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ERP pós-moderno: o próximo passo da revolução empresarial

ERPs nativos da nuvem geralmente são projetados na arquitetura pós-moderna, mas sistemas monolíticos também podem se beneficiar do mesmo ecossistema

Por Caio Klein*

04/11/2019 às 15h51

Foto: Shutterstock

A grande maioria dos ERPs em execução hoje são baseados em uma arquitetura monolítica. Este era o padrão na década de 90 e no começo dos anos 2000. Afinal, eles eram desenvolvidos em um mundo sem uma conexão de internet confiável, recursos de hardware limitados e uma predominância de uso de rede local. Você precisava de tudo em um pacote de software ou de pelo menos ter tudo instalado no mesmo conjunto de servidores do seu datacenter local. Hoje, tudo é bem diferente. A conectividade é onipresente e sistemas isolados estão sendo substituídos por acoplamentos frouxos entre módulos altamente integrados, projetados para atualizações rápidas, que criaram um ritmo totalmente novo de inovação.

O Gartner criou o termo ERP pós-moderno. Ele se refere a uma nova geração de software projetada em uma arquitetura que preserva a funcionalidade principal do ERP, mas integra módulos menores compatíveis com qualquer implantação para atender às necessidades específicas do cliente. Esses módulos podem ser fornecidos pelo mesmo fornecedor de ERP ou por uma solução de terceiros (geralmente consumida como um serviço de nuvem). Há vários motivos para essa mudança arquitetônica possibilitada por uma internet mais rápida e confiável e pela nuvem.

Muitos ISVs (desenvolvedores independentes) ainda gastam uma quantidade significativa de esforço com o desenvolvimento para suportar funcionalidades que não agregam valor à solução geral. O cálculo de imposto é um bom exemplo. A publicação de atualizações para acomodar regras fiscais que estão sempre mudando exige uma equipe totalmente dedicada. O software precisa de atualizações constantes para evitar erros de cálculo de impostos, o que representa milhares de atualizações do sistema. Esse esforço é replicado entre várias soluções de ERP, mantendo uma arquitetura monolítica. A abordagem pós-moderna retirou o cálculo do imposto do núcleo do ERP. Para calcular o imposto de qualquer item, o ERP envia uma solicitação online para um serviço de cálculo de imposto de terceiros alocado na nuvem. Esse serviço é mantido por uma empresa que fornece esses cálculos de imposto a centenas de ERPs integrados. Uma única atualização nos serviços de nuvem é suficiente para atualizar o cálculo de impostos para todos os ERPs conectados. O serviço é mais rápido, mais preciso e mais fácil de implantar e de manter. A emissão da mesma solução para vários ERPs expande o mercado e permite que os provedores de cálculo de impostos forneçam uma oferta mais competitiva.

Um mercado rico foi desenvolvido em torno de ERPs pós-modernos, incluindo soluções para e-commerce, bancos, recursos humanos e uma variedade de módulos capazes de se integrar diretamente ao núcleo do ERP. No geral, isso aumenta o valor do software e os dados que ele gerencia. Esses módulos altamente integrados e facilmente acoplados trazem flexibilidade ao ecossistema ERP. As empresas podem escolher entre vários fornecedores buscando a melhor abordagem para cada módulo necessário para suas operações.

Os ERPs nativos da nuvem geralmente são projetados na arquitetura pós-moderna, no entanto, sistemas monolíticos também podem evoluir e se beneficiar do mesmo ecossistema.

Os ISVs menores devem planejar cuidadosamente como abrir seus ERPs, construindo interfaces compatíveis e poderosas o suficiente para se integrar aos provedores de serviços existentes e estar na nuvem facilita bastante este processo. Pensando neste cenário, existem hoje, plataformas que permitem aos desenvolvedores independentes integrarem suas soluções com outras plataformas, como por meio do uso de gateways de API e conectores, publicando uma interface padronizada no ERP. Qualquer solução externa que exija integração deve desenvolver seu conector a essas plataformas e, uma vez que isso é feito, qualquer cliente rodando o ERP pode se beneficiar de tal integração.

Com isso, diversos desafios são solucionados, como autenticação, autorização, padronização, controle de volume e auditoria. O ISV e o cliente do ERP controlam exatamente como o ERP se conecta ao mundo. O ideal é que a plataforma escolhida represente um único hub que conecta provedores de soluções a vários ERPs. É um grande mercado de soluções que conectam os softwares dos clientes a qualquer tipo de serviço disponível na nuvem, ou seja, sem dúvida vivemos o ERP pós-moderno.

*Caio Klein é Diretor Executivo de Operações Internacionais da Sky.One

 

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