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Mais confidente e menos controlador

CIO publica com exclusividade um trecho do novo livro de James C. Hunter, “The World’s Most Powerful Leadership Principle”, previsto para chegar ao Brasil no primeiro semestre de 2006

James C. Hunter

18/01/2006 às 16h05

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“Não consigo entender por que tantos líderes não compreendem a máxima de que “se você der às pessoas o que elas querem, elas vão te dar tudo o que você precisa”. Nossa liderança será definida não pelo que realizamos, mas pelo que realizamos através dos outros...
Você acredita nisso? Acredita que plantamos o que colhemos?
Talvez você seja descrente porque sabe que as pessoas, às vezes, não respeitam a autoridade – o que é verdade. Em meus seminários, costumo citar que cerca de 10% das pessoas que você lidera não só não irão respeitá-lo como tentarão sabotá-lo em tudo o que tentar construir. Há gente má por aí. Se você tem ilusões em relação a isso, o atentado de 11 de Setembro acaba com elas.
Mas por favor, tenha cuidado em ser descrente e cínico por causa dessas más pessoas. Conheci muitos gerentes que foram atingidos por gente pertencente a esses 10% e começaram a repetir por aí: “você não pode confiar em ninguém nunca mais” ou “as pessoas não são motivadas por muito tempo” ou “esses jovens não sabem o que é lealdade”. É uma vergonha que a maioria das organizações planeje políticas, posturas e manuais intermináveis visando àqueles 10% que não deveriam estar lá de qualquer maneira.
Meu conselho às minhas platéias é que, se elas têm na equipe alguém que pertença ao grupo dos 10%, demitam o mais rápido possível. Um dos meus CEOs favoritos, que segue a filosofia do líder servidor, gosta de contar que quando despede alguém assim diz “eu te amo e vou sentir sua falta”.
Mesmo na sua casa, se o seu filho pega o carro e o cartão de crédito da família toda sexta-feira à noite sem permissão, chega uma hora que você tem de dizer: “você não vai morar muito tempo aqui, filho”.
Essa atitude vem de um amor rígido, que, conforme minha experiência, não está presente na maioria das organizações hoje.    

Não sou Madre Teresa.
Um dos perigos em citar exemplos históricos e muitas vezes dramáticos de grandes autoridades é que as pessoas podem rapidamente chegar à conclusão que, como obviamente elas nunca vão aspirar a níveis tão elevados de bondade, para que chegar ao ponto de tentar?
Em meus seminários, quando menciono os grandes líderes do passado, frequentemente me deparo com questões como:  “o que preciso faze? Morrer por minha gente como Jesus?  Passar fome como Gandhi? Sou apenas um supervisor da Sears. Dê um tempo!”
Minha resposta é geralmente essa:
“Uso exemplos dramáticos da História para chamar a atenção das pessoas. A boa notícia é que quando nos doamos, sacrificamos e servimos o outro, construímos autoridade e passamos a exercer influência. Ninguém pede a ninguém para morrer no escritório. Mas como se doar para ganhar a admiração das pessoas? Talvez precisemos sacrificar um pouco mais de nosso tempo para ouvi-las. Que tal tentar ser mais confidente e menos controlador? Talvez possamos dar uma mãozinha e ajudar as pessoas para que elas dêem o melhor de si”.  

Leia entrevista com James C. Hunter, autor do trecho acima

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