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Dá para confiar em nuvens baratas demais?

À medida que o mercado de cloud amadurece, grandes players sentem pressão de todos os lados. Entrantes usam as armas que lhes cabem para roubar market share

Da Redação

04/12/2014 às 19h52

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O provedor de serviços de hosting Atlantic.net lançou uma oferta de servidores em nuvem ao custo de US$ 0,99 ao mês. O valor é consideravelmente mais barato que os US$ 0,013 por hora cobrados pela líder de mercado Amazon Web Services nos serviços de máquinas virtuais do Elastic Compute Cloud (EC2). 

A SherWeb, outro provedor de soluções de hospedagem de médio porte que pretende reposicionar-se como provedor de infraestrutura como serviço (IaaS), lançou uma oferta de clouc com Hyper-V/SSD-flash/InfiniBand-fabric/Intel com a promessa de bater de frente contra a AWS. 

As duas empresas não estão sozinhas nessa batalha. Fornecedores como Ocean, ProfitBricks e Concerto entraram na luta para brigar contra Amazon, Microsoft e Google tanto nos atributos de preço quanto de desempenho e usabilidade. 

É a história do Davi contra o Golias na arena da nuvem. À medida que o mercado de infraestrutura em nuvem amadurece, grandes players vem a pressão chegar de todos os lados. Entrantes e companhias de menor porte usam as armas que lhes cabem para roubar market share. 

Com todo esse cenário, muitos usuários se perguntam: esses provedores menores e com ofertas mais baratas de cloud são confiáveis?!?!

O mercado de computação em nuvem presenciou algumas histórias de horror no passado recente. Alguns provedores chegaram a sumir do mapa, como foi o caso da Nirvanix. A fornecedora de armazenamento em cloud fechou as portas em 2013. A Code Spaces é outro exemplo, que passou por maus bocados depois de ser hackeada e perder dados. Tem também a MegaCloud, que fechou, sem motivos, em 2013. 

Algumas precauções são sempre necessárias, e isso independe do tamanho do fornecedor. Agora, não dá para dizer que empresas não devem se preocupar com o cenário em nuvem, especialmente em se tratando de pequenos provedores. “Trabalhamos com TI há mais de 20 anos”, enfatiza Manoj Puranik, presidente e CEO da Atlantic.net, afirmando que a comparação é injusta.

Laranjas e maçãs
A analista de IaaS do Gartner, Lydia Leong, afirma que há uma diferença fundamental (além do conhecimento de marca) entre grandes nomes como Amazon, Microsoft e Google, e provedores menores e entrantes nessa disputa pelo mercado de cloud. 

Segundo ela, algumas dessas novas empresas são apropriadamente categorizadas como provedoras de servidores virtuais (VPS). A própria Atlantic.net enquadra-se nesse segmento. Muitas dessas companhias têm um histórico na oferta de hosting e agora começam a mover suas engrenagens para posicionarem-se como provedores de serviços em nuvem. 

“Os serviços e usos são diferentes entre as duas modalidades”, observa Lydia. Empresas de VPS tendem a ser melhor na oferta que considera baixo uso de fluxos de trabalho – uma ou duas máquinas virtuais por vez. Alguns vendors superprovisionam seus servidores de forma a permitir que tenham os melhores custos. “É diferente de uma solução corporativa de IaaS”, afirma a especialista. 

A grande questão é que esses provedores de menor porte, normalmente, não conseguem construir um portfólio com características tão amplas quanto os de uma grande corporação. A AWS é líder de mercado por uma razão: detém a mais abrangente gama de ferramentas e um largo ecossistema de aplicações disponíveis em sua nuvem. 

Agora, comparar a Amazon com outros provedores é o mesmo que comparar laranjas com maçãs, afinal, são frutas diferentes. Mesmo a Microsoft, que já investiu um bom volume de dinheiro na construção de sua nuvem, está apenas começando a ganhar terreno na oferta de IaaS. 

James Staten, analista da Forrester, observa que os esforços de alguns desses pequenos e médios provedores podem ser em vão. “Existe todo tipo de tática para eles se diferenciarem, investindo um pouco em inovação para inovar, mas pouca oportunidade para verdadeira diferenciação”, avalia, para sentenciar: “eles acabam caindo no discurso do preço ou da performance”. O especialista classifica que tal abordagem, mesmo quando vem a dar certo, não dura por muito tempo.  

Há maneiras melhores para atacar esse mercado. Grandes provedores, até por sua natureza, atendem interesses gerais, com nuvens de alta escala. Já os pequenos poderiam focar suas iniciativas em workloads ou indústrias específicas como varejo, governo, saúde, lista Staten. 

A GoGrid, pro exemplo, obtém sucesso desenvolvendo ofertas específicas para hostear soluções de big data. “A melhor tática é focar no mercado de seus clientes, compreenderem o que faz mais sentido, como podem se diferenciar naquele segmento e complementarem suas capacidades”, aconselha. “Essa é a melhor diferenciação contra os grandes players”, adiciona. 

Puranki, fundador da Atlantic.net (a empresa que oferece servidores por US$ 0,99), disse que não se interessa em brigar no mercado contra a AWS. Segundo ele, está apenas oferecendo um serviço significativamente mais barato para empresas que pensam em testar serviços em nuvem. 

Haverá espaço para múltiplos tipos de fornecedores no cenário de US$ 127 bilhões desenhados no horizonte para a indústria de computação em nuvem. Até porque, uma única companhia não será capaz de atender todo o mercado.

Apesar de esses provedores menores sustentarem marcas menos reconhecidas, companhias como PlaceWise Media se classificam como usuários contentes. “Coletamos uma grande quantidade de dados”, diz Roger Heaston, CTO da empresa que fornece serviços digitais para shopping centers. Uma plataforma baseada em cloud que podem garantir elasticidade é ideal para o tipo de negócio que companhia oferece, garante o executivo. 

Há alguns anos, Heaston avaliou a AWS, contudo preferiu fazer uma comparação com outros provedores antes de fechar o contrato. Foi quando encontrou a ProfitBricks, um fornecedor que oferecia uma precificação clara e competitiva e que também era aderente ao desempenho que ele buscava. O CTO não voltou mais para a gigante e assinou o contrato com a empresa de menor porte. 

Executivos de fornecedores de menor porte tem razão: há espaço para todo mundo nesse Mercado. Para os clientes corporativos, rumar em direção a grandes nomes como Amazon, Microsoft ou Google é uma escolha instintiva; agora, para determinados workloads ou considerações por preço, provedores menores podem ser mais adequados. 

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