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Qual é o real valor dos dados?
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Qual é o real valor dos dados?

Um beneficio da valorização dos dados é que ela torna mais simples a proposição de projetos que envolvam os conceitos de manuseio de informação, como Big Data

Cezar Taurion *

15/10/2014 às 7h17

Foto:

Hoje geramos dados a todo instante e em praticamente todas
as nossas ações do dia a dia: quando fazemos compras nos supermercados, quando
postamos no Facebook, quando usamos nosso smartphone, quando ativamos o GPS no
carro e assim por diante. Claramente dados tem muito valor, mas ainda não
conseguimos avaliar este seu valor corretamente. Alguns estudos apontam valores
elevadíssimos.

Um recente estudo do Federal Reserve, nos EUA, estima que o
total de dados e outros ativos intangíveis das empresas, como patentes, marcas
registradas e direitos autorais podem valer mais de oito trilhões de dólares,
que é um valor quase igual ao PIB somado da Alemanha, França e Itália. Estes
ativos intangíveis estão se tornando parte cada vez mais importante da economia
global.

As patentes, por exemplo, vêm sendo um dos principais
motivadores de aquisições de empresas, como a compra da Motorola pelo Google,
por mais de 11 bilhões de dólares em 2011. Outro exemplo é o valor de ações de
empresas como Facebook, eBay e Google. Se subtrairmos suas dividas, vemos que
elas possuem um total de 125 bilhões em ativos, mas o valor combinado de suas
ações é de 660 bilhões de dólares. A diferença reflete a percepção do mercado de
que os ativos mais valiosos destas empresas são seus algoritmos, patentes e um
enorme volume de informações sobre usuários e clientes. Este valor não aparece
nos balanços.

O desafio de valorizar dados
A partir de 2012 o Gartner começou a propor um novo modelo econômico para
mensurar o valor dos dados, que ele batizou de infonomics. Infonomics é a
disciplina de mensurar e avaliar a significância econômica dos dados e
informações que uma empresa possui, de modo que estas informações possam ser
valorizadas monetária e contabilmente. Recomendo ler um artigo sobre o assunto,
publicado na Forbes:  http://www.forbes.com/sites/gartnergroup/2012/05/22/infonomics-the-practice-of-information-economics/.

É curioso observar que os dados, apesar de todos os
discursos sobre seu valor competitivo, não são valorizados monetariamente e
contabilmente. Por exemplo, se um data center pegar fogo, as seguradoras cobrem
o prejuízo sofrido pelas instalações e pelo maquinário, de geradores a
servidores. Mas não cobre o conteúdo dos dados que foram perdidos.

De maneira geral, uma empresa com boa governança de TI
mantém uma política de backup eficiente e consegue recuperar todas ou quase
todas os seus dados e informações. Mas caso não consiga, não obterá da
seguradora a reparação pelo valor dos dados perdidos.

Vivemos hoje na sociedade a informação e informação é um
produto por si mesmo, além de ser o combustível que impulsiona os negócios da
maioria das empresas. A consequência deste fato é o surgimento, ao longo das
ultimas décadas, de tecnologias de bancos de dados, data warehouses e, mais
recentemente, o próprio conceito de Big Data.

Se analisarmos a informação vemos que ela se encaixa
perfeitamente nas características de um bem econômico intangível. Entre elas:

a) Custo relativamente alto para sua
criação.
A produção da informação custa muito mais que as cópias geradas,
que tem custo marginal.

CIO2503

E-book por:

b) Escalabilidade. Custos
marginais para produzir duas ou duas centenas de cópias. Atualmente com
armazenamento e cópias inteiramente digitais elimina-se também o custo de
produção das cópias impressas.

c) Economias de escala em termos de
produção
. No caso da informação impressa, como em livros, quanto maior a
edição, menores os custos individuais devido à economia de escala. Nos meios
digitais, como e-books,  tais custos
inexistem.

d) Poder ser usada por  mais de uma pessoa a cada momento.
Diferente de um bem tangível como um carro, que se eu estiver dirigindo ninguém
mais poderá dirigi-lo ao mesmo tempo.

e) Substituição imperfeita. Uma
cópia reduzida em conteúdo ou fragmentada não pode substituir a informação
completa, original.

f) Efeito de rede, cujo valor
cresce à medida que mais pessoas a utilizam.

O modelo proposto pelo Gartner – o Infonomics - propõe
valorizar a informação. Isto significa quantificar de forma tangível a
informação, de modo que possamos dizer que esta determinada informação vale 350
mil reais e esta outra 500 mil reais. Isto significa que ela poderá ser incluída
nas análises contábeis e fazer parte do valor de uma empresa. Uma empresa que
usar mais inteligentemente suas informações que outras, será mais bem avaliada
em termos de valor de mercado.

Vejamos uma comparação simples com empresas da sociedade
industrial, como uma companhia de petróleo. O valor desta é estimado pelos repositórios
de petróleo que ela dispõe (suas reservas) bem como pela sua capacidade de
extrair e refinar este petróleo. Levando para o conceito do infonomics, uma
empresa será valorizada pelo valor dos dados e informações que contém e pela
sua capacidade de explorá-los adequadamente. Este é um ponto interessante. Dados,
mesmo que não sejam usados, têm o seu valor. Assim como uma mercadoria em um centro
de distribuição tem seu valor (valor do estoque) antes mesmo de ser vendida, os
dados têm valor, mesmo antes de serem tratados por tecnologias de análise de
dados. Podemos começar a medir seu valor potencial.

Um beneficio desta valorização é que torna mais simples a
proposição de projetos que envolvam os conceitos de manuseio de informação,
como Big Data. Será possível, com infonomics, conseguir mostrar que determinado
projeto valorizará em 100% o valor de determinada informação, facilitando gerar
as estimativas de ROI (Retorno sobre investimento) destes projetos.

Um detalhamento mais aprofundado do assunto Infonomics e diversos
links para outras fontes pode ser acessado em http://en.wikipedia.org/wiki/Infonomics.

 

(*) Cezar Taurion é CEO da Litteris Consulting, autor de seis livros sobre Open Source, Inovação, Cloud Computing e Big Data

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