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Evite medir até que saiba exatamente qual é o valor para o negócio

Uma vez entendido o valor, pode-se discutir indicadores e métricas. A agilidade vem daí: do valor entregue mais rapidamente e não da velocidade da entrega

Claudio Barizon *

27/03/2018 às 15h24

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Existe
uma preocupação muito grande em se controlar e medir a produtividade
das equipes. Este é uma preocupação pertinente, mas ela deve ser tratada
com cautela e no seu devido tempo.

Com
cautela para que o time não se sinta auditado. Pois, se isso acontecer,
o engajamento vai por água abaixo. E, no seu devido tempo, em função da
necessidade de avaliar outro importantes
ponto: antes de se definir como será realizada a medição de performance
de uma equipe, de um processo ou de seus resultados, é fundamental
entender o que se vai medir sob o risco de se criar um comportamento
inesperado na equipe e nos envolvidos, responsáveis
por determinada entrega.

Por este motivo, entender e definir bem o valor que se espera atingir é a base para se começar o trabalho. Então, o que é valor?

Para
traçarmos um paralelo, imagine uma rodovia cheia de buracos. Como é a
contratação de uma empreiteira para a construção dessa rodovia? E para
mantê-la? Normalmente, a contratação é feita por
km construído. Existe um período de garantia, mas logo em seguida
inicia-se a manutenção. O problema é que esta manutenção custa caro. E,
para garantir que houve trabalho para o posterior pagamento, criam-se
métricas e geram-se evidências...

Certa vez, li
em uma reportagem que uma empresa estava sendo remunerada pela quantidade
de buracos tapados. E a evidência estava ali: buraco tapado, dinheiro no
bolso... Fácil de medir, né? Fácil também de justificar... Mas,
provavelmente, esta deve ser a pior forma de contratação.
Deixando as questões éticas de lado, esta forma só estimula à má
construção e a má conservação.

E
se estas mesmas empreiteiras fossem bonificadas exatamente pela medida
oposta? Quanto menos manutenção, mais bonificação? Como as estradas
seriam construídas e mantidas? Parece esquisito,
mas não é este o valor que se espera? Estrada sem buracos por muito
tempo? Que acabam contribuindo para a ocorrência de menos acidentes, a necessidade de menos internações em hospitais, menos carros
quebrados, menor perda de tempo de todos, menos pistas fechadas e etc.
Assim, identificar bem o que se vai medir é muito importante
e faz toda a diferença. Esquecendo isso você pode estar gerando um
comportamento contrário ao que se deseja.

Por
este motivo, antes de se verificar ou definir as métricas a serem
usadas (como está a performance da equipe, se o cronograma está em dia e
etc) acredito que se deva entender bem o valor
do que se quer gerar e entregar para o negócio em questão. Uma vez entendido o valor, pode-se discutir as outras métricas.

E
esta é uma boa discussão, quando se trata de se utilizar as práticas
ágeis: “de onde vem a agilidade nas práticas ágeis e o que tem a ver
estas práticas com o valor gerado?”

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Bem,
existe ainda uma certa ressalva ao se falar delas. Muita gente acha que
trata-se de fazer as coisas às pressas, “nas coxas”, sem documentação e
cuidado ou que é apenas uma moda passageira. Nada disso! A agilidade passa por uma série
de ganhos, referentes aos modelos de gestão que estão ali embutidos.

O
grande ganho de agilidade, porém, está na entrega de valor! Entender que
se é capaz de entregar um produto de valor antes do que se imaginava,
por se conhecer bem o que se deve entregar,
o problema do cliente, o negócio. Muitas vezes, muito antes!

Quantas
vezes os orçamentos são supervalorizados para contemplar os receios e
as “gorduras” de não se esquecer nada ou de garantir a verba do projeto?
No entanto, é possível gerar entregas
mais rápidas com uma boa priorização dos requisitos de negócio para
garantir entregas de valor desde a partida. Mais até do que priorizar
bem o que se deseja, é definir o que NÃO será realizado. Nesta situação,
um projeto ou produto pode ser entregue muito
antes do que se imaginava e com um orçamento bem mais baixo só porque
ficaram de fora requisitos que provavelmente pouco ou nunca seriam
utilizados e não agregariam nenhum valor adicional ao cliente.

Concluindo,
a ideia é, antes de se pensar em qualquer métrica, apurar muito bem o
que é valor para o negócio. A agilidade vem daí: do valor entregue mais
rapidamente e não da velocidade da
entrega. Portanto, foco total em se conhecer o valor para o negócio.

 

(*) Claudio Barizon é
COO e co-fundador da Zehnk

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