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A conquista da serenidade – parte 3

Como evitar o esgotamento e tratar o estresse

Steven Berglas

03/04/2006 às 15h28

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Como se vacinar contra o esgotamento: nenhum CIO sofre de esgotamento se acorda de manhã com metas claras e atingíveis. O que os CIOs têm que fazer é dividir o trabalho em componentes e nomear subdiretores para cada departamento que reporta a eles. Isso ajuda a acabar com a ambigüidade — e torna mais óbvio o valor do trabalho. Ao nomear um CTO que reporta a você e supervisiona o planejamento de TI, você pode explicar o que está sendo supervisionado. Da mesma forma, ter um diretor de operações de TI a postos para que você não seja arrancado de uma reunião do board da próxima vez que houver alguma confusão permite que o mundo saiba que você é mais do que um técnico.
Você pode dizer “Fulano é o meu encarregado para colapsos no sistema”. Outra coisa a fazer é divulgar que você não pode trabalhar sem departamentos. Se você perceber a proximidade de uma demanda, uma nova e potencial fonte de estresse, do tipo: “Jacobs, meu colega da Systek está terceirizando suas funções de TI offshore, você pode ver isso?”, não se esqueça de responder: “Vamos precisar de um departamento de Emprego no Exterior, dadas as questões legais, econômicas e governamentais envolvidas. Se você falar com Kane, de RH, terei prazer em cuidar disso”.
Como tratar o estresse do CIO: pelo que conheço dos CIOs, os que sofrem de estresse hoje provavelmente acreditam que deveriam ter mais controle do que realmente têm. Esta crença, com freqüência, origina-se da pressão auto-imposta para legitimar sua função. Muitos CIOs acham que, se não forem Super-Homens — se não conseguirem fazer o que lhe é pedido — vão colocar em risco, de alguma forma, o status do seu departamento. Bobagem. Lou Gerstner caiu de pára-quedas na IBM e ganhou pontos dizendo: “Ei, sou um gerente brilhante, mas não entendo de computadores”.
Roberto Goizueta (ex-CEO da Coca-Cola) conquistou respeito quando declarou: “O lançamento da New Coke foi um grande desastre, culpa minha, sinto muito!” Vulnerabilidade pode ser um sinal de força. Bravata é sinal de machismo infantil. Se mais CIOs pedissem ajuda, dessem poderes à sua equipe e aumentassem a eficiência do trabalho, seus departamentos prosperariam. E ficaria provado que eles são líderes fantásticos.

Em terra de cego quem tem um olho é rei

Talvez você se pergunte: “Cadê aquele exercício anti-estresse de apertar a bola?” ou “Que tal me aproximar mais da minha equipe para acabar com o esgotamento?” Estresse e esgotamento não são tratados com “brinquedos” ou intervenções do tipo “reparo rápido”. Estratégias traçadas para situações específicas através de uma análise profunda de sua situação funcionam melhor.
Não é só pisar em ovos que deixa você angustiado. Afinal, a maioria dos CIOs é capaz de resolver os problemas que são convocados a abordar. O que o irrita é não ser compreendido a tempo de resolver estes problemas ou, se o fizer, não ser visto como herói. Mesmo que você escape de ser demitido, talvez prefira encerrar sua carreira a viver com a Espada de Dâmocles sobre sua cabeça o tempo todo. Mas se você disser a si mesmo que em terra de cego quem tem um olho é rei, que o cego vai acabar valorizando-o e que, durante alguns dias, você não vai se matar para satisfazer todas as demandas que lhe foram impingidas e permitirá que o cego dê de cara na parede e sofra contusões, você está superando o problema. Sem apertar bolas, sem truques, só com o que disse Epicteto: uma visão diferente.

* Dr. Steven Berglas, psiquiatra, é consultor e treinador de executivos em Los Angeles. Trabalhou durante 25 anos na Harvard Medical School. Seu livro mais recente é Reclaiming the Fire: How Successful People Overcome Outbreak.

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