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Do Chile ao seu prato: a tecnologia na produção do salmão

CIO da Multiexport Food, segunda maior fornecedora do peixe no mundo, fala da visão de TI e da jornada digital da empresa

Por Vitor Cavalcanti*

09/09/2019 às 9h30

Foto: Divulgação

Quando compramos um salmão no supermercado ou mesmo pedimos esse peixe num restaurante, dificilmente pensamos em seu processo produtivo e muito menos na tecnologia envolvida para que o produto chegue a diversos lugares com qualidade. Mas falando apenas de TI, a surpresa é grande, sobretudo quando se percebe que existe uma jornada digital bastante estratégica e com preocupações legítimas com seu entorno. A história narrada a seguir é da Multiexport Food, maior produtora de salmão do Chile e segunda principal do mundo.

Para falar da área de tecnologia e de sua visão para o grupo, o CIO Rodrigo Rodriguez Tejos lembra que a companhia precisou, antes de tudo, entender o novo contexto de mundo, com rápida urbanização, mudanças climáticas, a revolução 4.0 e o próprio empoderamento da sociedade. “Tudo isso muda a forma que fazemos negócios e somos um negócio tradicional em meio a essa transformação”, resume, para ressaltar os três pilares de transformação perseguidos pela empresa: experiência do cliente, transformação da informação e novos modelos de negócio.

Com 2.400 funcionários, vendas anuais que ultrapassam os US$ 600 milhões e atuação em mais de 30 mercados, entre eles o Brasil, que recebe 15% de tudo que a companhia exporta, a Multiexport está amplamente conectada a organizações não governamentais e tem buscado garantir diversas certificações internacionais para mostrar que a indústria aprendeu com os erros do passado e tem se atentado, e muito, a questão ambiental. “Estamos focados em produtos de alta qualidade, clientes e meio ambiente. A empresa está convencida de que pessoas, tecnologia aplicada e sustentabilidade ditarão nosso futuro. Por isso, participo do conselho da empresa”.

O próprio departamento de TI aprendeu muito com o posicionamento da empresa e adotou uma visão muito clara de liderança digital, com apoio ao crescimento e inovação, com vistas a ser um agente interno de mudança e sempre de olho em padrões globais de excelência. A tecnologia está presente em tudo: desde o cultivo do salmão nas regiões mais ao sul de Santiago, capital do Chile, no controle das plantas, passando pela venda e distribuição e chegando aos clientes.

Em meio a jornada para o futuro, a produtora entendeu que as bases precisavam ser sólidas, ou seja, a lição de casa precisava estar bem executada antes de avançar para tecnologias mais avançadas. Assim, um dos grandes passos foi a substituição de um ERP com mais de 15 anos pelo S/4Hana, tudo rodando em nuvem. “Atualizar a versão do provedor antigo daria o mesmo trabalho que começar do zero, por isso, optamos pela SAP. Sistemas satélites que faziam sentido continuar foram todos conectados à nova plataforma de gestão, como o sistema de alimentação dos peixes. Existe um centro de controle para monitorar essa alimentação que representa até 50% do custo de produção e é extremamente relevante para o negócio”, explicou Tejos.

Os centros de produção estão 100% monitorados por sensores que medem maré, temperatura, vento, entre outros, e todo essa informação é utilizada para tomada de decisão. Ainda no caso da alimentação do salmão, câmeras foram instaladas nas plantas de cultivo para monitorar o comportamento da ração. Aliada a um sistema de inteligência artificial, a equipe pode entender se é preciso aumentar ou reduzir a quantidade de comida pela velocidade e volume de ração que afunda na água.

Um programa de inovação implantado há dez anos tem ajudado a empresa a seguir em frente e a provar as mais diversas soluções. Já foram executados, por exemplo, duas provas com blockchain: uma de rastreabilidade do alimento, de maneira que a pessoas que comprar um dos produtos possam entender todo o processo da cadeia produtiva e o segundo teste está mais relacionado ao meio ambiente, utilizando conceitos de economia circular, para entender o caminho de todo plástico na linha de produção. “Existe uma definição da Multiexport de não utilizar plástico de primeira linha, mas os reciclados”, afirmou o CIO.

Além de blockchain, AI e cloud, o departamento de tecnologia também investiu em realidade aumentada e centrais de controle para operar ou consertar máquinas remotamente, mesmo com especialistas à distância. Isso tem sido essencial, já que algumas plantas ficam em áreas remotas e de difícil acesso. Ele acredita, inclusive, que 5G ajudará ainda mais esse tipo de operação. Olhando para o futuro, a Tejos diz que a empresa está avaliando a produção de salmão em alto mare também em terra, obviamente, tudo com o apoio irrestrito da tecnologia. “Em termos de tecnologia e oportunidades, os três maiores produtores do mundo estão muito parecidos e nós precisamos contar a história atual, de que aprendemos com os erros para não errar mais com o meio ambiente.”

*A IT Trends viajou a Santiago a convite da SAP

 

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