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Chat com Gustavo Mazzariol, CIO do Metrô-SP

Um dos pioneiros no Brasil no uso do open source em aplicações corporativas, Mazzariol conta para os internautas como foi a experiência, além de outras histórias sobre como inovar e alinhar TI ao negócio mesmo contando com um baixo orçamento

30/05/2006 às 17h01

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Gustavo Celso de Queiroz Mazzariol, CIO do Metrô-SP, abriu precedentes na história da tecnologia da informação no Brasil.
Até hoje, a implementação de open source no Metrô-SP, em 1998, é considerada referência e Mazzariol é convidado a ministrar palestras sobre essa experiência. Além de atender às necessidades dos usuários, a adoção do software livre gerou uma economia média anual dos custos de TI de 3 milhões de reais na companhia.
Por isso, Mazzariol foi o convidado do chat promovido pela revista CIO, no endereço do Bate Papo UOL, no dia 1º de junho, às 18h.
Antes de se tornar CIO, o executivo formado em engenharia trabalhou nas áreas de engenharia e operações do Metrô, onde está há 32 anos.
Além do case de sucesso, Mazzariol também irá conversar sobre como alinhar a TI aos negócios, inovando mesmo contando com baixos orçamentos.

Abaixo, a íntegra do chat:

Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Gustavo Celso Mazzariol, que dá dicas de como alinhar a TI aos negócios. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.
 
(06:03:57) Revista CIO: Boa tarde a todos. Fiquem à vontade para fazer perguntas ao Gustavo, um dos pioneiros no uso de software livre em ambiente corporativo no Brasil

(06:11:04) TCio fala para Gustavo: Como foi tomar a decisão de passar a usar software livre? Quais os principais benefícios da iniciativa?

(06:14:40) Gustavo: Para falar a verdade quando começamos a conhecer e utilizar SW Livre nem sabíamos exatamente onde estávamos entrando. Foi uma descoberta interessante e motivante. A cada momento descobríamos um mundo novo e tínhamos mais motivo a continuar.

(06:14:41) Marcos fala para Gustavo: por que o software Linux ainda não é aceito em muitas empresas?

(06:16:52) Gustavo: O grande problema de aceitação do SW Livre, e o Linux é um deles, é a questão cultural, o medo do novo. Você conhece algo do tipo: "não comi e não gostei!" do tipo: "não quero nem experimentar?" Quebrar paradigmas é fundamental.

(06:16:56) só eu fala para Gustavo: Qual a sua estratégia para otimizar o orçamento de TI disponivel?

(06:21:40) Gustavo: Temos obtido o máximo com nosso orçamento de TI pelo uso combinado de SW Livre e soluções proprietárias, sempre procurando um equilíbrio entre as reais necessidades e seus custos. Não gastar desnecessariamente. Não utilizar ferramentas de porte inadequado ao que realmente precisamos. Por exemplo, utilizamos o OpenOffice corporativamente e ele se mostra plenamente adequado às necessidades do dia-a-dia. Poderíamos usar o MS-Office mas estaríamos gastando R$1,4milhões ao ano, sem reais necessidades. Tenho algo melhor a fazer com esse dinheiro.

(06:21:43) Ivo fala para Gustavo: vc teve alguma pressão da Microsoft para desistir do projeto?

(06:24:27) Gustavo: Pressão não é a palavra certa. Houve várias "sugestões", visitas, "ofertas especiais" etc. Mas conseguimos sobreviver a todas. Sempre que as propostas ficavam mais efusivas eu mostrava internamente o quanto custaria a mudança de rumo e daí a conclusão sempre ficava no mesmo caminho que estávamos.

(06:24:30) infotech fala para Gustavo: Qual o impacto da expansão das linhas do Metrô no dia-a-dia da área de TI da companhia?

(06:27:40) Gustavo: A área de TI também participa do dia-a-dia operacional. Temos sistemas gerenciando a manutenção, as atividades operacionais etc. A expansão é salutar e a informatização fundamental para mantermos nossos custos controlados. A expansão das linhas trás novos gastos, novas responsabilidades, mas nem sempre novas receitas. Daí a importância em cada vez se gastar melhor os recursos que temos.

