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Chegou a hora de o desktop dizer adeus?

Entre cinco e dez anos, alguns analistas prevêem que a venda de notebooks vai superar a de desktops

Robert L. Scheier - Computerworld, EUA

26/07/2007 às 12h09

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Quando Paul Scheib, do Hospital Infantil de Boston, sai para fazer compras de PCs para a instituição em que trabalha, sua escolha geralmente é por desktops.
Apesar do preço dos computadores portáteis ter caído nos últimos anos, as máquinas de mesa (desktops)  ainda são mais baratas. Também é mais fácil proteger o equipamento contra o download de informações sensíveis em CD-ROMs ou memory sticks USB. Dos 5,4 mil PCs em uso no hospital, somente 600 são notebooks, e boa parte deles só transita pelos corredores do hospital, com a segurança garantida por cartões móveis.
“Os desktops são a escolha padrão, a menos que exista uma necessidade específica de mobilidade”, afirma Scheib, diretor do departamento de serviços de informações e CSO (chief security officer) do hospital.
Mas o executivo tem um estilo de pensamento que está quase extinto. Na medida em que o preço de um computador móvel com o modelo mais moderno de processador, tela de 17 polegadas e um grande disco rígido se aproxima hoje do preço de um desktop, os notebooks passaram a ser a opção padrão para muitas companhias.
Com um notebook e acesso a internet sem fio amplamente disponível, os funcionários podem trabalhar integralmente a partir de suas casas (o que reduz a necessidade de caros escritórios espaçosos), trabalham mais horas pelo mesmo pagamento ou continuam trabalhando quando acontece algum desastre os impede de chegar ao escritório.
Enquanto espera-se que a venda de PCs em todo o mundo cresça 12,2% este ano, avalia-se que a venda dos computadores portáteis vão aumentar em 28%, de acordo com analistas do IDC. Bob O´Donell, vice-presidente para clientes e displays da IDC, prevê que os notebooks vão representar mais de metade de todos os computadores vendidos nos Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano.
Ele também acredita que a ultrapassagem dos notebooks ante o total de desktops deverá acontecer em todo o mundo por volta de 2010. Os notebooks começaram a superar as vendas de desktops no quarto trimestre do ano passado no Leste Europeu e isso já acontece há anos no Japão, segundo o executivo.
O’Donnell espera que as vendas de computadores portáteis mantenham um crescimento de dois dígitos pelos próximos anos, na medida em que a mobilidade continua a atrair os compradores em detrimento dos desktops.
A tendência em torno do notebook é ainda maior em boa parte dos países desenvolvidos onde tanto corporações como clientes finais podem pagar a diferença de 200 a 300 dólares por um notebook, quando comparado ao desktop. Pelo lado do consumidor, muitas famílias substituem um desktop antigo por um ou mais notebooks, garante O´Donnell. O fato de que muitas universidades exigem que seus estudantes comprem essas máquinas também reforça essa tendência.
Enquanto muitos notebooks bem equipados estão disponíveis por menos de mil dólares, eles freqüentemente exigem a compra de periféricos externos como tela externa ou teclado para tornar o notebook mais confortável durante o uso no escritório, pontua Tim Tobul, diretor executivo de marketing para produtos de negócios emergentes da uma unidade da Lenovo.
Também há o fato de que os notebooks normalmente devem ser substituídos a cada três anos devido ao desgaste que sofrem, comparado com quatro ou cinco anos para desktops, segundo ele. Roger Kay, presidente de pequisa da Endpoint Technologies Associates, afirma que o design modular dos desktops os torna mais fáceis e baratos para reparar.
Analistas divergem sobre quanto o preço a mais hoje cobrado pelos notebooks pode cair. Kay prevê que alcançará “perto de zero” na medida em que os engenheiros, em busca da redução de energia usada e o calor gerado pelos desktops, começam a usar  mais componentes de notebooks, como os processadores que economizam energia.
Ele também diz que, enquanto isso pode custar mais para desenhar as menores partes do notebooks, uma vez em produção eles podem custar menos do que seus componentes de desktop, porque são menores e usam menos matéria-prima.

Desktops em ambientes virtuais
Os desktops ainda são escolhidos em países mais pobres onde o preço é mais crítico e as condições de meio ambiente (como poeira, calor e umidade), podem ser prejudiciais aos  notebooks. Tobul diz que mais de 70% das vendas da Lenovo em países em desenvolvimento, como China e Índia, (Brasil também) são de desktops. Por menos de 200 dólares “é possível colocar um sistema muito competitivo em mercados emergentes – o que dificulta a competitividade e a entrada do notebook”, diz.
Os desktops freqüentemente fazem mais sentido onde, como no Hospital Infantil citado no início, múltiplos funcionários dividem o mesmo sistema em uma localidade fixa. Eles também são a forma mais fácil e barata de fazer atualizações e podem ser mais facilmente configurados para o conforto dos usuários, garante Kay, com o teclado separado da tela, o que permite que cada um pode ser movido para onde não causem dores musculares ou nos olhos. “Quem fica o dia inteiro trabalhando em um computador não vai querer usar um notebook”, diz.
E apesar de os notebooks serem um meio de encorajar o trabalho depois do expediente ou de assegurar a continuidade dos negócios mesmo depois de um desastre natural, Tobul afirma que algumas empresas estão, ao invés disso, considerando a virtualização dos desktop dos usuários de casa, formando dois ambientes operacionais. Um seria para o uso regular e pessoal e o outro para o uso de uma rede virtual privada (VPN) ou um ambiente de thin client para assegurar o acesso seguro à rede corporativa.
Mesmo quando a segurança não envolve regras do uso de notebooks, eles requerem o uso de mais medidas de segurança. “Estamos vendo muito maior ênfase na segurança do hardware” na forma de leitores de impressão digital para permitir a entrada do usuário no sistema, comenta O´Donnell.

Menor, mais iluminado e mais barato

Um número de fabricantes está considerando lançar no mercado equipamentos ultra-portáteis com telas tão pequenas como 5 ou 7 polegadas, que pode rodar inclusive um sistema operacional tão familiar como Windows e prover um teclado decente. Mas até agora eles são somente uma pequena parte do mercado.
Ann Avery, gerente de marketing de notebook na América do Norte para a HP, diz que os equipamentos Ultra Light da companhia representam menos de 10% das vendas totais de notebooks. Entretanto, Kay prevê que sistemas como esse vão se tornar “uma categoria substancial” do mercado.
A executiva também vê uma integração crescente do WiMax, ou de amplas regiões com banda larga sem fio, e os notebooks – uma opção que tem sido escolhida por entre 10% e 15% dos clientes da HP.
Apesar de anos de trabalho de marketing e desenvolvimento da Microsoft e dos principais OEMs de notebooks, poucos analistas prevêem o rápido crescimento dos tablet PCs, cuja tela é sensível ao toque e permite que o usuário insira textos a partir de escrita à mão ou por meio do teclado. Kay acredita que a funcionalidade do tablet “vai se tornar um tipo de mercado de notebook”, o qual os vendedores podem fornecer simplesmente adicionando a função da sensibilidade ao toque no notebook tradicional.
Mas não importa quão pequeno, iluminado, barato e capaz o notebook se torne, sempre existirá um segmento no mercado que vai preferir os desktops. Mesmo assim, Kay prevê que em um prazo de cinco a sete anos só restarão os “duros de matar” entre os usuários de desktop.

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