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Executivo de TI do Ano: rápida evolução é chave para sucesso de líderes

Análise sobre o prêmio indica que executivos caminham para serem mais estratégicos e ágeis, demandas prementes da atualidade

Maria Alice Mendes*

20/03/2019 às 22h16

Foto: Shutterstock

Até onde a Inteligência Artificial pode chegar? Qual é o futuro do Blockchain? Qual a extensão e o poder do 5G? Será o fim da privacidade? Essas e outras questões se apresentam no horizonte para 2019 e ainda assim não sabemos se os líderes estarão prontos para lidar com tamanha incerteza.

É um fato. A grande maioria de nós se sente desconfortável com a incerteza, e daí surge a resistência em confrontar o incerto, o desconhecido. Recente pesquisa global realizada pela Korn Ferry aponta que apenas 15% dos líderes de hoje apresentam as habilidades necessárias para conduzir suas organizações no futuro, a maioria deles ainda está presa à mentalidade de ontem e terá dificuldades para encontrar seu lugar e sua voz no novo mundo dos negócios.

Por outro lado, nunca antes na história da humanidade a tecnologia esteve tão preparada para munir o negócio com dados e informações valiosas, capazes de suportar decisões estratégicas para o futuro das organizações. Gigantes de tecnologia, como Google, Amazon, Alibaba e Tencent são responsáveis por uma esmagadora maioria de estudos, caminhando na vanguarda do uso dos dados e do entendimento do comportamento dos seus consumidores.

O surgimento dos chamados “PDRs” ou Registros de Dados Pessoais não está longe. Em breve, teremos nossos dados, de qualquer natureza, consolidados em um só registro, e com eles diversas companhias tomarão decisões de onde e como fornecerão serviços adequados para cada um de nós, de forma cada vez mais assertiva.

E nesse contexto realizamos mais um prêmio Executivo de TI do Ano 2019, em parceria com a IT Mídia. Foram mais de 300 cases, entre executivos de negócio e de tecnologia, onde contribuímos, utilizando nossa metodologia proprietária de competências. Ingredientes essenciais para obter o sucesso no trabalho, competências são destiladas em habilidades e comportamentos que você pode observar. Elas incluem habilidades funcionais e técnicas, bem como habilidades de gerenciamento que contribuem para uma melhor liderança.

Procuramos identificar dois aspectos fundamentais para a sobrevivência das organizações na atualidade: Tolerância à Ambiguidade e Cultivo da Inovação. Competências fundamentais, em nossa visão para o sucesso de executivos e organizações que querem trilhar o desafio da Transformação Digital.

Tolerância à Ambiguidade diz respeito a operar de forma eficiente, mesmo quando os cenários ou a maneira de seguir adiante não são tão claros. Para liderar de forma eficiente com tal contexto, é necessário ser capaz de adaptar sua abordagem à pessoas e problemas, se render à necessidade de ter certeza e, por fim, ver o desconhecido como uma oportunidade.

Por outro lado, Cultivo da Inovação diz respeito a criar novos e melhores caminhos para a organização se tornar bem-sucedida. Para tanto é necessário: colocar a inovação como prioridade, gerar muitas ideias e nutrir as melhores, aprimorar constantemente processos operacionais e repensar o modelo de negócio da organização.
Por meio da análise dos cases, somada às perguntas da nossa metodologia, buscamos entender qual o cenário do Executivo de TI do Ano 2019.

Alguns dos insights do prêmio deste ano:

Pela primeira vez, percebemos uma grande maioria de casos ligados ao tema de transformação digital. Claramente, executivos de tecnologia e negócios têm-se preparado e esforçado para levar suas respectivas organizações para outro patamar. Em especial os CIOs apresentam, de forma consistente, esforços na direção de criar times e organizações ágeis, ainda que coexistindo com os tradicionais métodos waterfall.

No geral, percebemos também um grande foco, do ponto de vista de executivos de negócio e tecnologia, em gerar eficiência. No que diz respeito às indústrias mais pesadas, como de base e manufatura, percebemos que há muito o que evoluir. Muito do básico ainda está por se fazer. A exemplo, podemos citar, no que diz respeito ao cultivo da inovação, diversos cases que apresentaram situações pouco criativas. Mais do mesmo, mencionando automatização de processos que já estavam sendo feitos ou mesmo implantações e sistemas como continuação natural do mesmo negócio.

A indústria de serviços financeiros e meios de pagamento, por outro lado, lidera bons cases que demonstram como é possível sim gerar eficiência por meio da tecnologia, mas de uma forma inovadora.

Ainda sobre o tema de inovação é curioso perceber que no prêmio do ano passado, ao analisar, a partir uma de nossas metodologias de assessment as competências onde CIOs se destacam, encontramos o Cultivo da Inovação.

Durante a análise dos casos em 2019 paradoxalmente encontramos poucos casos que explicitassem o tema de forma contundente. Nossa hipótese é de que, sim, estes executivos possuem a competência, mas nem sempre o ambiente. O somatório de todas as variantes possibilita que o indivíduo ponha o processo de inovação na prática.

Uma boa notícia diz respeito à competência de Tolerância a Ambiguidade, também medida no último ano. Se em 2018 a competência foi apresentada como um fator de desenvolvimento no caso dos executivos de negócio, no prêmio de 2019 foi possível verificar por meio dos cases, e de nossas perguntas, que os executivos de negócios lidam com situações imprevisíveis, cenário cada vez mais presente na nossa realidade.

Somado a esse fato, é interessante perceber que a agenda de tecnologia para o executivo de negócio já é percebida como alavanca para a inovação e melhores resultados. Enquanto isso, do lado dos CIOs se percebe ainda, grande foco em ganho de eficiência e corte de custos.

Adicionamos aos temas acima um aspecto interessante que será lançado em breve pela Korn Ferry, por meio de pesquisa global realizada com aproximadamente 3,5 mil executivos em várias funções. Claramente a função executiva de tecnologia ganhou espaço nas organizações. Tamanha exposição parece ter impactado inclusive nos motivadores de carreira dos CIOs, dado que um percentual significativo apresenta a o desejo de ocupar a cadeira de CEO. Ora, se por um lado o CIO ainda não é visto pelos executivos de negócio como alguém ready now para efetuar essa transição, pela primeira vez se percebe uma grande maioria dos executivos de tecnologia exposto, de forma recorrente, aos seus respectivos boards.

Por fim, entendemos que líderes de tecnologia nos últimos anos enfrentam um desafio persistente de como lhe dar com interrupções de tecnologia e um ambiente de inovação tão dinâmico e ainda assim prover as organizações aspectos básicos de manutenção e sustentação no desafio dos orçamentos de TI.

O fato é: o impacto combinado das tendências disruptivas e organizações forçadas a evoluir rapidamente torna a liderança um fator crucial para seu sucesso contínuo. Não só líderes competentes são ainda mais vitais em um ecossistema complexo, mas líderes capazes de promover a inovação e lidar com o cenário de incertezas.

 

(*) Maria Alice Mendes é principal da Korn Ferry

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