(06:27:44) Guima pergunta para Gustavo: Quais os principais problemas com o uso de SW Livre?

(06:33:59) Gustavo: O SW LIVRE ainda é novidade para muita gente. Ele está maduro, mas ainda tem de ser mais conhecido.

(06:34:06) julia fala para Gustavo: Você tem formação técnica ou de negócios? Como você vê a tendência de pessoas de negócios no comando das áreas de TI?

(06:36:31) Gustavo: Eu sou engenheiro eletricista/eletrônico mas cada ano que passa viro menos engenheiro e mais administrador de gente e de negócios. A vantagem que tenho é que estou na área de TI há 14 anos e há 32 anos participo do "negócio" Metrô-SP... já trabalhei em diversas áreas e aí fica mais fácil saber como as coisas funcionam.....

(06:36:33) ncam fala para Gustavo: Como o Metro (o CEO da empresa, no caso) mede o desempenho da área de TI? Ou seja, como você é avaliado?

(06:37:54) Ivo fala para Gustavo: qual foi o ganho real com software livre?

(06:38:01) Gustavo: Somos avaliados pelo desempenho global da empresa. Tem de existir uma harmonia geral e o usuário final (nosso público) deve estar contente e satisfeito com o serviço que prestamos.

(06:40:07) Gustavo: Em termos de $$$$ estamos economizando da ordem de R$3milhões por ano, que reaplicamos em outras necessidades de TI. Todos lucram sem abrir mão de qualidade ou de segurança. Precisaríamos um orçamento quase 30% maisor que hoje se quiséssemos fazer tudo igualzinho só com SW proprietário.

(06:40:08) Silvia fala para Gustavo: E sabido que os custos em treinamento com SW livre acaba equalizando os custos com os sw da Microsoft. Procede?

(06:42:55) Gustavo: Negativo. Nossa experiência mostra que gastamos basicamente a mesma coisa e às vezes até menos. E não temos gastos com licenças... Daí é lucro na certa. Vide relatório comparativo de custos no site: www.relogiodaeconomia.sp.gov.br/metro

(06:43:02) Valério Maoli fala para Gustavo: qual sua opinião sobre gerenciamento de projetos e quais as ferramentas que a Cia. do Metropolitano utiliza no dia-a-dia?

(06:45:11) Gustavo: Estamos avaliando várias ferramentas tanto proprietárias como livres. Já usamos algumas. A solução GANTTProject é livre e bem interessante

(06:45:12) Rainsiberg fala para Gustavo: Gustavo, atualmente está mais facil para o CFO enxergar o valor agregado de TI ou isso ainda é um desafio para os CIO's?

 (06:47:13) Gustavo: Ainda é um desafio. Em todas as empresas a área de TI está mais para área de despesas do que para de resultados.... MAS isto está mudando quando se vislumbra que TI traz produtividade e resultados melhores...

 (06:47:21) ncam fala para Gustavo: mas não há um método formal de medir os resultados de TI?

 (06:48:53) Gustavo: Métricas existem mas o que realmente impera é a qualidade dos resultados e eles ficarem dentro dos orçamentos disponíveis. Haja criatividade...

(06:48:59) Ton fala para Gustavo: Que tipo de solução e ou serviços você considera inviável a opção por SW livre ?

 (06:51:41) Gustavo: Se uma solução pode ser obtida por SW proprietário também pode ser obtida por SW livre. A questão hoje é que não existem soluções em SW livre para tudo e possivelmente não teremos isso a curto prazo. Daí a necessidade de uso equilibrado e sensato dos 2 mundos, de modo compartilhado...

(06:51:47) Luiz Farias fala para Gustavo: Olá Gustavo. Concordo plenamente com vc. É verdade que o SW vem crescendo e ganhando força no mercado corporativo. Chegando até a extrapolar a nível de servidores chegando aos desktops. Como vc vê está crescente evolução do SW, inclusive com suas diversas distros, cada uma com suas ferramentas de interação com os usuários finais, cada vez mais próximas das interfaces e funcionalidades da MS ? Vc acredita que isto tambem poderá chegar as fábricas de softwares ? Produzindo sistemas antes direcionados aos ambientes MS agora para os SW ?

