em busca de um ambiente de armazenamento mais inteligente que leve em conta ainda as plataformas heterogêneas resultantes de movimentos de aquisições e upgrades, os CIOs buscam atender às novas demandas tecnológicas com a maior simplicidade possível. A Universidade Metodista de São Paulo, por exemplo, melhorou o gerenciamento de espaço dos servidores de arquivos para que os dados acadêmicos sejam acessados facilmente pelos mais de 18 mil alunos. A partir do aumento e da atualização de sua infra-estrutura tecnológica, a instituição adotou a solução Thunder 9570 de storage da Hitachi, fornecida pela integradora F9C Global Security, com distribuição pela MUDE.
Com a solução integrada, a universidade pôde disponibilizar os principais sistemas num único ambiente de armazenamento, além de permitir fácil gerenciamento e alta disponibilidade dos sistemas, conta Maurício Pelanda, gerente de telecomunicações da universidade. Para Paulo Rodrigues, administrador Web da Metodista, o storage é a base para a replicação e convergência do ambiente de educação à distância da instituição.

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A oferta de soluções de storage integra cada vez mais as diferentes plataformas de armazenamento de dados com servidores, software e serviços, consideradas pelas fornecedoras os motores de investimento no que se refere a armazenamento. Tudo para extrair mais valor da informação com menor custo de investimento, dentro dos conceitos de ILM-Information Lifecycle Management, ou gerenciamento do ciclo de vida da informação.
Nesse contexto, uma das tendências já bem conhecidas dos CIOs é a de soluções como virtualização, citada no início dessa reportagem e segunda prioridade na agenda dos CIOs neste ano (segundo o Gartner). É um conceito que promete fazer a gestão centralizada de todo o storage, melhorar o acesso de usuários às aplicações, reduzir custos de treinamento, facilitar a administração, reduzir custos de storage físico, eliminar o downtime, conferir maior escalabilidade e alocar capacidade sob demanda.
Marcos Caldas, CIO da Sadia, sabe disso. Ele conta que a virtualização faz parte de sua estratégia de excelência operacional em TI e de governança. “A Sadia está expandindo mundialmente e precisa ter uma base muito segura para isso, com alta disponibilidade e performance”, afirma o executivo, que já trabalha há meses na adequação à SOX.
Do outro lado do balcão, players como EMC, Hitachi, HP e IBM passam por uma fase agitada. Quase todas seguem o caminho da convergência de sistemas de processamento de dados e de armazenamento de dados. 
A EMC, por exemplo, conta com o Invista, uma plataforma de virtualização em rede SAN (Storage Area Network). O sistema integra hardware e software dentro de uma arquitetura denominada out-of-band, que coloca a inteligência de virtualização na rede de armazenamento - e não dentro dos dispositivos ou arrays - para eliminar impactos sobre a performance do servidor ou da aplicação. Além de proporcionar essa migração, cópia e réplica de dados em múltiplos sistemas de armazenamento heterogêneo, o Invista visa a reduzir o tempo gasto pelos administradores de storage. Outra solução é a Rainfinity Global File Virtualization, que aproveita o poder de virtualização de NAS para ajudar a gerenciar mais dados com menos recursos. Como é sabido, para chegar à vasta oferta, a empresa foi às compras: VMWare, Legato, Rainfinity, Documentum, Dantz,  Smarts.
Já a Hitachi Data Systems investiu na arquitetura para virtualização do ambiente de armazenamento multi-fornecedor. De seu portifólio fazem parte, por exemplo, a plataforma Universal Storage Platform Hitachi TagmaStore® e o software HiCommand® Tiered Storage Manager, que permitem mover dados dinamicamente entre camadas de armazenamento e gerenciar todos eles em uma única interface. Para fazer armazenamento de segundo nível a baixo custo, é possível usar o sistema de armazenamento modular de grupo de trabalho Hitachi Thunder 9520V™ baseado em SATA ou qualquer outro armazenamento de terceiros suportado pela Universal Storage Platform.
A HP também incluiu em seu portfólio várias linhas de soluções contemplando o gerenciamento do ciclo de vida da informação, tais como virtualização via software no servidor, interna no disk array, em rede SAN (Storage Area Network) de alta performance e ainda através de grid computing.
No caso da IBM, a linha de virtualização é representada por produtos como o SAN File Systems e o SAN Volume Controller, que trabalham em uma camada entre os servidores de aplicação e a SAN. A IBM até definiu um vice-presidente para a área de virtualização em novembro passado, Richard Lechner, que deve supervisionar os esforços da companhia no segmento.

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A NetApp, por sua vez, conta com o NetApp Information Lifecycle Management (ILM), que gerencia dados segundo o conceito de gerenciamento do ciclo de vida da informação e atendendo a requisitos como acessibilidade, proteção de dados (backup, disaster recovery) e retenção de dados (compliance, dentre outros). As iniciativas da Netapp têm como meta aumentar sua participação de mercado, para se aproximar de concorrentes como EMC, HP e IBM, que hoje lideram o mercado de storage para plataformas baseadas em códigos abertos. Recentemente, adquiriu empresas como a Spinaker (de diagnóstico de storage) e a Decru (fabricante de software para encriptação de dados).
Quem também deve marcar presença nesse mercado é a Cisco. No fim do mês passado, a empresa anunciou um investimento de 11 milhões de dólares em um fundo de ações da NeoPath, empresa de virtualização de arquivos e storage. Há um ano, a Cisco comprou a fabricante de switches para servidores de virtualização Top Spin e a fornecedora de Wide-area file services (WAFS), Actona. Em 2005, a companhia lançou uma linha de switch de armazenamento MDS 9500, que traz potencialidades de virtualização da IBM, da EMC e da Veritas.
A Sun Microsystems, após a aquisição da StorageTek, divulgou que sua estratégia de armazenamento tem como objetivo simplificar o processo e tornar o acesso e gerenciamento mais fácil e inteligente, contando com quatro fases: gerenciamento de identidade, virtualização, segurança e sistemas abertos e integráveis. Entre os lançamentos estão o Sun StorageTek 5320 NAS Appliance, a nova versão do Sun StorageTek Virtual Storage Manager (VSM) e o Sun StorageTek Enterprise Storage Manager (ESM). Além disso, a companhia lança serviços como o novo Sun Service for Managed Operations for Storage, o Information Management Maturity Model (IM3) e várias otimizações para o Sistema Operacional Solaris 10.
E a Symantec, ainda mais conhecida por suas soluções anti-vírus, espera crescer até 30% no Brasil em 2007 com o novo portifólio montado a partir de diversas aquisições – dentre elas da Veritas, agora estruturado de acordo com as aplicações das soluções. As soluções estão divididas em seis frentes: gerência de ameaças, compliance, mensageria, backup e infra-estrutura, gerenciamento de storage e servidores, e gestão de datacenter.
Segundo a IDC, o faturamento total dos sistemas de armazenamento atingiu 5,8 bilhões de dólares, crescimento de 6,7% em comparação ao ano anterior.

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