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Customização e integração são tendências para serviços financeiros

ara maximizar o valor do serviço entregue ao cliente, as empresas terão que concentrar seus esforços no core business e se integrarem com outros negócios para ganharem expertise e capilaridade

Maria Teresa Fornea *

28/02/2018 às 20h18

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Recentemente participei do Paris Fintech
Forum, um dos maiores eventos de fintehs da Europa, onde tive a
oportunidade de acompanhar as principais tendências que vão transformar o
mercado financeiro nos próximos anos. Após ouvir CEOs de diversas
fintechs, grandes bancos e players de mercado de capitais de todo o
mundo sobre as mais diferentes inovações, acredito que os conceitos que
se perpetuarão fortemente no mercado de agora em diante são customização, integração e foco no core business.

Dando um passo a frente, a Europa já
aprovou o regulamento PSD2 (diretiva revisada sobre os serviços de
pagamento), tendência que mudará globalmente o setor bancário da forma
como conhecemos hoje. Agora, os clientes dos bancos, tanto consumidores
como empresas, poderão contratar outros fornecedores para administrarem
suas finanças, o que abre novas oportunidades para os clientes.

Com a diretiva, os bancos europeus serão
obrigados a fornecer as informações bancárias de seus clientes via APIs
para terceiros. No Brasil, essa inovação do open banking ainda
não acontece, principalmente porque os bancos ainda tentam proteger o
atual oligopólio, dificultando essa divisão de dados e a integração de
outras soluções financeiras na conta do consumidor. Todavia, acredito
que nesse sentido o ponto não é se essa mudança regulatória ocorrerá por
aqui, mas quando ocorrerá.

Fato é que a forma como as pessoas
consomem serviços financeiros está mudando, e tanto bancos quanto
empresas terão que se adaptar. Agora, quem decide como quer realizar a
contratação de seus diversos produtos financeiros são os próprios
clientes e é aí que entra o conceito de customização. O
consumidor dessa nova era digital poderá optar por ter conta corrente
em um banco, cartão de crédito de outro, pegar empréstimo em uma
fintech, e fazer um investimento em outra, e assim por diante,
utilizando serviços das mais diferentes empresas de acordo com o que
deseja.

Por isso, a questão do compartilhamento
de dados bancários é muito importante, pois é essa inovação que vai
continuar evoluindo o setor. Até porque, no fim das contas, esses dados
não são dos bancos, e sim dos clientes, que podem fazer uso deles da
forma como lhe convir, escolhendo o melhor serviço para seu objetivo.

Interligado a esse conceito de customização, vem a outra tendência para o mercado financeiro, que é a de integração.
Com os clientes buscando cada vez mais serviços personalizados, as
empresas também têm que se ajustar a esse novo cenário, e integrar é a
palavra-chave para continuar acompanhando a velocidade com que o mercado
está evoluindo.

Para maximizar o valor do serviço entregue ao cliente, as empresas terão que concentrar seus esforços no core business
(e aqui chegamos a terceira grande tendência do mercado financeiro), e
se integrarem com outros negócios para ganharem expertise e capilaridade
em áreas que não são seu foco original. Com isso, as plataformas de
serviços financeiros passarão a funcionar como um "LEGO". Ou seja, os
consumidores não vão mais apenas dizer "sou cliente de tal banco", mas
sim "eu utilizo um produto de determinado banco". Assim, todas essas
plataformas financeiras vão se conectar, em um novo universo mais aberto
e cooperativo, e o cliente poderá orquestrar a estrutura do seu LEGO de
finanças da maneira como desejar.

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Na Bcredi, por exemplo, trabalhamos com
crédito imobiliário e oferecemos um produto de ciclo longo, que vai
desde a origem até a gestão da carteira do crédito. Dentro disso, é
difícil desenhar todo o serviço de ponta a ponta, por isso também
precisamos integrar para ganhar mais expertise. Então a ideia é focar
nos diferenciais, que ninguém mais oferece no mercado, e buscar o
conhecimento de outras soluções para englobar na nossa plataforma com o
objetivo de sempre entregar o melhor serviço.

Com essa movimentação constante do
mercado, daqui para frente o diferencial das fintechs também se dará
através do processo criativo. Isso porque, na era da inteligência
artificial, qualquer processo repetitivo que possa ser aprendido por um
robô, será substituído por um robô. Com isso, o capital humano
intelectual de pessoas que pensam "fora da caixa" será cada vez mais
fundamental.

Diante de todo esse cenário, a conclusão
que fica é que a coleta de dados para entender o comportamento e as
necessidades do cliente ao longo de toda a cadeia é a grande inovação
para os próximos anos. O mercado está se transformando e o avanço da
tecnologia será o principal fator para, no final do dia, entregarmos a
melhor experiência para o cliente.

(*) Maria Teresa Fornea é cofundadora da Bcredi

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