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Do voucher impresso à inteligência digital

Como entregar um produto ou serviço personalizado se preciso produzir em escala? A resposta está no uso inteligente de dados

Adriano Tchen*

25/11/2019 às 17h16

Foto: Shutterstock

O meu primeiro computador foi comprado pelo meu pai na Fenasoft. Para quem é muito jovem e não conhece, era a maior feira de informática do Brasil nos anos 1990 e acontecia, anualmente, em São Paulo. Ao resgatar essa memória, penso em toda a transformação que acompanhei desde então na minha carreira e no mercado.

Da aquisição do meu PC aos dias atuais, tenho testemunhado grandes mudanças impactadas especialmente pela tecnologia, que tem pautado um novo jeito das pessoas se relacionarem e das empresas fazerem negócios. Vimos indústrias antigas sumindo e novos mercados surgirem. Uma forte digitalização de processos tem impulsionado as empresas, independentemente do setor de atuação, a se tornarem cada vez mais empresas de tecnologia. Inovadoras não só pelas ferramentas que usam, mas principalmente por entender o comportamento de seus clientes, pela mudança da atitude de seus profissionais, pelos produtos e serviços que ofertam e pelo atendimento.

Para entender toda essa transformação do mercado é preciso mudar junto. Como empresa, precisamos entender quais os novos skills que vamos priorizar em nossos profissionais. Uma boa formação universitária já não é mais garantia de sucesso. Hoje, as empresas buscam também pessoas com abertura para mudanças constantes, que priorizem o aprendizado contínuo e que já tenham entendido que um ambiente de trabalho diverso é bem mais produtivo.

Já quando falo sobre diversidade, quero reforçar que é muito além de uma palavra que está na moda. Na área de TI, por exemplo, falo da capacidade dos profissionais desenvolverem um produto com pessoas de outras áreas, com formação diferente, novas ideias, pontos de vista contraditórios. A TI não é mais uma sala segregada, fechada, onde só entra quem sabe falar “tecniquês”. Pelo contrário, é preciso derrubar as paredes, literalmente ou não, e incentivar a formação de equipes cada vez mais com a visão do negócio e multidisciplinares.

Talvez você esteja se questionando como fazer isso. Digo que não há uma receita pronta e cada empresa precisa olhar para o seu negócio e entender o que faz ou não sentido. Porém, existem alguns pontos que ajudam nessa identificação para uma oferta mais acertada.

Como eu, enquanto empresa, consigo entregar um produto ou serviço personalizado se preciso produzir em escala? A reposta pode estar no uso inteligente dos dados. Se por um lado, essa inteligência ajuda a desenvolver um negócio baseado em informações reais e não mais em intuição, por outro, permite colocar o cliente no centro das decisões e individualizar sua experiência com a marca. Como pessoa física, geramos todos os dias um alto volume de dados e assim também é com as empresas, de forma exponencial.

A previsão é que as organizações acumulem o volume de 44 zetabytes até 2020 e 163 zetabytes em 2025 (sendo que 1 zetabyte é equivalente a 1021 bytes), de acordo com a consultoria IDC, empresa de inteligência de mercado e consultoria nas indústrias de tecnologia da informação, que prevê também que a soma de negócios envolvendo big data deve alcançar US$ 260 bilhões em investimento em 2022.

Trabalho na área de meio de pagamentos e benefícios há 20 anos e um exemplo prático dessa transformação é que se até uns anos atrás bastava uma empresa oferecer aos seus colaboradores um voucher em papel com um valor determinado para que realizasse sua refeição diária. Hoje é preciso entregar muito mais que um saldo em conta, é preciso promover uma experiência personalizada, que é possível com o uso dos dados transformados em inteligência. Se em uma terça-feira chove na hora do almoço, por exemplo, eu consigo ao analisar os dados de consumo e comportamento, sugerir por meio de aplicativo um restaurante favorito mais próximo do trabalho e que ainda ofereça desconto especial. Dessa forma, a tecnologia é capaz de conectar a empresa que oferece o benefício, o estabelecimento comercial e o cliente.

No final do dia, o que vale a pena é isso, transformar centenas de bytes em um produto que realmente entregue valor para todo o nosso ecossistema de negócios.

*Adriano Tchen é CTO da Alelo, bandeira especializada em benefícios, gestão de despesas corporativas e incentivos. Formado em ciência da computação e com MBA em gestão de negócios pela FGV, possui cerca de 20 anos de experiência em tecnologia da informação

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