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O que faz do diretor de TI um superCIO? – parte 2

O que pensam headhunters e os próprios CIOs a respeito das principais habilidades para esse executivo hoje

Luana Pavani

21/10/2005 às 15h47

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Um dos principais fatores de seleção para um cargo alto e de confiança como o de CIO é a postura do executivo. De acordo com a metodologia da Korn Ferry, o candidato deve passar por uma análise comportamental e de exposição a problemas. “Afinal, contrata-se pelo conhecimento e demite-se pelo comportamento”, diz o headhunter.

Segundo ele, o superCIO é uma pessoa de muita energia, motivado, comprometido e focado com qualidade. Em momentos difíceis assume responsabilidades e, com isso, conquista a confiança da equipe. Tem empatia, sabe ouvir as pessoas, para as quais parece estar sempre disponível. Não entra em pânico, mantém a compostura. É um tomador de decisões complexas, preocupado com a relação prazo versus qualidade, sem se esquecer da segurança. “O superCIO é resolvedor, planejador e fazedor”, resume Okret.

O aprendizado constante é outro pré-requisito. José Antonio Fechio, diretor de TI da CTBC, tem formação em administração de empresas e direito e três certificados de pós-graduação: em RH, Análise de Sistemas e Gestão Estratégica de Tecnologia da Informação, sem contar inúmeros cursos de atualização dentro e fora do país. “Acho fundamental esse esforço pessoal de aprendizado. Estou sempre procurando me atualizar, pois sei que daqui a dois anos minhas competências não serão suficientes. Mudanças virão e terei de me adaptar rapidamente a elas”, afirma Fechio. “E quanto mais a gente sabe, mais se sente valorizado. Aí, o trabalho fica mais gostoso”, brinca.

Ele, que é um veterano na área de TI, com 20 anos de experiência, tendo passado por Citrosuco, Volvo, Gillete, entre outras, acredita que o CIO deva agir como um provocador de mudanças, as quais devem ser ouvidas e internalizadas pela corporação. Para chegar a esse resultado é preciso usar do poder de negociação e a capacidade de relacionamento. “É o que eu chamo de efeito elevador: tem de conversar com todo mundo, do operador de chão de fábrica ao presidente”. Fechio reporta-se diretamente ao superintendente da empresa de telecomunicações, que presta serviços em telefonia fixa, celular, corporativa e TV a cabo.

Nos processos de seleção de executivos de TI, Saulo Lerner, da Right, diz que muitos deles costumam questionar o porquê de não terem sido chamados já que atendiam às especificações da vaga, demonstrando ainda uma visão técnica do processo. “Quem tem essa visão de sistema, cartesiana, apresenta dificuldades na leitura de cenários e na articulação política necessária ao dia-a-dia dos negócios”. De acordo com Lerner, há mais posições de substituição de CIOs do que novas vagas, o que reforça a necessidade de demonstrar os diferenciais além dos requisitos básicos.

Outra dica do recrutador de altos executivos da Right é buscar oportunidades fora do setor de expertise, para aumentar a curva de aprendizagem e a própria empregabilidade. “É muito fácil manter relacionamento com os concorrentes. Mas o networking deve ser uma prática de vida, para além da área de expertise”.

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