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FPS inova no ensino da Saúde em conjunto com startups

Gerente de TIC da instituição, Marcone Barros confia na inovação aberta e colaborativa para educar na Era Digital

Carla Matsu

20/03/2019 às 21h35

Foto: Divulgação

Marcone Barros, gerente de TIC da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), defende que a tecnologia deve sempre endereçar a dor do seu usuário. E para que isso aconteça é preciso, sobretudo, saber ouvir o outro. “Devemos entender o outro lado. Só assim, é possível montar uma estrutura que possa minimizar as dores e dar agilidade para todos os envolvidos”, resume. Essa abordagem empática e integradora é vista no trabalho diário que Barros desenvolve com seu time em tecnologia e em um modelo de inovação aberta firmado pela FPS com startups brasileiras.

Criada em 2005, a FPS é uma instituição de ensino superior sem fins lucrativos com sede em Recife (PE) mantida pela Associação Educacional de Ciências da Saúde. Um dos diferenciais da faculdade é o uso do método ABP - Aprendizagem Baseada em Problema nos cursos de graduação, especialização e mestrado. Esse tipo de vocação contribuiu na aproximação com as startups.

Há dez anos na FPS, Barros assume um tom professoral para explicar como as jovens empresas de tecnologia também influenciam na renovação e no engajamento não só dos estudantes, como de professores e funcionários da FPS. "A visão de trabalho, de rotina, o ecossistema de uma startup é muito rápido. Nas empresas tradicionais, a burocracia é muito grande. O risco de inovar também é muito grande. E a cultura da startup é diferente, monta-se um projeto muito rápido em cima de um problema, erra-se rápido e corrige-se muito rápido. O que nos fez buscar esse mundo foi a forma de trabalhar, essa cultura”, explica Barros.

Depois de trabalhar no passado em parceria com uma startup para a criação de uma aula gamificada, a FPS seguiu em frente para construir um projeto de realidade virtual para um laboratório virtual de anatomia. A solução foi desenvolvida em parceria com a MedRoom, startup brasileira focada no desenvolvimento de aplicações para treinamento em saúde com VR.

Além da imersão, a solução inclui estratégias de gamificação para o aprendizado. O que se busca com o projeto é oferecer um ambiente que proporcione uma experiência contextual aos alunos e consolide os conhecimentos aprendidos nas aulas de anatomia e fisiologia. Pelo projeto, Marcos Barrone recebeu o prêmio Executivo de TI do Ano 2019, promovido pela IT Mídia, na Categoria Educação.

A solução em Realidade Virtual permite que o estudante faça uma imersão no corpo humano, visualizando desde pele, músculos, sistema linfático, cardiovascular, sistema nervoso etc, até mesmo "enxergar" dentro do coração. Há ainda casos clínicos nos quais o software oferece, permitindo ao estudante praticar a anamnese completa, realizar avaliação física, exames e proporcionar tratamentos a um paciente, experienciando assim os aspectos críticos da tomada de decisão dos profissionais de serviços de saúde. O projeto de Realidade Virtual conseguiu evitar a construção de mais dois Laboratórios de Anatomia e Modelos no formato tradicional. Segundo Barros, um único laboratório tradicional custaria cerca de R$ 110 mil à FPS.

Todo o software fica hospedado em nuvem e é gerenciado pela MedRoom. Para usufruir dele, estudantes precisam de um headset, um joystick e um notebook. Professores também passaram por um treinamento para utilizar a solução e integrá-la ao plano de ensino. "O desafio é constante, mas é empolgante. Gerar um projeto desse porte nesse momento histórico que vivemos em um mundo em transformação, é um aprendizado que levamos para a vida toda", destaca Barros.

Abertura à inovação

Barros fala com entusiasmo sobre as iniciativas que a área de tecnologia tem firmado com startups para evoluir o ensino. “É importante focar sempre na sociedade, no consumidor final. É por meio deles que os modelos organizacionais precisam ser repensados e reinventados. Na educação não é diferente. Certamente, esse será o grande desafio das instituições de ensino, educar na era da Transformação Digital”, reflete Barros.

Para entregar soluções que atendam o ensino cada vez mais digitalizado e personalizado, o executivo conta que a comunidade acadêmica da FPS também passou por uma transformação. Os esforços em conjunto renderam um Centro de Inovação dedicado à educação em saúde, batizado de FOZ. Segundo Barros, em seis meses, já foram investidos R$ 1,1 milhão no projeto. A iniciativa conta atualmente com três startups incubadas, seis pré-incubadas com projetos de professores e estudantes.

Barros conta que o centro de inovação está sustentado em três pilares: desenvolver o empreendedorismo, dar poder a estudantes, professores e funcionários para gerar patentes e, por fim, desenvolver a cultura da criatividade e inovação.

"A tecnologia permite que muitas barreiras sejam ultrapassadas e a educação não tem mais distância", ressalta. Em sua visão, o grande diferencial na educação a distância (EAD) é a customização do aprendizado e aí é que entra as novas tecnologias. E para tornar a educação mais humanizada a partir da tecnologia, Barros diz que é preciso ir além da TI. "Para desenvolvermos isso, não podemos entender só de tecnologia. Temos de entender de educação, ter a ideia do objetivo, metodologias de ensino. Todas essas estratégias educacionais também precisam ser incorporadas pela TI", defende.

Finalistas do prêmio Executivo de TI do Ano 2019 – Educação

1º Marcone Maciel Barros, gerente de TI da Faculdade Pernambucana de Saúde - FPS

2º Helio Soares, CIO da Universidade Universo

3º Marcelo Nassau, gerente de TI da PUC Minas

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