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Futuro da infraestrutura de TI está nas mãos de profissionais da nova era

Gartner projeta ambiente ágil liderado por profissionais estratégicos com habilidades imperativas que sustentem transformação inadiável dos negócios

Solange Calvo

24/04/2019 às 16h58

Foto: Solange Calvo

De que adianta uma infraestrutura impecável, apta a suportar a transformação digital em curso no planeta, se não há profissionais habilitados para extrair dela o máximo potencial para a evolução dos negócios? É o que ficou evidente na coletiva de imprensa do Gartner, nesta manhã (24/04), durante a Conferência Gartner Infraestrutura de TI, Operações & Estratégia de Cloud 2019, em São Paulo.

O novo desenho tecnológico, segundo a consultoria, inclui cloud, IoT, automação, machine learning, Edge Computing, DevOps, AI e Inteligência Artificial (IA) como principais tendências para obtenção do passaporte das empresas para boas posições no ranking de atuação. Mas suas pesquisas indicam que 75% dos líderes de Infraestrutura & Operações (I&O) não possuem habilidades, comportamentos ou presença cultural necessários para os próximos anos.

Justo esses profissionais, responsáveis por garantir que as tecnologias contribuam para a ampliação do alcance global das marcas, solução de problemas de negócios, além do ingresso rápido em novos mercados em qualquer lugar.

Katherine Lord, VP de Pesquisas do Gartner, diz que aqui no Brasil, e também em outros países, está difícil de reter talentos e desenvolver novos em um cenário de parcos recursos disponíveis na economia nacional.  A questão, segundo ela, e que é preciso pensar agora em quais habilidades serão imperativas em 2020 e iniciar um planejamento de capacitação. “Encontrar talentos é algo difícil e nesse processo é preciso repensar os perfis da nova era”, avisa.

“Não somos ótimos comunicadores na área de TI, em especial com os clientes”, sentencia Katherine. “Por isso, a importância de desenvolvermos soft skills como comunicação, empatia, colaboração, compartilhamento de informações ... Os líderes precisam entender a importância de recrutar pessoas versáteis em seus times, que sejam visionários em relação às mudanças, nas oportunidades que podem proporcionar e não as resistentes que têm medo de deixar a zona de conforto de suas atuações. Um novo perfil. É na mente versátil que acontece a mágica.”

Um dos caminhos é o investimento em automação, destaca Dennis Smith, VP de Pesquisas do Gartner. “Ao automatizar processos repetitivos, por exemplo, a empresa libera o profissional para aprimorar seu conhecimento, usar o seu tempo para capacitação em novas tecnologias, trabalhar em novos produtos, na jornada de cloud”, ensina.

Henrique Cecci do Gartner

O executivo destaca um ponto importante na caça de talentos e esforço de capacitação: “As empresas não podem ignorar o que existe dentro de casa. Observar seus talentos e investir neles. Poderão liberá-los por meio da automação, que é chave nesse processo”.

Katherine concorda e dá a dica: “É importante fazer um inventário das habilidades dos seus colaboradores para saber direcionar a estratégia de capacitação, de direcionamento de funções, identificar os déficits e realizar contratações pertinentes que agreguem e evitar desperdícios de talentos”.

Smith aponta que não há um melhor momento para ser um desenvolvedor de aplicativos. “Isso porque oferece a oportunidade de pular no trem expresso de mudança para satisfazer as necessidades dos clientes e criar soluções apoiadas em APIs”, diz ressaltando que até 2025 o Gartner prevê que 70% das empresas que não adotarem estratégia voltada a serviços não conseguirão suportar seus negócios. “Por isso, a importância de engajar engenheiros de I&O, consumidores, desenvolvedores para gerar produtos que suportem uma estrutura sólida apoiada em aplicativos.”

Infraestrutura do futuro

Na avaliação do Gartner, a preparação para uma Infraestrutura e Operações na era digital se resume em incentivar comportamentos diferentes, criar competências como adaptabilidade, perspicácia nos negócios, colaboração e parceria para que as equipes de I&O se preparem melhor para as próximas mudanças e interrupções do futuro.

Mas qual seria essa infraestrutura do futuro? A consultoria projeta uma arquitetura de TI que inclui a função de distribuição estratégica de serviços (internos e externos à organização) e defende a ideia de que a “a infraestrutura está em toda a parte”.

De acordo com Bob Gill, VP de Pesquisas do Gartner, é incisivo: “Os dias do departamento de TI controlando todos os processos tecnológicos acabaram”.  Ele avalia que a abordagem da fábrica cíclica e ditada na TI tradicional não pode fornecer a agilidade exigida pelos negócios atuais. “A necessidade de ampliar a agilidade evoluiu mais rapidamente do que a nossa capacidade de entregar”.

Nesse novo cenário ainda há agravantes. De acordo com o Gartner, o negócio digital desfoca as linhas entre o físico e o digital, promovendo novas interações e mais negócios em tempo real. E na medida em que a conectividade é ampliada, o data center não será mais o centro de dados. “Negócios digitais, IoT, e experiências imersivas levarão o processamento cada vez mais ao limite”, ressalta Henrique Cecci (foto), diretor de Pesquisas do Gartner.

Para o Gartner, o futuro anuncia que até 2022, mais da metade dos dados gerados pelas empresas serão criados e processados fora dos data centers e fora dos servidores em nuvem. Difícil de acreditar? Talvez seja mais prudente não duvidar. Afinal, estima a consultoria que as pessoas esperam que suas interações serão mais imersivas e em tempo real, com menos fronteiras artificiais no mundo digital.

“A necessidade de baixa latência, o custo da largura de banda, privacidade e mudanças regulatórias à medida que os dados se tornam mais íntimos, e a exigência de autonomia quando a conexão da internet cai, são fatores que expandirão o limite das infraestruturas corporativas até o limite”, prevê o Gartner. É viver para ver. E o futuro está logo aí.

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