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Estas são as diferenças de estilo de trabalho da Geração Z, Y e Baby Boomers

Relatório compara atitudes conflitantes das gerações no trabalho para identificar quais problemas são mais afetados pelo conflito geracional

Da Redação

06/03/2020 às 14h51

Foto: Shutterstock

Diferentes gerações têm transitado o mesmo ambiente corporativo, cada qual com seu perfil na prática dos negócios. Algumas diferenças podem interferir no dia a dia de trabalho, outros simplesmente são reflexos de perspectivas sobre a carreira e a vida pessoal.

No geral, os dois grupos etários mais jovens, Geração Z (18 a 25 anos) e Geração Y ou Millenials (26 a 35) eram diferentes dos Baby Boomers (56 a 65), entretanto, todos citaram um aumento salarial como mais importante do que uma promoção de título. O relatório Workplace Trends: Gen Z vs. Millennials vs. Baby Boomers realizado pela Comparably, empresa especializada em análise de mercado e cultura organizacional, mostra algumas tendências nessa relação entre colaboradores de diferentes faixas etárias no local de trabalho.

A pesquisa foi realizada a partir da consulta de 175.428 colaboradores de todas as faixas etárias de empresas estadunidenses de médio e grande porte, como Facebook, Amazon, Netflix, Google e Uber, entre 25 de fevereiro de 2019 e 25 de fevereiro de 2020.

Remuneração

Quando perguntados se um aumento era mais importante para eles do que uma promoção de título, os entrevistados da Geração Z e Millennial concordaram amplamente, com os Millennials respondendo “sim” um pouco mais frequentemente. Os Boomers responderam “sim” à pergunta com ainda mais frequência, com 86% dos colaboradores mais antigos encontrando mais valor pessoal em um salário maior do que em um título mais alto.

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De acordo com a pesquisa, esse resultado é uma amostra natural da geração, uma vez que nessa faixa etária estão mais próximos da aposentadoria e, em tese, se preocupam menos com a carreira nesse estágio da vida laboral.

Os Boomers mais velhos, no entanto, são os menos confiantes quando se trata de pedir um aumento ao chefe. Menos de 50% dos Boomers dizem que se sentiriam confiantes para pedir ao chefe um aumento salarial. Segundo o relatório, isso enfatiza o idealismo e a ingenuidade dos trabalhadores mais jovens e o envelhecimento - percebido ou não - afetando os funcionários mais velhos que podem sentir seu valor de mercado diminuindo.

A geração do milênio foi a mais confiante em pedir um aumento ao chefe, com quase 60% dos entrevistados, entre 26 e 35 anos, se sentindo merecedores. Questionados sobre quanto aceitariam receber a menos para trabalhar em uma empresa com uma missão social que apoiam, o idealismo perde mesmo para as gerações mais jovens reconhecidos pelo comprometimento com os ideais sociais.

Quarenta e quatro por cento dos jovens Millennials disseram que aceitariam um corte salarial para trabalhar em um emprego em que a missão fosse pessoalmente importante para eles. Caracterizados como menos socialmente responsáveis e mais interessados em ganhos de capital, 50% dos Boomers responderam que aceitariam a mudança salarial pela causa.

A pesquisa sugere que a mudança da responsabilidade social sobre o interesse do ganho pessoal tenha menos a ver com a tensão entre as gerações e mais com o processo natural de envelhecimento da psique humana.

Perspectivas de carreira

Ter filhos dificulta a carreira? Previsivelmente, os mais jovens afirmam que ter filhos prejudica a carreira, ao contrário dos colaboradores mais velhos. A pesquisa traz a perspectiva norte-americana, que apresenta o menor índice de natalidade nos últimos 30 anos.

Dos respondentes da Geração Y, apenas 49% desse grupo opinaram que as crianças podem dificultar a trajetória da carreira. Cerca de 40% dos Boomers, “que possivelmente já tiveram e criaram filhos”, disseram que pensavam que os filhos eram um obstáculo à vida profissional.

