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Quem são e o que pensam os líderes de TI

Os 12 IT Leaders eleitos pelo jornal COMPUTERWORLD têm um pé nos bytes e outro nos negócios. Estão por dentro das tendências, influenciam decisões estratégicas, buscam métricas de excelência e se esforçam para melhorar a comunicação entre áreas distintas. Confira o que faz deles grandes líderes de TI

Renata Mesquita

23/08/2005 às 13h06

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Visão, poder de influência, talento para transformar projetos em realidade e conhecimento dos processos de negócios são qualidades básicas em um CIO de destaque. Os 12 líderes de TI do País – eleitos pela pesquisa IT Leaders 2005, feita pelo jornal COMPUTERWORLD em parceria com a PricewaterhouseCoopers – não fogem à regra. Eles sabem que, para chegar lá, não basta ter conhecimento técnico. Está claro que não são os técnicos mais experientes de hoje que se tornarão os gestores de TI de amanhã.

Participam do IT Leaders os principais executivos de TI das organizações que mais investem em tecnologia da informação no Brasil. Nesta edição, foram convidados 400 profissionais de empresas que apresentaram faturamento superior a 50 milhões de dólares em 2004. O estudo traça o perfil completo desses executivos, suas metodologias de gerenciamento e para o desenvolvimento de projetos. Qual é sua formação, como eles alinham as estratégias de TI aos demais planos da corporação, quais os indicadores de desempenho utilizados, como negociam com fornecedores, qual a percepção da alta administração sobre as áreas por eles gerenciadas são alguns dos tópicos abordados no levantamento. 

A grande maioria dos CIOs que responderam à pesquisa, como não poderia deixar de ser, não teme mudanças nem novas responsabilidades. A busca por novos desafios é uma constante – tanto que alguns já respondem por outras áreas, além da de TI.

Os IT Leaders de 2005 são veteranos no mercado de Tecnologia da Informação. Os 12 profissionais escolhidos pelo jornal COMPUTERWORLD atuam há pelo menos seis anos na área; boa parte abraçou a profissão há mais de 16 anos. Há gente com mais de 20 anos de TI – como Vera Marques, da Basf, Osmar Marchini, da Itaú Seguros, e José Luiz Cerqueira, do Banco do Brasil. Mas nem todos desenvolveram suas carreiras na empresa onde estão hoje. O estudo mostra uma rotatividade interessante: sete deles assumiram suas atuais funções há menos de nove anos, com igual número de respostas (duas) para as alternativas “de dois a três anos”, “de três a cinco anos” e “de seis a nove anos”.

Quatro desses profissionais são formados em Tecnologia da Informação, mas entre os líderes também encontramos administradores de empresas (dois), engenheiros (dois), formados em Ciências Exatas (dois), um economista – Renato Blanco, da Votorantim Celulose e Papel, que também é contador – e um tecnólogo em processos de produção – Marchini, da Itaú Seguros. A diretora de serviços da Ticket Serviços, Eliane Maria Aere, é a mais versátil: além de Administração também ´´e formada em Direito.

A absorção de profissionais de outras áreas pela TI é incentivada pelas próprias organizações, cada vez mais interessadas em integrar os planos de TI com os planos de negócios e em criar uma linguagem universal de governança corporativa. Possuir noções administrativas e uma visão aberta para absorver todas as particularidades da área de atuação da companhia são as qualidades desejáveis em um profissional, em detrimento do conhecimento técnico puro dos chamados “escovadores de bits”. Tanto que “conhecimento dos processos de negócios” foi o item mais apontado pelos CIOs quando questionados sobre as cinco características que eles consideram mais importantes na avaliação de novos profissionais para as suas equipes. Dez dos IT Leaders de 2005 acham essa característica essencial. “A área de TI tem a missão de conhecer mais de processos do que a área operacional. É vital que ela seja mais ativa que reativa”, acredita Wellington José Brigante, CIO da Camargo Corrêa Cimentos, vencedor da categoria Engenharia e Construção.

