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Determinação e generosidade marcam trajetória do CIO da Bayer

Emílio Burlamaqui em seus 35 anos na Bayer nunca disse um único não para qualquer desafio

Solange Calvo

01/03/2019 às 8h11

Foto: Divulgação

Por longos anos, Emílio Burlamaqui, CIO da Bayer Brasil, pulou de colégio em colégio, de cidade em cidade, de país a país, acompanhando os pais em suas rotas profissionais. Até que nos anos 80 deixou a família na Argentina e voltou para o Brasil para ingressar na universidade, abandonando a educação itinerante.

Determinado e ousado, por sua conta e risco, batalhou muito e tornou-se engenheiro eletrônico, especializado em sistemas pela FEI. “Já na universidade, comecei a trabalhar com tecnologia. Na fase de estudante, sempre buscava trabalho, fazia qualquer coisa. E atento às oportunidades, conquistei uma vaga de estagiário na Bayer, aos 23 anos, em 1984”, conta.

Na Bayer, Burlamaqui fazia de tudo: programação, análise de sistemas, infraestrutura, segurança da informação. “Conheci todas as áreas da informática na empresa. Cuidei dos sistemas das sete coligadas espalhadas pelo Brasil.”

O jovem Burlamaqui nunca dizia “não” para qualquer tipo de projeto que caía em sua mesa. “Nunca tive medo de perder o emprego, de me lançar, sempre ousei. Porque tinha em mim a confiança de que eu daria conta, que poderia fazer”, diz sorrindo da própria ousadia.

Nessa toada, acabou responsável pela instalação da primeira rede da Bayer, nos anos 90, em uma das coligadas na Bahia. Um marco na vida profissional do aspirante a líder de TI. Até porque foi uma implantação extremamente complexa, considerando que ficava localizada no interior da Bahia, a 400 km para dentro do município, bem longe dos grandes centros do estado.

Além fronteiras

Em 94, veio o convite para estudar SAP na Alemanha. Foram quatro meses de imersão total no trabalho, incluindo finais de semana, discutindo todos os detalhes e potencialidades da tecnologia. “Sete meses depois, fiz a primeira implementação de SAP da Bayer na América Latina, revolucionando o setor, em setembro de 95. A empresa se tornou referência, porque sempre primou pela inovação e isso me estimulava bastante.”

Ele revela que na ocasião nunca havia recebido tantos convites para sair da Bayer. “Havia realizado um feito grandioso e fiquei em destaque”, lembra rindo.

Em 97, assumiu a gerência de TI, na mesma época em que a Bayer comprou uma empresa de plásticos no Brasil, que veio a se chamar Bayer Polímeros, estabelecida em Camaçari, na Bahia. “Eu e minha equipe cuidamos da Bayer Polímeros de 1997 a 2001.”

Fazendo malas

Em 2002, aconteceu outro convite, desta vez para morar na Colômbia. Acostumado com a vida de mudanças, Burlamaqui não partiu sozinho, foi acompanhado da esposa e dos seus dois filhos. Nos seis anos em que lá ficou, era responsável também pela TI na Venezuela, Peru e Equador.

No final da jornada na Colômbia, implementava SAP quando foi convidado a voltar para a Alemanha, onde permaneceu por dois anos. Lá, cuidou de projetos globais, adquirindo ainda mais conhecimento, gerenciando virtualmente equipes do mundo todo: EUA, Asia Pacífico, América Latina e Europa.

Nessa época, o executivo já era conhecido em toda a Bayer e a possibilidade de voltar ao Brasil bateu novamente à sua porta. A negociação para retorno à terra natal durou seis meses. “Precisava desenhar a minha volta com cuidado, havia muita experiência em minha bagagem. Assumi, então, como head de TI para a área de medicamentos, a Healthcare, responsável pela América Central, México, países Andinos, Brasil e Cone Sul (Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai).”

Depois de dois anos de muitos desafios, inovação e formação de equipes, o CIO ganhou muito chão em gerenciamento de pessoas, conflitos e integração de culturas. “Imagine Alemanha, China, Japão, reportando pra mim, tendo de lidar com diferentes culturas. É uma experiência inestimável, porque tudo isso vai muito além da tecnologia, envolve pessoas, o bem mais precioso, é o que faz acontecer”, ensina.

Desafio constante e generosidade

A Bayer passou por várias mudanças ao longo desses 35 anos em que Burlamaqui construía na farmacêutica um lego de projetos e de conquistas. Foram muitas fusões e aquisições, que exigiram esforços extras do executivo, porque o desafio da integração não envolve apenas tecnologias e sim especialmente pessoas, de diferentes culturas.

“A compra da Monsanto, em 2016, foi o maior desafio da minha carreira. Era o 18º processo de fusão e separação da companhia. Empresas com sistemas diferentes, tivemos de estudar variados processos para entender e proceder de maneira assertiva a integração com o objetivo de preparar toda a base de sistemas”, lembra acrescentando que foi uma manobra delicada visto ser imperativo desenvolver pessoas para as novas tecnologias e novos desafios.

Hoje, Burlamaqui cuida no Brasil de uma equipe de 150 pessoas internas. E compartilha com ela a experiência de ter vivido culturas diferentes e desenvolvido a capacidade de ser resiliente, observador e consciente da sua responsabilidade como líder.

“Venho criando várias oportunidades para as pessoas, preparando jovens, formando futuros líderes. Hoje, é meu time que está no palco, não eu. Precisamos prepará-los para assumir posições importantes”, ensina.

De 2012 a 2018, a Bayer proporcionou oportunidades para mais de 45 pessoas. Na equipe de 150 profissionais, um terço passou um período de seis meses fora do Brasil para enriquecer conhecimento. “Sei o quanto é importante esse contato direto com culturas diferentes, um aprendizado imensurável. Alguns por um período de três anos.”

Burlamaqui criou um grupo de jovens de TI para identificar talentos, sucessores, destacando quem tem visão. “Damos a eles a esteira para seguirem depois por sua conta e risco em suas jornadas. Depende do empenho, comprometimento e muita vontade de cada um para construir uma trilha de sucesso”, dá o seu recado o executivo de grandes conquistas e humildade de mesma dimensão em sua carreira.

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