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É hora de prestar atenção na prática do Compliance na esfera digital

E de que forma o Compliance, aplicado ao cenário de TI, pode beneficiar a posicionamento de uma empresa no mercado

Flávio Paiva *

13/06/2018 às 9h38

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Justamente pelo seu avanço contínuo e acelerado, e por ser o ambiente
online um espaço ainda tão sujeito às violações de normas, condutas e
até hackeamentos, é possível conceber, claramente, uma ligação de
importância entre o Compliance e o mercado digital
e de TI. Mas, afinal de contas, o que significa o termo “compliance”?

Para resumi-lo em uma só palavra, “conformidade” é a escolha ideal. A
prática do compliance nada mais é do que a cooperação de todos os
membros envolvidos em determinado procedimento para que todas as regras
estipuladas sejam seguidas de maneira clara, transparente.
Portanto, ao falarmos de compliance no mundo do TI, falamos, antes de
mais nada, da cultura organizacional aplicada ao uso aparatos digitais
que temos em mão em nosso dia-a-dia corporativo.

Obstáculos e avanços
Talvez um dos maiores impasses que o compliance no mundo digital tenha
enfrentado seja a falta de uma regulação própria para o ambiente online.
Não raramente, por ser uma área ainda nova no mercado, profissionais do
campo não sabiam ao certo como seguir uma
conduta de regras que garantisse a segurança de todos os dados
envolvidos nos processos digitalizados. Mas felizmente, isso tem mudado
com o passar dos anos.

Um exemplo disso é o monitoramento de e-mails empresariais, os quais por
muito tempo requisitavam de uma jurisprudência para serem passíveis ou
não de supervisão. Hoje, o profissional já pode contar com o artigo 932
do Código Civil, o qual legaliza que tais
informações sejam inspecionadas e, de acordo com seu conteúdo, seus
autores se responsabilizem integralmente com suas consequências. Dentre
outros exemplos, podemos citar a Lei contra Crimes Eletrônicos, a que
trata de Direitos Autorais, Home-Office e Marco
Civil da Internet, por exemplo, todas as quais vem, ao longo dos anos,
se aprimorando no quesito de cooperação e armazenamento de informações
no meio digital.

Medidas regulatórias e a necessidade de políticas internas
Embora já existam diversas leis acerca destes métodos de conformidade
digital, nem sempre um gestor está completamente ciente de sua
existência. Mas isso não quer dizer que sua empresa estará à mercê de
achismos no assunto. Simples práticas rotineiras podem
garantir uma boa conduta do gerenciamento de informações e conteúdos
digitais.

Dentre essas práticas, podemos citar: políticas internas a respeito do
uso de recursos de TI, auditorias prévias que conscientizem todos os
colaboradores sobre as regras, aparatos utilizados, suas funções e
formas de manuseio, constante atualização da empresa
quanto a novas ferramentas e possibilidades, transparência na
comunicação perante outros membros da equipe, relatórios detalhados de
todas as atividade exercidas, dentre muitas outras ações que podem
otimizar a relação da sua empresa com a tecnologia.

Tais medidas, quando seguidas corretamente por todos os membros de uma
corporação, trarão a longo prazo benefícios estruturais para uma
empresa, tais como a redução de custos com averiguações de sistema,
maior segurança de dados, maior credibilidade em seu
mercado, otimização na relação com seus clientes, aumento de
produtividade com a utilização segura de diversos aparatos tecnológicos,
além do aumento de produtividade e rendimento de toda a corporação.

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Conclusão
Por fim, não podemos esquecer do fator que reside na essência do
processo de Compliance, seja ele referente a esfera virtual ou não: a
comunicação transparente dentro de uma equipe. É ela que irá ditar se
todas as medidas acima citadas serão ou não uma possibilidade
em qualquer ambiente empresarial, pois a clareza é o que garante que
todos os colaboradores estejam aptos agir de acordo com a conduta
proposta para o crescimento da empresa.

O Compliance, vale reforçar, é uma prática que reside na ética e no bom
senso, e por isso pode ser aplicado em todas as esferas das relações
interpessoais. Se nesta primeira camada ele não funciona, não é na
digital que alcançará seu sucesso. Um compliance
de TI bem sucedido nada mais é do que a consequência de uma dinâmica
saudável e fluida dentro de um ambiente corporativo. Logo, o exercício
destes processos de conformidade, baseado em interações humanas bem
desenvolvidas, é essencial para que uma política
de Compliance seja bem executada e os frutos sejam colhidos em prol do
sucesso e fortalecimento do posicionamento de mercado de qualquer
empresa.

 
(*) Flávio Paiva é gestor de TI, engenheiro elétrico, sócio e CEO da ITO1

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