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Empresas dos EUA pedem liberação de vistos para resolver problema da mão-de-obra

Mas será que há mesmo a falta de profissionais de TI no país? Várias notícias apontam demissões em massa e a dúvida é: qual seria o interesse em criar essa situação?

IDG News Service

20/03/2008 às 12h48

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Não se passa sequer um dia sem que alguma pesquisa ou estudo informem ao público que a indústria de alta tecnologia nos Estados Unidos sofre desesperadamente com a falta de profissionais de TI especializados.

O comentário coincide com a notícia que a Microsoft possui mais de 4 mil vagas de empresa abertas e que o chairman da companhia, Bill Gates, estaria fazendo lobby junto ao congresso dos EUA para facilitar a liberação do visto H-12 para permitir que as companhias naquele país possam contar com profissionais estrangeiros para ocupar as vagas.

O próprio COMPUTERWORLD Brasil mostrou em reportagem como as empresas norte-americanas tentam inclusive pleitear mais vistos de trabalho para que imigrantes possam ocupar vagas por lá.

Para colocar ainda mais lenha na fogueira da discussão sobre o déficit de profissionais, muitos observadores da indústria de TI comentam que os baby boomers estarão aptos a se aposentarem nos próximos anos. E conforme essa geração de trabalhadores migra para a área de consultoria, posições de meio período ou a aposentadoria total, o número de profissionais de tecnologia continua definhando – deixando o que muitos prevêem ser um grande talento para a indústria.

No entanto, freqüentemente a Network World recebe informações da comunidade de TI dando conta que muitos profissionais especializados estão atualmente disponíveis e procurando emprego em algumas das maiores empresas de tecnologia do país.

"Os gerentes responsáveis por contratações têm dito a seus diretores que não há  profissionais especializados nos Estados Unidos e que eles devem buscar H-1Bs para preencher posições vazias", diz Terri Morgan, diretor da Wudang Research Association. Ela diz que encontrou um problema ao tentar atender à solicitação de contratações por empresas nos EUA, como a IBM.

"Há uma série de profissionais com especialidades muito boas e que conhecem a cultura, mas talvez não tenhamos um item procurado pelos departamentos de recursos humanos. Os candidatos ao H-1B sabem manipular o sistema e as companhias sabem fazer parecer que as opções aqui estão esgotadas", critica.

Em alguns casos, os números não mentem. Há menos estudantes norte-americanos procurando graduação em ciências da computação ou engenharia - já o número de estudantes estrangeiros não cai. De acordo com a National Science Foundation, em 2006, 73% dos novos PhDs em engenharia elétrica foram concedidos a estudantes internacionais, o mesmo aconteceu com 64% de todos os diplomas de engenharia.

Segundo o Forrester Research, o mais velho dos 78 milhões de baby boomers nos Estados Unidos estão chegando à idade de aposentadoria. Além disso, os 48 milhões dos Gen Xers não substituirão os boomers, e a próxima geração, Gen Y ou Millennials, chegam com uma ética de trabalho tão diferente que todas as indústrias sentirão os impactos.

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Tudo isso leva a uma questão: há hoje um significativo déficit de profissionais de TI especializados nos Estados Unidos? Será que esse déficit será visto no futuro? Se isso não é verdade, por que as empresas de pesquisas de mercado estão criando esse pânico virtual? E por que as organizações dizem não conseguir preencher vagas abertas?

O que é que impede esses profissionais talentosos de serem contratados por empresas em busca de exatamente as mesmas especializações que muitos deles detêm? Será que essa falta de profissionais é uma invenção ou será que os EUA estão mesmo perdendo sua capacidade de inovação pela falta de interesse em TI?

Comentários, dicas ou uma luz sobre esse momento vivido pelos gestores de TI são muito bem-vindos. Inclusive a reflexão pode ser ampliada para outras fronteiras. Por favor, enviem e-mail com idéias ou pensamentos sobre esse tópico, ou deixem comentários aqui neste site.

Esse assunto deverá ser novamente abordado pelas redações do IDG aqui e nos EUA e gostaríamos muito de contar com a sua opinião ou informação.


Denise Dubie , Network World

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