(06:55:35) Gustavo: Nossa solução para Linux no desktop tem uma interface gráfica muito parecida com o Windows... Para migrar o sistema operacional fica muito simples. O usuário nem sente muita diferença. Não gosto muito de ter distros personalizadas por empresas. O melhor é pegar uma do mercado e trabalhar na camada de interface gráfica. Já existem fábricas de SW livre e funcionam bem, utilizando inclusive ferramentas e padrões abertos e livres.

(06:55:41) asol fala para Gustavo: Gustavo: Há algumas empresas do governo adotando plataformas de código-aberto, mas estas empresas não tem preocupação em ter "vantagem competitiva" (não há um competidor para o metrô em SP). Mas qual a motivação que você vê para uma empresa privada buscando vantagens competitivas adotar código-aberto?

(06:59:58) Gustavo: O Metrô-SP também compete no mercado. Temos de prestar um serviço adequado para sobreviver. Podemos competir até com nós mesmos, sendo melhores, mais eficientes e viáveis a cada ano. No mundo das empresas privadas também há competição e cada centavo poupado pode ser a diferença entre sobreviver e vencer ou deixar de existir. Economizar na empresa privada é essencial para baratear seus custos e assim otimizar valor de seus produtos no mercado.

(07:00:04) IT manager fala para Gustavo: Depois de 32 anos no metro e 14 em TI, quais os próximos passos que você imagina na sua carreira?

 (07:03:33) Gustavo: O desafio é contínuo. Sou movido por desafios. Vim para nesta área de TI para criar novos caminhos nesta área do Metrô... Deu certo. Continuo pronto par outros desafios, mas ainda há muito a fazer por aqui e dentro desta comunidade de SW Livre e novos empreendimentos que está crescendo...

(07:03:39) Pedro fala para Gustavo: Eu vivenciei uma implantação de sistema numa empresa e o valor inicial da implantação quadruplicou, pelo fato de o empresário não saber o que pedir por ser um leigo na TI, os analistas faziam o q ele queria sabendo que ia dar errado e cobrava para fazer correções. O empresário corre o risco de se tornar refém dos analistas, na implantação da TI?

(07:06:27) Gustavo: Quando não se tem planejamento adequado os riscos crescem e os custos idem. Quem é leigo em algo deve se apoiar em pessoas competentes e de confiança. Nenhum empresário precisa saber de tudo e muito menos ser especialistas em TI, mas de modo algum podem ficar alheios a TI, que cada vez está mais integrada em nossas vias. Administrar é saber usar bem o conhecimento dos subordinados.

(07:06:27) elaine fala para Gustavo: Quais as atribuições do depto. TI do metrô, vocês desenvolvem os aplicativos (e quais aplicativos são necessários ao metrô?) ou usam ERP? E na sala de comando de operações são aplicações insourcing ou outsourcing?

 (07:10:06) Gustavo: O nosso negócio é transportar gente. Procuramos terceirizar tudo que podemos e temos que ser mais analistas de negócio do que desenvolvedores de soluções. O mercado tem as soluções e precisamos é saber contratá-las adequadamente. O Metrô é uma Cia como qualquer outra que tem de gerir seus processos, seus custos, seu pessoal. Ferramentas de apoio a isso tem no mercado. Se, por outro lado, nosso negócio exige algo especial, desenvolvemos com nossos braços e de nossos parceiros contratados.

(07:10:12) Danilo fala para Gustavo: Quando falamos de Governança e SOA, que são os assuntos do momento, como você consegue enxergar o SW livre, haja visto que se precisa sair da infra para se preocupar com Seviços.???

(07:13:18) Gustavo: Nós já nos preocupamos com serviços desde o início do Metrô. Sempre tivemos por objetivo prestar um serviço de excelência apoiados em ferramentas, produtos de qualidade diferenciada. Usar SW livre ajuda nos processos de Governança visto que permitem se investir mais no serviço do que nas licenças....

(07:12:35) Revista CIO: CIO agradece a participação de Gustavo Mazzariol e de todos os internautas. Confira a íntegra do chat em www.cio.com.br

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