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Dual, híbrido ou tudo definido por software?

Em tempos onde a entrega precisa ser rápida e contínua, padrões, modelos e processos precisam ser revistos

Pedro L Bicudo Maschio*

04/07/2019 às 14h53

Foto: Shutterstock

A gestão de TI vem passando por grandes transformações nos últimos anos. O tempo de perguntar ao cliente o que ele quer para depois entregar, acabou. Escrever requisitos, especificar entregas, priorizar projetos e medir satisfação do usuário não cabem mais na era digital.

Essa mudança balança a cadeira do CIO e dos gerentes de TI. Rompe com os padrões COBIT, ITIL, RUP e CMMi. E se você conquistou essas certificações, infelizmente, elas não têm mais valor para sua ascensão de carreira e, às vezes, são insuficientes para manter seu emprego atual.

O novo é design thinking, ágil, scrum, DevOps, e tudo contínuo na integração, teste e deploy. Principalmente, a entrega é contínua, ininterrupta. Flexível como a nuvem. Desapegado do investimento, como SaaS. São novos padrões, modelos, processos, profissionais e certificações.

Aí alguém chega e diz: o negócio é a TI dual. É você implantar modo 1 e modo 2. É permitir que o velho conviva com o novo. Essa história já tem alguns anos, mas desconheço quem tenha tido sucesso em implantar a tal TI dual. Quem falou para fazer não explicou como fazer. Quem tentou ficou pouco tempo no cargo, porque você não fica bom nem no antigo, que já não funcionava mesmo, e nem consegue implantar o novo, porque fica preso ao velho. Como se diz por aí, é uma roubada.

Já quem apostou no novo, sai nas revistas, recebe prêmios e muda de emprego para ganhar mais. O guia rápido é pensar no novo, já descrito em uma infinidade de artigos e livros. Passa, necessariamente, por cloud híbrida e desenvolvimento ágil.

Priorize levar tudo para cloud. Não significa que tudo tem que estar em um único provedor ou que tenha que pagar em dólar. Pode ser provedor nacional. Cloud significa a virtualização completa, para que a TI seja flexível, dinâmica e rápida. É a velocidade e liberdade que justificam mudar tudo para cloud; não é o custo.

Mas o custo não pode ser mais alto, é claro. Para ser flexível e ágil, as aplicações têm que ser modificadas para usar APIs e microsserviços, que permitem pagar apenas pela parte utilizada. A maioria das aplicações legadas podem ser convertidas, ou desmontadas, para funcionarem como serviços menores. Mas há aquelas que não chegam em um custo-benefício razoável. Típicos exemplos são bancos de dados muito grandes com licenciamento já feito, que ficam mais caros em nuvem; esses ficam em máquinas dedicada, conectados aos serviços de nuvem. A eficiência vem de ter tudo embaixo de uma única ferramenta de gestão, o chamado SDDC – Software Defined Data Center. Nada de dual, nada duplicado. Tudo junto, formando uma cloud híbrida.

Um estudo recente da ISG (isg-one.com) intitulado “Private/Hybrid Cloud — Data Center Services & Solutions 2019”, identificou um constante declínio no mercado de outsourcing tradicional, enquanto a mudança de data centers próprios para a nuvem não para. As empresas de colocation também crescem, porque hospedam as aplicações que não são eficientes em nuvem pública, participando de uma cloud híbrida. Uma característica interessante dessa combinação cloud-colocation é que o link é de altíssima velocidade, e acessível, permitindo um alto desempenho de sistemas que é quase impossível de se obter em data centers proprietários.

As novas ferramentas SDDC integram diversas ferramentas e soluções para entrega contínua e mesmo as aplicações legadas passam a usufruir de DevOps, automação, contêineres e demais tecnologias que viabilizam o ágil. O fato de uma aplicação legada não precisar de atualização diária não é motivo para não se ter times ágeis no suporte dessa aplicação. Na verdade, um time ágil pode cuidar de várias aplicações legadas, fazendo deploy na velocidade do negócio. A ISG vem chamando isso de “multi-speed agility”.

Com essa base criada, o próximo passo é viabilizar Serverless Computing, Infrastructure as Code (IaC), Cognitive Computing e AI-as-a-Service (inteligência artificial como serviço). Parecem termos complexos, mas são apenas serviços. Sua meta como TI é viabilizar que os desenvolvedores e usuários possam usar tudo como serviço. Preferencialmente self-service, ou seja, sem pedir nada para TI. O seu catálogo de serviços de TI se transforma em um catálogo de APIs e microsserviços. Por exemplo, o pessoal de testes precisa de um ambiente com banco de dados para testar as aplicações por 12 horas, chama um item do catálogo IaC que automaticamente sobe um container pré-configurado e no final das 12 horas, automaticamente desliga o ambiente.

A nova TI é transparente para o usuário com um novo catálogo, tudo em cloud, tudo como serviço.

*Pedro Bicudo é analista e autor dos estudos ISG Provider Lens, acompanhando de perto as transformações nos mercados de serviços globais e no Brasil há mais de 20 anos. Atuou na Gartner Inc. como Manager Vice-President, gerenciando as operações na Ásia e América Latina. As pesquisas no Brasil são feitas em parceria com a TGT Consult

 

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