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Do Design Thinking para o Experience Thinking

O “Experience Thinking” abrange um novo escopo para os designers, indo além das funções e aproveitando o poder emotivo da experiência do consumidor

Alejandro Chocolat *

13/08/2018 às 17h37

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Na Era da Experiência, a expectativa do cliente se
transformou. Não é apenas uma boa ideia para uma empresa ou marca oferecer uma experiência
com seu produto, isso é imperativo quando se quer causar um impacto real no
mercado. Isso vem transformando o escopo do significado do design.

O design evoluiu para além da
modelagem do produto, que antes era a expressão direta da intenção do design,
definido sob as restrições físicas das tecnologias disponíveis, materiais,
ergonomia, tarefas e funções bem definidas. Porém, na Era da Experiência, os produtos
são desmaterializados, reduzidos a “caixas-pretas”, enquanto integram o domínio
de nossa vida aumentada. O escopo e o valor do design têm agora um lugar
crítico.

A perspectiva do design está se
modificando de conceber produtos para projetar experiências, envolvendo os
consumidores finais de uma forma completamente nova. Ela vai além da estética
para significados sociais genuínos, investindo em um escopo maior de ações através
de um amplo espectro de novas disciplinas. Essa “transdisciplinaridade” do
design impacta os modelos de negócios, cria novas ofertas, novo engajamento
social e convoca novos usos da ciência para a concepção de experiências significativas
e sustentáveis.

Tradicionalmente consideramos o “Design Thinking” colocando o “humano” no
centro de um projeto ou proposição de valor e decifrando o que as pessoas
realmente querem, mas não conseguem expressar. O “Design Thinking” foi o primeiro passo visível da transformação do
design, movendo do conceito subjetivo do designer individual para um modelo de
engajamento empático, alavancando uma abordagem social participativa e
múltiplos pontos de vista.

As empresas utilizam o “Design Thinking” para identificar uma
oportunidade de mercado e criar uma solução que ofereça valor aos clientes. Isto
é um avanço para projetar produtos melhores com identidade clara, com eficiência
e utilidades bem definidas. Porém, o mundo e o design têm rapidamente mudado
para aspectos mais amplos e holísticos, atacando sistemas complexos e
considerando todo o ecossistema tecnológico e de serviços, definindo com os
usuários uma experiência única e contínua.

Esse domínio mais amplo do “Experience Thinking” abrange um novo
escopo para os designers, indo além das funções e aproveitando o poder emotivo
da experiência do consumidor. Eles elaboram cenários futuros e constroem protótipos
3D em tempo real, utilizam tecnologias imersivas, universos virtuais e
desenvolvem modelos mestres digitais 3D com informações integradas. Designers estão
adquirindo habilidades para acessar novas informações, incluindo conhecimentos reunidos
de estudos, mas também uma grande variedade de dados capturados por sensores.
Esses dados, combinados, sociais e científicos, fornecem um novo material para
a criatividade.

O conteúdo digital é o novo nexo para
pensamentos, interpretação e para a tomada de decisões. As ferramentas certas e
plataformas para idealização, virtualização, manufaturabilidade e sustentabilidade
permitem que os designers e empresas visualizem e validem os projetos
experimentais em qualquer estágio do processo de desenvolvimento. Designers podem
construir as ligações entre produtos e suas interações, tornando visíveis as
conexões emocionais e sua utilização. Os dados e os sentidos se combinam para
novas propostas equilibradas.

Para onde iremos a partir daqui dependerá
de como utilizaremos o design para transformar os ecossistemas corporativos
para criar projetos que cativem os usuários, acelerem a adoção da tecnologia e
forneçam experiências éticas e sustentáveis. Sem dúvida, os usuários irão
“co-projetar”, o que modifica profundamente nossas experiências de vida e muda,
para sempre, a maneira como as pessoas vivem, viajam e interagem com a
tecnologia no futuro.

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Profissionais de design de todos os
setores (arquitetos, designers industriais e especialistas de transporte) podem
hoje transformar seus processos, metodologias e aplicações para “Experience Thinking”, para imaginar,
projetar e fabricar propostas inovadoras.

Colaborando nesse novo ambiente de
inovação, o “Experience Thinking”
pode ajudar as organizações a construírem a promessa de sua marca e as emoções
que ela evoca. Então, cada experiência de cliente se destaca como uma conquista
singular, como também proporciona um centro de gravidade perfeito que cria
fidelidade à marca e satisfação do cliente.

 

(*) Alejandro Chocolat é diretor geral da Dassault
Systèmes na América Latina

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