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Gustavo Concon: para inovar é preciso criar um ambiente de aprendizado

Para CTO da multinacional brasileira CI&T, estimular a atenção a novos modelos de negócio é crucial para liderar a transformação digital

Carla Matsu

07/10/2019 às 7h00

Foto: Divulgação

Era dezembro de 2009 quando Gustavo Concon, 33 anos, entrava para a CI&T, multinacional brasileira de soluções digitais. Na época, se a empresa tinha cerca de 600 funcionários, hoje reúne mais de 2.500 colaboradores, tendo crescido para também atender a urgência de clientes que navegam suas jornadas de transformação digital. Muitas dessas mudanças de paradigma estão agora sob a liderança de Concon, que em maio deste ano foi promovido ao cargo de CTO. Até então, a companhia não contava com a posição. "A própria CI&T está enxergando como um papel bastante crítico para criar aberturas com clientes", conta Concon em entrevista à CIO Brasil.

"Quando eu entrei na CI&T, eu era bem focado na tecnologia. Conforme crescíamos, o desafio foi aumentando. Teve uma conexão forte de traduzir a tecnologia para negócios. Acho que este ponto é extremamente crítico para fazer a evolução de carreira. Sempre gostei muito de falar sobre negócios e desafios das empresas nos mercados, sempre fui muito curioso", destaca.

Nascido em Campinas, onde a CI&T mantém seu principal escritório - atualmente a companhia conta com um escritório de inovação no Vale do Silício, San Francisco - Concon se formou em Análise de Sistemas na PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica). A tecnologia, conta ele, sempre foi algo que lhe despertou curiosidade. Seguir carreira na área foi, então, um caminho natural. "Nunca tive dificuldade em escolher o que fazer, sempre foi muito claro desde cedo. Eu vejo que a tecnologia permite a abertura de mundo", reflete.

Pensar negócios

Paralelamente ao trabalho que trilhava para assumir uma posição executiva, Concon também dedicou seu tempo para empreender. Chegou a abrir uma empresa de cosméticos naturais com a esposa e outra calcada na tecnologia. Os negócios acabaram não vingando. O saldo, entretanto, foi positivo. "Criar um negócio leva você a questionar o porquê das coisas. É o pensamento de testar coisas antes para mitigar o risco. Dá bagagem ao mundo corporativo que também passa por essa transformação de empreendedorismo. Foi muito legal", lembra.

Seguir a carreira corporativa, diz Concon, falou mais alto. "Eu sempre tive muita ambição. Tinha como meta virar executivo com 32 anos", conta. Concon explica que a própria CI&T conta com um programa de liderança que busca ajudar a formar pessoas. "Busca a alavancar o potencial dela, e também como uma autoanálise para eu sair do outro lado de uma forma melhor", pontua.

Inovação é estar atento

Diante às transformações que indústrias estão passando, sendo atravessadas pela tecnologia e novos modelos de negócios, estar à frente da inovação não é tarefa trivial. É preciso cultivar certa sensibilidade a ele. Para Concon, é preciso criar um ambiente de aprendizado. "O principal desafio é sempre estar conectado com grandes fontes de inovação. Vou bastante a eventos, sempre tento entender as startups, o movimento de empresas como Spotify e Netlfix, entender como funcionam, pois são organizações diferentes. É fundamental aprender esses cases de transformação. Também gosto de acompanhar mídias estratégicas de negócios, como Gartner, Forrester. E como a CI&T é uma empresa também consultiva, estamos apoiando nossos clientes nas jornadas, a própria presença nos clientes é algo bem relevante. É fundamental se expor, sair da zona de conforto, essa exposição ajuda bastante a gente a ganhar conhecimento e maturidade", contextualiza.

É possível encontrar equilíbrio na transformação digital?

Estar na linha de frente da transformação digital da própria companhia e de clientes pode ser, no final do dia, algo exaustivo. Afinal, o excesso de informação e demandas do universo corporativo têm levado muitos executivos a encararem síndromes como a síndrome de Burnout quando pode ser tarde demais. Concon lembra que já passou por momentos que, hoje, considera ser "pré-burnout". "O esgotamento acaba destruindo boa parte que você construiu e sua performance pode ir lá para baixo", destaca. "Acho hoje não me vejo mais como workaholic. Tenho filho pequeno. Tinha como hobby trabalhar de madrugada ou estudar, ou investigar alguma coisa, ocupar a cabeça. Hoje estou bem mais leve, estou no momento de buscar esse equilíbrio", conta

Como conselho, Concon diz que é preciso priorizar o que, de fato, fará diferença no trabalho. "Acho que o primeiro exercício, é o cuidado com o compromisso, saber falar não da forma correta. Ver se algo é prioridade é uma reflexão constante, disciplina com a agenda, tenho alguns rituais. Toda segunda-feira, monto o meu horário, preencho os espaços e faço um balanço - o que é tarefa, formação de pessoas, novos negócios, isso me ajuda a ter uma resposta mental de fazer coisas a mais ou não. Hoje prefiro falar mais 'não' e entregar coisas com qualidade e acabar fazendo melhor", aconselha.

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