Pró-atividade, ética, conhecimento abrangente das tendências em tecnologia e capacidade de aprender também são características bastante procuradas pelos CIOs quando querem aumentar suas equipes de TI.

Treinamento é uma palavra recorrente no vocabulário das corporações onde atuam os escolhidos desta edição da pesquisa. Algumas dessas empresas distinguem os profissionais que se dedicam à carreira técnica dos que seguem a carreira gerencial, direcionado cursos e palestras específicos para cada perfil. Mas grande parte (41%) opta por oferecer treinamento tanto técnico quanto em aspectos de negócios para todo o pessoal de TI – e muitas vezes acabam incentivando e até mesmo apoiando financeiramente os profissionais que buscam capacitações fora dos conhecimentos específicos de TI.

Um bom conhecimento da linguagem de negócios é mais que desejado: cinco dos 12 CIOs de destaque respondem diretamente ao CEO ou presidente da corporação. Diretores financeiros, vice-presidentes e até um diretor de desenvolvimento humano e organizacional também assumem o papel de chefia imediata dos executivos de TI.

A pesquisa realizada pelo COMPUTERWORLD também mostra que essas empresas adotam objetivos individuais para cada profissional de TI, negociados com seus chefes imediatos. Esses objetivos, geralmente, têm relação com os resultados da área e também estão associados aos planos estratégicos da empresa. “Possuímos uma ferramenta corporativa de avaliação de desempenho chamada diálogo com o colaborador (DCC). Essa avaliação é realizada anualmente entre chefe e subordinado e garante o alinhamento das metas individuais com as estratégias da área e da empresa como um todo, além de servir à definição dos planos de desenvolvimento profissional. Em TI, além do DCC, cada colaborador possui metas trimestrais, que estão relacionadas às suas atividades mais operacionais. Dessa forma, cada colaborador em TI direciona esforços para atividades que geram valor à organização”, conta Vera Marques, diretora de TI da BASF para a América do Sul e vencedora do IT Leaders 2005 na categoria Química e Petroquímica.

O bom relacionamento entre as áreas também conta pontos. Todos os IT Leaders de 2005 confirmaram a existência, dentro de suas corporações, do incentivo – ou até mesmo a recompensa – ao compartilhamento de experiências dentro do grupo de tecnologia, especialmente em relação aos usuários. A TI exerce o papel de formar e informar a comunidade usuária sobre as tendências e possibilidades de uso da tecnologia.

Na maior parte dos casos, essa integração ajuda na identificação e definição das prioridades de TI em conjunto com os principais executivos do negócio. Como os planejamentos, geralmente, têm em um horizonte de mais de um ano, reuniões regulares ajudam a revisar e alinhar metas. “Estávamos com oito mil demandas para resolver e não havia uma metodologia para vencê-las. Após algumas reuniões, promovemos uma mudança e elegemos um responsável para cada área de negócio. Também redesenhamos a organização, para que as áreas de aplicativos fossem aglutinadas por afinidades de negócios. Criamos os comitês de governança, um processo de gestão de demanda dos recursos. O resultado? Derrubamos 1,8 mil demandas desnecessárias logo de início, e outras quatro mil retornaram para a revisão dos executivos de negócios”, diz José Luiz Cerqueira, vice-presidente de tecnologia e logística do Banco do Brasil e vencedor em Finanças.

Todo bom líder reconhece que também possui pontos fracos. Os 12 eleitos de 2005 não escondem isso: falhas na comunicação com subordinados e com outras áreas e pouco contato com fornecedores e com o mercado de TI são apontados como as preocupações, mas também incomodam a incapacidade de formar um sucessor, a falta de conhecimento financeiro para comprovação do valor da TI e o fantasma da desatualização. Não existe liderança eficiente sem conhecimento dos próprios defeitos.

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