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Chefe novo

Sem medo de mudanças, executivos de TI que acabam de assumir novas equipes acreditam que não há momento melhor para arejar mentes e operações

Thaís A. Cerioni

19/12/2005 às 21h18

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De repente, assumir uma área de TI que foi, por anos, liderada por outro CIO. A situação é comum – nos últimos meses, muita mobilidade pôde ser observada no mercado de tecnologia da informação –, mas nem por isso é menos desafiante.
Há 90 dias à frente da equipe de TI da Sadia, Marcos Caldas está lidando bem com o desafio. “No inicio, fiquei um pouco apreensivo de mudar depois de 17 anos. Mas estou gostando muito”, afirma o executivo. “Apesar de nenhum ser-humano gostar, mudanças são boas.” E, para Caldas, mudança tem de ser pra valer. “Não estamos aqui para dar continuidade no que estava sendo feito”, acredita o CIO.
As diferenças entre a Alcoa – onde ficou por 17 anos, dez dos quais na liderança da área de TI – e a Sadia são gritantes. “Saí de uma commodity para uma empresa de alimentos, muito ligada ao varejo. De um mundo Oracle, para um SAP. De uma companhia americana para uma brasileira”, aponta. “Tenho que contrapor as realidades e tentar aproveitar as melhores características de cada uma.” O CIO alerta, entretanto, para o perigo de se ficar preso ao passado. “Não se pode ficar o tempo todo comparando e achando que o que tinha antes era melhor.”
Melhor ou não, o que tinha antes também está mudando. Tânia Nossa, que assumiu a área de TI da Alcoa com a saída de Caldas, segue a mesma linha de gestão que defende a “não-continuidade”. “Estamos entrando em uma nova era”, garante a executiva, que considera um grande desafio vir depois de Caldas. “Ele fez muita coisa aqui, todo mundo tem muito carinho por ele”, explica.
Tânia conta que enfrentou muita resistência, mas acredita que a troca de CIO foi apenas mais uma novidade, em meio a uma série de mudanças pelas quais a área de tecnologia da Alcoa passou nos últimos meses. “A atuação do profissional de TI mudou e até a nossa localização geográfica mudou (da capital paulista para Poços de Caldas, em Minas Gerais)”, detalha. “Acho que, por isso, foi mais fácil. Houve uma mudança muito grande, tudo é novidade.”
Flávio Kosminsky, analista da consultoria Korn/Ferry, afirma que se deve ter cuidado com mudanças muito significativas logo de cara. “Mudanças de médio e longo prazo são boas. Mas, mudanças significativas de curto prazo podem gerar uma ansiedade muito grande na organização”, avisa o especialista. Em sua opinião, a melhor estratégia a seguir é “dar um tempo”, ou seja, primeiro desenvolver uma relação de confiança com a equipe para depois começar a tomar decisões.

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