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É chegada a hora do desenvolvimento de software orientado por hipóteses

Uma grande oportunidade para testar o que você pensa ser um problema, antes de começar a trabalhar na solução

Barry O’Reilly *

16/01/2017 às 7h13

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Embora pouco conhecido, o conceito de desenvolvimento de software e
negócios Hypothesis-Driven Development (ou "Desenvolvimento Orientado
por Hipóteses") não é estranho à maioria dos profissionais. Basta
recordar as aulas de metodologia científica.

Recordando: observa-se o mundo ao redor, formula-se uma explicação
prévia, ou hipótese, para explicar determinado fenômeno. Então, testamos
essa hipótese em um teste controlado. Caso o resultado esperado seja
obtido, nossa teoria é confirmada, servindo de base para novas
explorações. Caso não, a hipótese inicial é abandonada e novas
alternativas são buscadas.

A experimentação é a base do método científico, uma forma sistemática
de explorar o mundo. Embora os experimentos científicos sejam
associados a laboratórios, eles podem ocorrer em todo o lugar, a
qualquer tempo, inclusive no desenvolvimento de software e novas
propostas de negócio.

Praticar a metodologia de "Desenvolvimento Orientado por Hipóteses" é
pensar sobre o desenvolvimento de novas ideias, produtos e serviços –
incluindo mudanças organizacionais – como uma série de experimentos para
determinar se um resultado esperado foi alcançado. O processo é
realizado até que o resultado esperado seja obtido ou a ideia se mostre
inválida.

Precisamos passar a entender uma solução proposta para determinado
problema como uma hipótese, especialmente no desenvolvimento de um novo
produto ou serviço – que envolva o mercado que se está mirando, o modelo
de negócio, como os códigos irão se comportar e até como o consumidor
irá usá-lo.

Não fazemos mais projetos, mas sim experimentos. As estratégias de
Customer Discovery (Descoberta do Consumidor) e Lean Startup são
empregadas para testar suposições acerca dos consumidores. O princípio
da experimentação também se aplica ao desenvolvimento orientado a testes
– nós criamos o teste antes, depois usamos o teste para validar se a
programação está correta. Em última instância, o desenvolvimento de um
produto ou serviço é um processo de teste de uma hipótese de um
comportamento em um ambiente ou mercado almejado.

Os principas benefícios da abordagem de experimentação são as
evidências mensuráveis e o contínuo aprendizado. Apreender é o que
ganhamos ao conduzir um experimento. O que esperávamos realmente
aconteceu? Se não, quais inputs podem nos ajudar a direcionar o que
devemos fazer a seguir? Ou seja, para aprender, temos que utilizar a
metodologia científica para investigar um fenômeno, adquirindo novos
conhecimentos e corrigindo e integrando os conhecimentos prévios à nossa
visão geral.

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Com o amadurecimento da indústria de software, temos agora novas
oportunidades de alavancar capacidades fundamentais como entrega e
design contínuo para maximizar nosso potencial de aprender rápido o que
funciona ou não. Ao empregarmos a abordagem experimental para descobrir
informações, nós podemos testar mais rapidamente as soluções propostas
versus os problemas identificados nos produtos e serviços que queremos
desenvolver. Com o objetivo de otimizar a efetividade da solução dos
problemas certos, ao invés de se tornar uma fábrica de recursos que
continuamente constrói soluções.

Um exemplo de empresa para qual trabalhamos que utiliza a metodologia
de Desenvolvimento Orientado a Hipóteses é a Lastminute.com. A equipe
do projeto formulou uma hipótese que previa que consumidores apenas
tinham predisposição a pagar um preço premium para um hotel de acordo
com o período do dia em que eles fazem a reserva. Tom Klein, CEO e
presidente da Sabre Holdings, compartilhou essa história de como eles
aumentaram a taxa de conversão em 400% em uma semana.

Combinar práticas como o "Desenvolvimento Orientado a Hipóteses" e a
"Entrega Contínua" acelera a experimentação e amplifica o conhecimento
validado. Isso permite que aceleremos a taxa de inovação enquanto
reduzimos sensivelmente os custos, deixando os concorrentes para trás.

Idealmente, visamos atingir o seguinte processo: mudanças radicais,
que nos permitem identificar relações de casualidade entre mudanças em
nossos produtos e serviços, com seus respectivos impactos nas métricas.

"Desenvolvimento Orientado a Hipóteses" é uma grande oportunidade
para testar o que você pensa ser um problema, antes de começar a
trabalhar na solução.

 

(*) Barry O’Reilly é
co-autor do livro “Lean Enterprise”

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