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Como evitar confrontos

Executivos de TI são de Marte e os de negócios são de Saturno. Entenda como eles podem passar a se ver olho-no-olho

Mark Goulston

12/01/2006 às 12h29

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"Faça isso, faça aquilo, faça já, não quero ouvir desculpas.”
Você já ouviu estas palavras de seu CEO ou outro CXO, explícita ou implicitamente, exigindo que corrigisse ou implementasse algo? Eles acham que é só uma questão de girar um botão, mas ali está você, à beira de um grande projeto, e eles nem querem ouvir falar. A empreitada vai consumir um drástico realocamento de pessoal, talvez necessite de dinheiro que o CFO se ressente de gastar e poderá demandar o que eles menos querem lhe dar: cooperação e paciência.
Antes de se sentir uma vítima (embora seja, até certo ponto) e piorar muito as coisas agindo como vítima, respire fundo e leia atentamente o que está escrito a seguir. Se você é um profissional de TI, existem três coisas sobre você que provavelmente são verdadeiras:
1. Você se sente melhor com coisas e informações do que com pessoas (principalmente onde confrontações são necessárias);
2. Em relação à tecnologia, você é igualmente focado no que é preciso para fazer TI funcionar e no que TI pode fazer para o negócio.
3. Provavelmente você é do sexo masculino.
Agora considere muitos executivos-chave de negócios, especialmente aqueles com background em marketing e vendas:
1. Eles preferem trabalhar com pessoas e informação do que com coisas (Jack Welch disse: “Eu tinha medo da internet...porque não sabia digitar”);
2. Em relação à tecnologia, eles são mais focados no que querem que TI faça do que no que precisa ser feito para que TI funcione.
3. Provavelmente, são, sobretudo, homens.
Qual é o significado de ambos serem do sexo masculino? Os homens fazem qualquer coisa para evitar a humilhação. É aquela coisa do “orgulho”. (Mulheres sofrem menos disso porque qualquer sentimento de orgulho, em geral, é abafado pelo modo como seus filhos as tratam todo dia.) Os homens se sentem humilhados quando se acham incompetentes e farão praticamente qualquer coisa para impedir que esta sensação de incompetência seja exposta à luz do dia a outros e a si mesmos.
A zona de conforto dos homens é diretamente proporcional à sua zona de competência. Quanto menos competentes se sentem, mais desconfortáveis. Ninguém (CEO, CFO, COO ou CIO) gosta de ser retirado de sua zona de conforto, e resistirá com unhas e dentes. Ao invés de se sentir tranqüilizado pela competência de outro indivíduo, os homens, com freqüência, sentem-se sem controle e à mercê da pessoa mais competente. Isso é especialmente verdadeiro para um CEO que maltratou um CIO e agora precisa da ajuda dele.
Os executivos de negócio resistem a serem dragados para sua área de incompetência, o mundo das “coisas”. Os tecnólogos resistem a serem dragados para sua área de incompetência, o mundo das “pessoas” (em especial, pessoas em conflito). E eis o atrito para muitos CIOs: os executivos de negócio sentem-se à vontade para lidar com conflito interpessoal e confrontação (afinal, suas habilidades de negociação os ajudaram a chegar onde estão), enquanto que a maioria dos CIOs se sente esmagados em tais ambientes.
Assim, quando um executivo de negócio exige de você que algo seja feito, e seja feito já, você fica transfixado como um cervo sob a luz de um farol. Quando eles fulminam você com tudo que desejam, depois rechaçam quando você começa a explicar o que precisa obter deles (tempo, dinheiro e paciência) para que o trabalho seja realizado, você se frustra. Não, isso está suave demais — você fica amedrontado. Você fica enfurecido.
Você teima em resistir à tempestade e evita uma resposta irada (que seria ao mesmo tempo um alívio e o fim da sua carreira) a este cretino que passou do respeito à sua dignidade ao abuso e que culpa você caso não satisfaça as expectativas irreais dele. Se você fosse um disco rígido, pifaria. O que deve fazer um indivíduo de modos moderados como você, do tipo “deixe-me executar o trabalho que querem que eu execute e saia de cima de mim”?

* Mark Goulston, MD, especializado em resolver problemas de negócio aplicando inteligência emocional. É autor do livro recém-lançado Get Out of Your Own Way at Work and Help Others Do the Same (Putnam 2005).

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