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A nova onda de telefonia IP

Devido ao alto custo dos equipamentos, as aplicações possibilitadas pela telefonia IP não convencem CIOs com facilidade

Thaís A. Cerioni

20/03/2006 às 15h15

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Assim como aconteceu com os serviços de VoIP, também vem do início da década a oferta de telefonia IP – uso de PABX IP combinado ou não ao uso de terminais telefônicos IP. No entanto, o alto custo dos equipamentos e a necessidade de se substituir toda a infra-estrutura de telefonia corporativa retardaram o desenvolvimento da tecnologia.
Para impulsionar o crescimento, a estratégia dos fornecedores de equipamentos foi apostar nos benefícios adicionais da telefonia IP. A unificação das comunicações – telefone, e-mail e instant messengers em uma só plataforma – e, principalmente, a mobilidade são alguns dos argumentos que vêm sendo usados pelos fabricantes desde o ano passado. Mas a chamada “era das aplicações” ainda não é realidade no Brasil. Enquanto em mercado como Estados Unidos e Europa as empresas buscam cada vez mais os benefícios não-mensuráveis da telefonia IP quando iniciam seus projetos, aqui, o que determina a adoção é, principalmente, a redução de custos.
Foi com esse objetivo que a RR Donnelley Moore decidiu, em 2005, substituir o PABX tradicional que tinha na sede, em Osasco (SP), por um equipamento híbrido fornecido pela NEC. Marco Misurini, gerente-executivo de TI da companhia, explica que a meta da implementação foi integrar à rede corporativa os consultores de vendas que trabalham no esquema de home office e sites menores aonde não se justificariam investimentos em infra-estrutura cara.
Como a adoção está baseada apenas no uso de softphones, os executivos que viajam constantemente e usam notebook também devem ser beneficiados. “Como já tínhamos a infra-estrutura montada para a primeira solução, devemos ter uma redução de custos de 15%”, prevê o executivo. Ele revela ainda que, por usar os equipamentos em regime de aluguel, o retorno sobre o investimento deve acontecer em quatro meses. A decisão de não usar telefones IP físicos deve-se, segundo Misurini, ao preço dos equipamentos. “É uma bela tecnologia, mas ainda é muito cara”, afirma. Em sua opinião, a telefonia IP ainda está em maturação em termos de custo.
A indústria assume que o executivo tem razão. Tadeu Viana, diretor de desenvolvimento de produtos para o mercado corporativo da Siemens, afirma que a demora na adoção de telefonia IP no Brasil deve-se muito à grande diferença de preço dos aparelhos em relação aos analógicos. Apesar disso, a fornecedora garante que vem observando crescimento de 10% ao mês na venda de terminais IP, o que cria a expectativa de que a receita gerada por esses produtos em 2006 seja três vezes maior que a de 2005. “Isto significa que haverá ganho de escala e, conseqüentemente, queda de preços”, prevê Viana.
Independente dos aspectos financeiros, às vezes, uma necessidade de negócio específica pode motivar o uso desse tipo de solução. A implementação de telefonia IP na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa), por exemplo, seguiu um caminho inusitado. Em busca de uma tecnologia atual para gravação de ligações, a empresa percebeu que a adoção de telefonia IP faria todo sentido. Então, em 2005, adquiriu um gateway IP da Cisco que, por meio do software Call Manager (também Cisco), hoje faz a comunicação entre os 175 ramais IP e os cerca de 600 ramais tradicionais do PABX Philips, que foi mantido. Deodoro Bruzzadin, gerente técnico da Bovespa, explica que o projeto inicial levou a telefonia IP a 50 ramais e que, em 2006, está sendo ampliado para outros 125 ramais.
“Os principais benefícios estão relacionados à gravação. O novo sistema tem maior capacidade,  administração facilitada e muito mais flexibilidade, já que as gravações passam a ser tratadas como arquivos”, comemora. Ele detalha que o sistema de gravação é independente da solução de telefonia IP, e é fornecido pela Witness.
O gerente afirma que, pelo menos por enquanto, não há planos de aproveitar as outras funcionalidades da telefonia IP. Já a expansão da tecnologia para os demais funcionários é algo que deve acontecer. “Levar para todos é uma evolução natural. A infra-estrutura está pronta, basta adequar as licenças de software e substituir os equipamentos.”

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