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Empresas tradicionais buscam inovação mirando digitalização

Grandes empresas inovam em ritmo acelerado, enquanto seus CEOs exploram formas inovadoras de facilitar a Transformação Digital

Redação

17/01/2019 às 13h44

Empresas tradicionais buscam inovação mirando digitalização
Foto: Shutterstock

Enquanto 85% de uma longa lista de 677 líderes de estratégia corporativa concordam que a inovação é importante, 78% admitem concentrar-se apenas em mudanças incrementais, em vez de iniciativas disruptivas. Esse é o resultado de um recente estudo publicado pela consultoria norte-americana CB Insights, focada em identificar próximas tendências no mundo dos negócios. Na era digital, a transformação é crucial, mas mesmo assim, 41% dos entrevistados assumem que estão "extremamente" ou "muito" em risco por empresas ou tecnologias emergentes.

A Transformação Digital tornou-se imperativa para todas as empresas, pequenas, médias e principalmente as grandes e globais. Seja na automação, logística, software ou no varejo, proporcionar uma boa experiência de negócios digital a clientes e colaboradores requer o uso de novos negócios inovadores. Não se trata apenas de criar SACs virtuais, websites, e-mails ou perfis em redes sociais. Tudo isso é muito válido, mas são apenas iniciativas digitais.

“Tornar uma empresa digital implica fazer mudanças não só em equipamentos e sistemas, mas imprimir essa nova mentalidade da cultura corporativa até aos processos”, comenta Marc Puškarić, líder do Bertelsmann Brazil Investments, braço do Bertelsmann Investments, que agrupa as ações do Grupo Bertelsmann em startups e em empresas inovadoras ao redor do mundo.

“Para permanecerem competitivos, os executivos mais experientes estão buscando novas formas de trazer criatividade e velocidade para o ecossistema corporativo tradicional. Não é simples, requer investimentos e leva tempo, mas a modernização dos processos das empresas se tornou fundamental para a sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo.”

De olho nas atividades internacionais
Um dos grupos editoriais mais tradicionais do Brasil precisou se reinventar para obter melhores resultados, acompanhando a evolução e tendências de consumidores altamente conectados. Fundada em 1986, a Companhia das Letras atualmente busca incorporar tendências globais em seu plano de negócio estudando as mudanças de hábito e comportamento de seu leitor. É o agir local e pensar global. “Estamos tentando ser uma empresa longeva com inovação”, Matinas Suzuki, diretor da Companha das Letras. “A aproximação com a Penguin Random House foi muito importante por isso, trouxe essa aproximação com a cultura da inovação”, completa.

Desde novos produtos e serviços, até práticas comerciais, a Companhia das Letras vem trabalhando em um processo de adaptação ao novo mercado. “Hoje, nossa equipe de vendas trabalha mais com números e dados científicos. Tivemos que mudar nossa postura, nos adaptamos”, afirma Suzuki “Passamos por uma mudança de gestão muito grande nos últimos anos, percebemos que o editor de 30 anos atrás é diferente daquele das próximas décadas.”

Como parte deste processo de adaptação está o lançamento de audiolivros. Em agosto, o Grupo Companhia das Letras lançou, pelo selo Áudio Companhia, seus primeiros audiobooks, dando início à comercialização de importantes títulos de seu amplo catálogo nesse formato.

A publicação selecionada para a estreia foi 21 lições para o século 21, de Yuval Noah Harari, autor que já vendeu mais de 12 milhões de cópias no mundo. Pela primeira vez no Brasil, um lançamento é publicado ao mesmo tempo nos três formatos: livro físico, e-book e audiolivro. Essa iniciativa foi uma grande aposta da área de inovação da companhia e já registra mais de mil exemplares vendidos.

Matéria-prima: dados
Para o provedor de serviços Arvato, o Machine Learning e a Inteligência Artificial já são parte do ecossistema corporativo para a Transformação digital. No Brasil, a empresa investe em novas ferramentas para oferecer aos clientes uma experiência de serviço ainda melhor e acomodar suas necessidades e desejos, também com a parceria e os conhecimentos da Arvato global.

“Nosso serviço de supply chain era pequeno”, lembra Jackson Ribeiro Jr, diretor da Arvato no País. Nos últimos anos, o acúmulo de conhecimento atingiu uma nova dimensão. “Hoje, 95% dos nossos negócios são clientes globais de tecnologia”, completa. Ao incluir a análise de dados, as companhias conseguem descobrir o máximo possível sobre seus clientes e realizam um trabalho muito melhor ao criar novos produtos e serviços, além de ter melhor eficiência em seus processos e desempenho financeiro.

Para as empresas, a capacidade de compreender o comportamento do cliente é extremamente valiosa. Se o cliente se sentir compreendido, é mais provável que ele permaneça fiel ao fornecedor e use mais de seus produtos.

Poder da criatividade e empreendedorismo
“Apesar de tudo isso, o nosso diferencial está nas pessoas”, reforça Ribeiro. “Eles são a essenciais para o negócio continuar crescendo”. A tecnologia em si é apenas uma ferramenta que os líderes podem usar como bem entenderem. Por exemplo, podemos optar por usar a Inteligência Artificial e outras aplicações emergentes para substituir o trabalho humano, mas não precisam deslocar as pessoas que fizeram esse trabalho.

Para Paula Cavalcanti, CEO da Fremantle no Brasil, criadora, produtora e distribuidora de conteúdo para TV, os CEOs precisam ter um perfil empreendedor, “diferente de atuarem como meros administradores”. “Aqui, tenho cinco unidades pensantes e autônomas, cada colaborador da equipe tem liberdade e responsabilidade que faz com que a companhia cresça de forma exponencial. Isso tem muito a ver com a capacidade de criação e desenvolvimento de cada um”.

Com o avanço da tecnologia, a questão é: qual será a habilidade mais cobiçada do futuro? Na opinião dos dois líderes de empresas de segmentos diferentes é a mesma, a criatividade e o espírito empreendedor, tanto de CEOs quanto de seus colaboradores. A Transformação Digital é uma mudança irreversível, no entanto carece de imaginação, criatividade e de força de vontade de seres humanos para acontecer. Só resta às capacidades humanas fornecer uma estratégia renovada para o sucesso, tanto tecnológico quanto de adaptação para um novo tipo de mercado e de consumidor.

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