Quando perguntados sobre quais habilidades pessoais os ajudaram a avançar mais na carreira, todos os entrevistados - dos menos experientes aos que estão chegando ao fim de suas carreiras - escolheram "persistência". Para os entrevistados da Geração Z e da Geração Y, a escolha menos popular da lista de opções oferecidas pela pesquisa foi "empatia". Para os Boomers, a resposta menos popular foi "humildade". “Isso aponta para a natureza bastante maquiavélica da vida profissional americana”, de acordo com o relatório.

A pesquisa também questionou quais habilidades sociais os funcionários mais gostariam de aprimorar. A Geração Z e Y citaram a “comunicação” como sua principal opção. Os Boomers, por outro lado, escolheram a “adaptabilidade”. No que diz respeito aos maiores temores do trabalho, a estagnação foi a opção escolhida para a maioria dos entrevistados, mesmo com o foco nas discussões atuais sobre assédio sexual e na igualdade de gênero e tendo estes itens como opção. Nenhum Boomer escolheu acusações de assédio.

A pesquisa ressalta que esse índice demonstra como algumas questões sociais implicam de maneira diferente para cada geração. Para os Boomers mais antigos, o maior medo diz respeito a um colapso resultante do alto nível de estresse, embora essa opção tenha uma classificação alta para a maioria dos entrevistados, independentemente da idade.

Relação com a gerência

Todas as faixas etárias analisadas neste estudo dizem que ser “solidário/colaborativo” é a melhor qualidade que um chefe poderia ter, embora essa necessidade seja mais forte para os funcionários mais jovens da Geração Z. No entanto, apenas 55% dos Boomers disseram que se sentiriam à vontade para dar feedback ao chefe. Enquanto mais de 60% da Geração Z e da Geração Y disseram se sentir confortáveis em oferecer feedback aos superiores.

Cultura no local de trabalho

A satisfação com o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal também foi considerada na pesquisa. Os colaboradores da Geração Z ficaram menos satisfeitos com o saldo desse equilíbrio, quando comparados aos Millennials, de 64% a 67%, respectivamente. Cinquenta e seis por cento dos Boomers estavam satisfeitos com esse equilíbrio. Isso implica uma curva de aprendizado à medida que os trabalhadores mais jovens se adaptam à vida profissional, segundo o relatório.

Quando questionados sobre o que seria a coisa mais importante para eles no trabalho, além do salário, em geral os colaboradores responderam “equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”. Porém, quase a metade dos entrevistados, em todas as faixas etárias, relatou se sentir esgotado. De acordo com a pesquisa, as principais motivações para isso incluíam metas pouco claras e maus gestores.

Apenas 70% dos entrevistados da Geração Z relatam nunca ter experimentado racismo no local de trabalho. Isso significa que 30% dizem ter experimentado alguma forma de racismo, a mais alta na pesquisa. Cerca de 25% dos Millennials e Boomers disseram o mesmo.

Futuro do trabalho

Sobre as perspectivas futuras da carreira, os mais jovens esperam iniciar seus próprios negócios nos próximos cinco anos. Entre 35% e 40% dos funcionários da Geração Z e Y disseram que esperam ter seus próprios negócios, enquanto esse número cai para as gerações mais velhas. Ainda sobre o futuro, ao contrário do temor popularizado sobre a substituição da mão de obra humana por robôs, os entrevistados não têm essa preocupação.

A maioria (89%) dos Boomers mais velhos não tem medo de robôs assumirem seus empregos. Mesmo os mais jovens da Geração Z não parecem estar muito preocupados, com 63% dos entrevistados não tendo medo de que robôs “peguem” seus empregos. Mais da metade (58%) dos colaboradores da Geração Z disseram acreditar que os benefícios da tecnologia superam o risco, segundo o relatório.

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