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Desafio do líder? Implementar mudanças de mindset

Por mais que uma empresa tenha todos recursos financeiros à sua disposição, um passo em falso pode colocar em cheque o futuro e até mesmo a sua própria existência

Alexandro Barsi *

19/09/2018 às 18h16

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Quando um dos empresários mais bem-sucedidos do mundo diz que se sente um "dinossauro apavorado" diante dos rumos que os negócios estão tomando, isso deve ser encarado como um sinal de alerta. Até porque Jorge Paulo Lemann é um dos homens de negócio mais bem-sucedidos quando o assunto é a condução de empresas tradicionalmente consolidadas.

Em sua fala, Lemann se referia às novas tecnologias, como a Inteligência Artificial e o Data Analytics. Ou seja, ao universo que estamos presenciando e que chamamos de Transformação Digital.

Por mais que uma empresa tenha todos recursos financeiros à sua disposição, um passo em falso pode colocar em cheque o futuro e até mesmo a sua própria existência. Conhecemos diversos casos de companhias que, por não terem se reinventado, caminharam rumo à extinção. O exemplo mais emblemático é o da rede de locadora de filmes Blockbuster. Por outro lado, vimos recentemente a Apple conquistando o posto de primeira companhia a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão. Há 20 anos, a mesma se deparava com a possibilidade real de falência. Um exemplo de reinvenção.

A reinvenção atual das companhias passa, sobretudo, por mudanças de mentalidade. Entender que a Transformação Digital e as tecnologias que a embasam, como Inteligência Artificial, Internet das Coisas, Big Data, Blockchain, entre outras, vieram para ficar. O dado preocupante é a falta de conscientização das empresas tradicionais, na figura de seus líderes e gestores, de que precisam compreender isso. Segundo o estudo "2018 Global Consumer Executive Top of Mind Survey", desenvolvido pela consultoria KPMG, nem todas as companhias estão abertas quando o assunto é Transformação Digital como um elemento estratégico dentro da corporação.

Se por um lado a falta de recursos qualificados possa ser uma das justificativas dos gestores para avançar nesse quesito, por outro, essas dificuldades sempre existirão e não poderão impedir a inclusão da Transformação Digital na estratégia da empresa. É neste momento que a principal função do líder vem na direção de mudar o mindset, seu e de toda a organização, com o objetivo de criar um pensamento realmente digital. E, aqui, não falamos da criação de um aplicativo ou algum outro serviço online, mas de virtualizar e adequar todos os processos internos. Essa etapa inicial é fundamental e antecede o lançamento dos produtos. É como preparar o terreno para a construção de algo muito maior.

Incentivar essa transformação, porém, é um desafio e tanto. Mudanças geralmente trazem desconforto e são vistas com desconfiança pelos profissionais mais conservadores, que muitas vezes não estão capacitados para se adequarem à nova realidade. O líder deve tomar a frente para envolver todas as áreas da empresa e criar ambientes inovadores, bem como uma nova cultura organizacional que funcione de forma integrada, seja ágil e aproveite as principais qualidades de seus colaboradores.

Este novo cenário cria condições mais favoráveis para que a empresa possa se desenvolver pensando sempre em melhorar a experiência do seu público. O consumidor está cada vez mais exigente, ele anseia por novos produtos todos os dias e quer ter acesso facilitado aos mesmos, seja no método de pagamento ou a forma de entrega. O fato é que inovar é urgente, e a cultura digital ramificada na empresa permite vislumbrar novas oportunidades de negócios, independentemente do ramo de atuação, seja ela uma companhia de commodity ou de serviço.

Um grande case de inovação para seguir prosperando é a Olivetti. A centenária empresa italiana foi por muito tempo referência em máquinas de escrever e calculadoras, mas teve que se reinventar para não morrer após a popularização dos computadores e, posteriormente, notebooks. Hoje, controlada pela Telecom Itália, ainda fornece equipamentos para escritório, como impressoras e scanners, mas é uma grande entusiasta da Transformação Digital, desenvolvendo soluções de Cloud Computing, Machine to Machine (M2M), Internet das Coisas (IoT), Analytics e Big Data. A GE-General Eletric é outro exemplo de empresa que tem grande ramificação de mercados de atuação.

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Tamanha mudança de posicionamento é inviável sem a transformação da cultura impulsionada por grandes líderes. O digital que ainda é um diferencial hoje, em pouco tempo se tornará algo básico, como as novas gerações que já nascem de olho na tela dos smartphones. Mas não dá para esperar essas crianças chegarem ao mercado de trabalho para apostar em uma transformação.  A hora é agora. Você está preparado?


(*) Alexandro Barsi é sócio-fundador e CEO do Verity Group

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