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A conquista da serenidade

Aprenda a se vacinar contra estresse e esgotamento depois que você entender a diferença entre eles

Steven Berglas

03/04/2006 às 15h12

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CIO pode significar “Career Is Over”, ou seja, fim da carreira. O gaiato que cunhou este acrônimo, sem dúvida, referia-se ao esgotamento que acompanha o cargo de CIO e ao subseqüente breve exercício da função. Não falo sobre as dificuldades inerentes a design de sistema, desenvolvimento ou operações do data center, mas do pesar de trabalhar sem ser notado e valorizado até algo dar errado. É quando o CIO tem que explicar a executivos seniores que a empresa está sendo debilitada por sistemas envelhecidos, o motivo pelo qual o equipamento precisa ser aperfeiçoado ou substituído e por que gastar dinheiro em TI é um fato da vida no século 21.
E, ainda que os executivos consigam ouvir e entender as más notícias, o CIO está sujeito a ser demitido quando o problema não pode ser resolvido com velocidade suficiente ou a tecnologia não pode ser alinhada com metas corporativas dentro de um budget imposto arbitrariamente.
Esse é o nosso mundo e, dada a sua natureza de pressão incessante, provavelmente em alguma hora você vai sofrer um estresse considerável ou mesmo um esgotamento. Por isso, é fundamental saber a diferença entre os dois.

Jogando lenha na fogueira

Todo mundo sabe que trabalhar demais é estressante e pode levar ao esgotamento. Mas CIOs em postos de alta gerência também podem sofrer esgotamento se não estiverem fazendo nada além de observar as divisões que eles criaram se auto-administrar! Chamo este estado de estar entediado de “esgotamento supernova”. Por mais estranho que possa parecer para alguém que trabalha até a exaustão, não fazer nada — pelo menos nada intelectualmente desafiador — pode ser tão nocivo para sua saúde mental quanto trabalhar 14 horas por dia como uma mula. 
Se você não sabe a diferença entre estresse e esgotamento, o perigo é acabar jogando lenha na fogueira. Por exemplo, intervenções que são “apenas o que médico ordenou” para aliviar o estresse podem exacerbar a sensação de esgotamento. O CIO que está sofrendo de “esgotamento supernova”, termo que cunhei para descrever quem alcançou o sucesso (exercendo uma função crítica na liderança de uma empresa, por exemplo), precisa de novos desafios.
Mandá-lo para um resort para três semanas de ociosidade é roubar-lhe o que ele precisa: um desafio saudável. Provavelmente vai deixá-lo maluco. Por outro lado, a mula que está trabalhando 14 horas por dia e não tem controle sobre o que faz precisa descansar e relaxar um pouco.

O bom e o mau estresse 

Estresse é uma palavra freqüentemente mal-utilizada. Em engenharia, refere-se a uma força aplicada a uma estrutura, uma ponte ou um material como o concreto, que causa alteração (deformação ou rachadura) na integridade do material. Isso sugeriria que o estresse psicológico é uma força furtiva fora de nós, algo que teria um efeito uniformemente adverso sobre quem quer que entrasse em contato com ele.
Na realidade, o estresse psicológico existe quase que inteiramente aos olhos do espectador. As pessoas só vão sofrer de estresse quando se defrontarem com algo que lhes pareça uma ameaça de afetá-los de uma maneira física ou psicológica. Quanto a mim, sinto-me ameaçado (e estressado) ante a idéia de ficar no topo de uma montanha gelada sobre duas ripas de fibra de vidro contemplando o que terei que fazer para chegar lá embaixo. Obviamente, quem gosta de esquiar acha excitante. Os psicólogos chamam esta excitação por estar no topo de uma montanha contemplando a rápida descida de “eustress”, o bom estresse que as pessoas sentem quando enfrentam e superam desafios.
Ajudo meus clientes a entender o estresse citando um fantástico pensador, Epicteto, que formulou seu pensamento em 40 depois de Cristo: “Os homens são perturbados não pelas coisas, mas pelas visões que têm delas.” O que Epicteto não sabia era que existe um fator que regula a probabilidade de nossas visões das coisas resultarem em sensação de estresse. Os psicólogos chamam de “controle percebido”.  Ele é percebido, em vez de ser real, porque você não precisa estar no controle, você só precisa acreditar que está, para que opere milagres.
Voltemos à montanha. Considero esquiar estressante porque não sei esquiar. Por outro lado, sei lutar boxe. Portanto, subiria em um ringue feliz da vida com praticamente qualquer um. Para a maioria das pessoas, isso seria estressante, mas me percebo no controle quando estou lutando boxe e por isso não fico estressado.

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