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Como a governança corporativa faz a diferença nas empresas
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Como a governança corporativa faz a diferença nas empresas

Ela ajuda a pôr a casa em ordem, sem esconder a sujeira embaixo do tapete

Marcelo Pereira *

03/07/2017 às 11h51

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Foto:

Longe de ser uma tendência, os processos ajudam companhias a se estabelecerem em um mercado cada vez mais competitivo.Warren
Buffett, da Berkshire Hathaway, Mary Barra, da General Motors, Lowell
McAdam, da Verizon, Larry Fink, da BlackRock e outros CEOs de grandes
empresas norte-americanas assinaram, em 2016, um documento (leia aqui) que lista maneiras para melhorar a governança corporativa nos Estados Unidos.

A ideia
por trás dessa assinatura foi fazer com que as empresas do país adotem
políticas mais transparentes e efetivas, promovendo a credibilidade do
público. E sem a governança, não há como estabelecer um cenário positivo
dentro – e fora – de uma organização.

O
termo “governança” entrou na moda com os acordos de Bretton Woods, em
1944, junto com as instituições criadas a partir da conferência, e
surgiu para mapear o “conjunto de
processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que
regulam a maneira como uma empresa é dirigida, administrada ou
controlada”
. Porém, apenas em 2002, a governança se tornou
uma questão urgente, após a introdução, no mesmo ano, da Lei
Sarbanes-Oxley, anunciada para restaurar a confiança pública nas
empresas e mercados após a fraude contábil que faliu companhias de alto
desempenho como a Enron e a WorldCom.

Quinze anos
mais tarde, a assinatura desse manifesto por grandes empresários nos
remete ao fato de que as empresas não têm escolha senão alavancar
sucessos e mitigar falhas do passado, e fazer avaliações cuidadosas de
riscos futuros se quiserem sobreviver no mundo de hoje.

Ética, gerenciamento de risco, sustentabilidade e compliance

vimos que a governança de uma empresa interfere diretamente em sua
confiabilidade. As evidências que validam essa percepção são
encontradas, diariamente, nas primeiras páginas dos jornais. São
escândalos corporativos e falhas do sistema de gerenciamento de risco de
magnitudes variáveis. É por isso que ética, gerenciamento de risco,
sustentabilidade e compliance, tópicos de uma boa governança, devem
fazer parte da agenda de qualquer empresa.

De acordo com o levantamento da OCEG GRC (2014), think tank sem
fins lucrativos que atua na performance de organizações, 80% dos
entrevistados disseram que suas organizações usavam soluções
independentes de governança, risco e conformidade para cada departamento
– com pouca ou nenhuma troca de informações entre eles. Isso leva a
lacunas na cobertura de risco e a ineficiências globais, uma vez que o
trabalho muitas vezes é duplicado.

Mas,
mais interessante é a mudança dos entrevistados, apresentada do mesmo
levantamento, em 2016. A pesquisa apontou maior interesse por
tecnologias de gerenciamento de riscos operacionais e corporativas e
soluções para gerenciamento, desde risco geopolítico, risco de
terceiros, gerenciamento de risco da informação, EH&S (meio
ambiente, higiene ocupacional e segurança do trabalho) até o
Planejamento de Continuidade de Negócios (PCN). O que nos leva a crer
que, a velocidade na mudança do comportamento dos envolvidos responde,
via de regra, à tendência que indica a tecnologia como a melhor solução
para unificar e gerenciar processos.

governance

Governança nas decisões de compra
Governança
corporativa é, sobretudo, sinônimo de tomada de decisão. Em outras
palavras, significa pôr a casa em ordem, sem esconder a sujeira embaixo
do tapete. Mas por onde começar a usar uma prática efetiva de
gerenciamento nos negócios?

Um
bom começo para tomar as rédeas da empresa e domar percalços é exercer o
controle total do setor de compras, área estratégica da empresa, já que
seu poder de negociação interfere diretamente no preço final dos
produtos e, logo, na competitividade. Afinal, cada R$ 1 economizado em
compras é R$ 1 a mais no lucro da empresa.

Motivada
pela crise de 2008, a evolução desse setor acabou impulsionada por uma
nova política de economia de custos para melhorar a eficiência e o saving (redução
de custos de aquisição de produtos e serviços). Foi então que surgiu a
função de comprador. Daí em diante, salários evoluíram e a profissão
chegou ao chamado C-Level, na figura do CPO (Chief Procurement Officer).

A
chegada da tecnologia nesse setor fez com que a transformação se
acelerasse ainda mais. E, com sistemas para padronização de bancos de
dados e automatização do processo de análise de todos as informações de
compras, os passos em direção à governança dessa área são dados.

Entre as práticas que podem ser facilitadas com o uso de mecanismos que, comprovadamente, registram e organizam tudo, estãocotações
de preços, gestão de pedidos, leilões reversos e diretos, padronização
de materiais, homologação de fornecedores, gestão de catálogos, entre
outras. Até as terceirizações, hoje, podem ser gerenciadas. Com a
automação da gestão de terceiros, os riscos de responsabilidade
subsidiária e solidárias diminuem e o controle das informações de
pagamento, recolhimento de encargos, segurança e saúde ocupacional dos
colaboradores com mão de obra alocada é total.

Ou
seja, uma vez que as organizações decidem investir em governança, elas
ganham uma ampla variedade de abordagens a seu dispor e, de quebra,
vantagem competitiva, se tornando mais bem vistas no mercado.

 

(*) Marcelo Pereira é diretor da área de Gestão de Fornecedores do Mercado Eletrônico

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