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Liderança no exterior

Mauro Pinto, novo CIO da GMPT, com sede na Europa, lida com budget de 50 milhões de euros e é responsável pelas áreas de TI em oito países

09/01/2006 às 12h22

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"Há dois anos, recebi um convite para ser CIO da GM na Austrália. Acabei não aceitando porque estava com problemas pessoais. Mas, confesso, dispensar uma oportunidade como essa não faz bem à imagem de um executivo. Então, o fato de ter sido cogitado novamente para uma liderança no exterior foi de grande significado, uma segunda chance. Não poderia deixar de aceitar. É algo muito motivador e imperdível tanto para o meu desenvolvimento profissional na GM quanto pessoal. Vou comandar a área de TI da GM Powertrain (GMPT) para a Itália, Alemanha, Suécia, Àustria, França, Hungria, Polônia e Suécia – países que englobam centros de engenharia e manufatura. É uma divisão da GM especializada em fabricação de motores e componentes para veículos automotivos. 
O momento é especial porque a GMTP começa a se tornar uma unidade à parte de negócios depois da dissolução, em maio desse ano, da joint-venture com a Fiat. A missão é desenvolver a GMPT como uma organização global e, nesse sentido, vou recriar toda a área de TI, atuando de forma muito mais focada em negócios. Para isso conto com um orçamento de mais de 50 milhões de euros e reportarei direto ao vice-presidente da GMPT, Harry Burkutean, e ao CIO mundial da companhia, Dave Essig.
Como tive poucos dias para refletir sobre uma resposta, não defini como serão as coisas com minha família. Talvez venham morar comigo só no ano que vem. No início nem teria muito sentido eles (família) virem, pois vou trabalhar uma média de doze horas por dia. Por enquanto, vou matar as saudades por telefone e por aqueles programas de mensagem instantânea, que a minha filha usa e são uma maravilha.
Estou entusiasmado. Além do fato de ser uma pessoa-chave nos novos rumos que a GMPT vai tomar, lidar com gente de culturas diferentes, do italiano falante e flexível ao alemão reservado e disciplinado, vai ser, sem dúvida, um belo exercício de jogo de cintura e liderança. Por enquanto vamos todos falar em inglês. A equipe tem 60 pessoas e mais pelo menos uma centena de colaboradores, vinda dos fornecedores. Em Turim, onde vou ficar a maior parte do tempo, já conheci toda a equipe, me enturmei. O primeiro sinal de boa receptividade foi ter recebido a chave da máquina de café – num gesto bem-humorado de meus funcionários – antes mesmo de saber qual era a minha sala.
Minha postura será, como sempre busquei ter no Brasil, de ouvir mais do que falar. Preciso conhecer os problemas, as necessidades. Evitarei ensinar o que já sabem, mas pretendo que realizem o que ainda desconhecem. Não vou chegar como um mandachuva e sim como alguém que quer agregar. E farei com que os times trabalhem com a mesma visão, pois hoje cada um enxerga TI de maneira diferente.
Outra postura importante será a de manter um belo relacionamento com o comitê executivo. Aprendi que dessa forma a área de TI cultiva credibilidade e conquista aliados de peso que irão apoiar os projetos. Ainda está cedo para revelar em detalhes quais serão os primeiros grandes projetos em TI. Posso adiantar que estarão focados em automação, mobilidade, colaboração e inovação, além de engenharia, qualidade e monitoramento – quesitos inerentes a esse negócio. Haverá um grande esforço de implementação de ERP, da SAP, na sede italiana. Usarei a minha experiência de ERP na GM Brasil, que foi considerada bem-sucedida por toda a organização.
Mas não deixarei que planos maravilhosos desviem o foco de também zelar por suporte e manutenção, não deixar o computador falhar, o telefone sem funcionar. Porque a principal meta agora não é aumentar o faturamento e sim justificar os investimentos em TI, garantindo a disponibilidade e, ao mesmo tempo, inovação."
* Mauro Pinto, ex-CIO da GM Brasil, assumiu o novo cargo há menos de três meses

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